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O Globo
Órgão quer saber se ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, praticou improbidade administrativa na demissão
Foto: Eliária Andrade / Agência O Globo
BRASÍLIA - Os coordenadores da 4ª Câmara (Meio Ambiente) e 6ª Câmara (Populações Indígenas) do Ministério Público Federal, Nívio de Freitas e Antônio Carlos Bigonha, solicitaram a abertura de uma investigação sobre as circunstâncias que envolveram a demissão do diretor de proteção ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, dias depois de uma megaoperação contra garimpo e desmatamento ilegal em terras indígenas no sul do Pará.
No ofício, os coordenadores solicitam que seja apurado se houve desvio de finalidade na demissão e improbidade administrativa por parte do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim. Segundo fontes do Ibama ouvidas ontem pela reportagem sob a condição de anonimato, Azevedo foi demitido porque não conseguiu frear a equipe de fiscalização do órgão.
O ofício dos subprocuradores foi enviado para a Procuradoria da República no Distrito Federal, onde deverá correr a investigação.
"Destaca-se, por fim, que ainda impende averiguar se decorrente de tal afastamento a operação em curso do Ibama sofreu qualquer solução de continuidade ou teve seu ritmo ou abrangência atenuados, especialmente nesta dramática situação de riscos à saúde das populações indígenas", escreveram no ofício os subprocuradores.
A exoneração foi assinada pelo ministro Ricardo Salles. De acordo com o ministério, a decisão foi tomada em comum acordo e, com ela, a pasta tem a intenção de melhorar o combate ao desmatamento.
A operação em três terras indígenas no sul do Pará, onde vivem cerca de 1.700 índios, tinha como objetivo proteger os indígenas que moram na localidade do contágio pelo coronavírus. Desde o início da pandemia, as invasões em terras indígenas aumentaram. Os alertas de desmatamento na Amazônia cresceram 29,9% em março deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Tempos estranhos os que vivemos. Enquanto nos governos petistas um candidato a cargo no poder precisava ter folha corrida, de preferência bastante extensa, no governo Bolsonaro deixa de ser candidato quem tiver perfil profissional de extrema e reconhecida competência. Quem demonstrar um mínimo de capacidade é imediatamente fritado. Foi este o caso. E existe a real chance da turma de fiscais que participou das operações serem desligados também.
A política de Bolsonaro para o Meio Ambiente nos obriga a dizer que este ministério melhor se chamaria de Ministro do Desastre Ambiental.
