Natália Flach, Exame.com
Com agências
Crise provocada pela pandemia do novo coronavírus diminui a demanda pelo petróleo - e seus derivados - em todo o mundo
(Christian Hartmann/Reuters)
Petróleo: seu preço tem sido pressionado há semanas,
com a pandemia de coronavírus destruindo a demanda pela commodity
Os preços do contrato futuro de petróleo WTI despencaram nesta segunda-feira — valor de referência nos Estados Unidos — recuando mais de 100% para o menor nível da história, à medida que investidores se preocupam com a falta de locais de armazenamento e dados da Alemanha e do Japão indicam um cenário sombrio para a economia global.
O contrato de maio, que tem vencimento amanhã, fechou o pregão em -37,63 dólares por barril. Sim, negativo. “É a primeira vez na história, desde 1946, que um contrato futuro de petróleo negocia com valor negativo. Está mais caro rolar o contrato de barril de petróleo de maio para junho do que zerar a operação e fazer de novo”, comenta Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset. Já o petróleo Brent recuou 6,27%, a 26,32 dólares por barril, às 14h53 (horário de Brasília).
“Os contratos futuros de petróleo pressupõem entrega física, ou seja, os investidores precisam entregar barris da commodity. Só que, no momento, está havendo escassez de espaço no mundo para estocagem, porque a demanda entrou em colapso e todos os locais estão lotados”, afirma Bruno Lima, analista de ações da EXAME Research.
Os preços têm sido pressionados há semanas com a pandemia de coronavírus destruindo a demanda pela commodity.
A Arábia Saudita e a Rússia até chegaram a um acordo há mais de uma semana para cortar a oferta de petróleo em 9,7 milhões de barris por dia, mas isso não deve fazer com que o excesso de oferta global seja reduzido rapidamente.
Os valores do petróleo Brent colapsaram em cerca de 60% desde o início do ano, enquanto o petróleo dos EUA recuou cerca de 85% no período, para níveis muito abaixo do ponto de equilíbrio (o chamado “break-even”) necessário a muitos produtores de “shale” (petróleo não convencional). Isso levou à interrupção de perfurações e a drásticos cortes de gastos.
Analistas disseram que as liquidações foram intensificadas pela iminente expiração do contrato de primeiro mês.
