segunda-feira, maio 04, 2020

Partículas mortas de coronavírus podem alterar resultado de testes

André Lopes
Veja online

Nova pesquisa realizada por cientistas da Coreia do Sul fornece dados que serão usados para melhorar o tempo de isolamento social de pessoas em tratamento

  Andressa Anholete/Getty Images
Uma profissional de saúde realiza testes de coronavírus
 em frente ao Estádio Mane Garrincha, em Brasília 

Pacientes com coronavírus que permanecem positivos semanas após o diagnóstico podem abrigar partículas de vírus mortas e que, em testes, não podem ser distinguidas das infecciosas, descobriram cientistas dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia do Sul, o país que até o momento realizou a maior testagem populacional.

O vírus Sars-CoV-2 morre em uma a duas semanas depois de infectar e se proliferar em células respiratórias. No entanto, partes do material genético do vírus, ou RNA, podem permanecer nas células e continuam sendo detectadas nos teste de ácido nucleico, o exame padrão de detecção da doença, um mês ou dois após a infecção, ressaltando a limitação do procedimento, afirmaram os pesquisadores na quarta-feira (29).

A nova evidência é importante considerando que, ao saber quanto tempo um indivíduo mantém sinais do vírus, pode-se a controlar melhor o tempo o isolamento social e a quarentena de pessoas em tratamento. Estudos anteriores indicam que pacientes muito doentes transmitem a doença por mais tempo do que os que tiveram sintomas mais brandos.

Além disso, aprimorar o pós tratamento dos curados é tão importante quando o tratamento dos sintomas, alertam os pesquisadores da Coreia. É levado em conta que o Centro Coreano para Controle e Prevenção de Doenças informou, no início de abril, que o coronavírus pode estar sendo reativado em pessoas que foram curadas da doença. Na época, o órgão descobriu que cerca de 51 pacientes classificados como curados apresentaram teste positivo novamente. Concluiu-se que, ao invés de uma nova infecção, o vírus pode ter sido reativado nessas pessoas.