quarta-feira, julho 25, 2018

Brasil é o país que mais mata ambientalistas no mundo, diz ONG

Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

Mais de um quarto dos assassinatos de ativistas em defesa do Meio Ambiente aconteceram no Brasil; chacinas em áreas rurais preocupam

(Antonio Lacerda/EFE/VEJA)
Grupo de ambientalistas do Greenpeace protestam em frente a sede 
do BNDES no Rio de Janeiro, exigindo a suspensão 
do financiamento da Usina Nuclear Angra III 

Pelo menos 207 ativistas ambientais foram mortos em 2017, segundo levantamento divulgado pela organização internacional Global Witness. Foi o ano com mais mortes desde que o estudo começou a ser feito, em 2002. O Brasil lidera, segundo a ONG, com 57 mortes, cerca de 28% do total. No ano anterior, haviam sido 49, pelo mesmo cálculo.

A organização mapeia mortes de defensores do meio ambiente no mundo e observa aumento desses crimes em países em desenvolvimento que ainda mantêm porções significativas de recursos naturais. Os casos compilados são de líderes indígenas, ativistas comunitários e ambientalistas.

Chama a atenção no país, segundo o relatório, o fato de que cerca de metade das mortes registradas foi em três chacinas – 25 óbitos. A primeira é de 19 de abril, quando nove sem-terra foram mortos em Colniza (MT).

Em 24 de maio, dez pessoas foram mortas por policiais militares e civis em ação contra ocupação em uma fazenda em Pau D’Arco (PA). A terceira chacina citada foi em 7 de agosto, quando seis pessoas foram achadas mortas na comunidade quilombola Iuna, em Lençóis (BA).

Segundo a Global Witness, o Brasil tem sido o “mais perigoso para defensores da terra ou do meio ambiente na última década, com média de 42 mortes por ano desde 2012”. Ainda de acordo com a ONG, o governo federal tem cortado verba de órgãos de proteção indígena e de regularização de terras e flexibilizado a conservação ambiental.

Governo

A reportagem procurou nesta segunda-feira, 23, o Planalto, além dos Ministérios de Direitos Humanos (MDH), Meio Ambiente e a Funai. O MDH informou que espera a divulgação do relatório e vai, juntamente com outros órgãos do governo federal, “promover uma articulação para analisá-lo com a atenção e avaliar suas conclusões”.