Julia Lindner e André Borges,
O Estado de S.Paulo
Ministro da Cidadania também informou que o governo já analisou o cadastro de cerca de 95 milhões de pessoas, das quais 45 milhões já receberam a primeira parcela
Foto: Felipe Rau/Estadão
Em São Paulo, pessoas formaram fila na manhã desta quinta,
30, no quarto dia de saques do auxílio emergencial.
BRASÍLIA - O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta quinta-feira, 30, que as filas em agências da Caixa para recebimento do auxílio emergencial de R$ 600 ocorrem em razão da "natureza" e "cultura" dos brasileiros que têm dificuldade para acessar o aplicativo criado pelo governo.
Segundo ele, as aglomerações devem continuar a ocorrer nas agências até o final do programa, previsto até julho. O benefício contempla milhões de pessoas consideradas "invisíveis", que, em diversos casos, não possuem registro civil e acesso à internet.
"Tem uma parcela da população que não usa o aplicativo, quer dizer, não usa o sistema digital... Ele precisa ir na Caixa, ver o dinheiro, pegar o dinheiro, é uma tradição de algumas pessoas, particularmente as de mais de idade", disse Onyx.
Onyx admitiu que esta é uma dificuldade do governo. "Acredito que algum grau de fila nas agências da Caixa vai ter até o final do programa porque é da natureza nossa, da própria cultura."
Ainda de acordo com o ministro, o governo já analisou até o momento o cadastro de cerca de 95 milhões de pessoas que pedem o auxílio emergencial. Dessas, 45 milhões já receberam a primeira parcela do auxílio e 5 milhões devem receber ser contempladas nesta semana.
Outras 13,6 milhões terão que refazer o cadastro por algum tipo de inconsistência no registro. Há ainda, 32,8 milhões que foram consideradas inelegíveis.
Com os cadastros feitos até o momento, o custo do programa é calculado em cerca de R$ 120 bilhões. Segundo Onyx, no entanto, a expectativa é que outros "invisíveis" sejam identificados, o que pode aumentar o valor.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Questões simples para este ministro responder: por que o governo não fez um convênio com a FEBRABAN, para que outros bancos, além da Caixa, pudessem realizar os pagamentos?
Quando o governo montou o programa sabia que seriam cerca de 45 milhões de pessoas que acorreriam às agências e aplicativos. Achava o quê diante desta expectativa de demanda, que não haveria filas? ?Que não haveria atropelos? Ou acha que todo mundo tem ou sabe usar celular com aplicativos? Por que não equipou melhor o sistema e as agências para não haver todo este sofrimento das pessoas?
O senhor Onyx tem de parar de julgar as pessoas por si mesmo. Nem todos tem o teu salário, nem todos tem a tua boa vida, e existe, ministro, aceite esta verdade, muita pobreza e miséria neste país, e esta “esmola” de R$ 600,00 representa muito para este exército de famintos. Deveria haver por parte do governo e de seu ministério mais respeito para com estes milhões de brasileiros necessitados.
Reconheça que as dificuldades não são as pessoas. É questão de estrutura do único banco autorizado a pagar o auxílio. Aqui, senhor Onyx, a única “cultura” e “natureza” presentes é a de um país cujos governantes e políticos em geral não param de mamar a riqueza que deveria ser repartida com todos e não é. Pare de inventar desculpas porcas para seus erros.
