Redação,
O Estado de S.Paulo
Fotógrafo Dida Sampaio registrava imagens do presidente em frente à rampa do Palácio do Planalto quando foi atacado
BRASÍLIA - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro agrediram com chutes, murros e empurrões a equipe de profissionais do Estadão que acompanha uma manifestação pró-governo realizada neste domingo, 3, em Brasília. O fotógrafo Dida Sampaio registrava imagens do presidente em frente a rampa do Palácio do Planalto, na Esplanada dos Ministérios, numa área restrita para a imprensa quando foi agredido.
Sampaio usava uma pequena escada para fazer o registro das imagens quando foi empurrado duas vezes por manifestantes, que desferiram chutes e murros nele. O motorista do jornal, Marcos Pereira, que apoiava a equipe de reportagem também foi agredido fisicamente com uma rasteira. Os manifestantes gritavam palavra de ordem como “fora Estadão”.
Fotógrafo do Estadão Dida Sampaio é impedido de registrar imagens do presidente Jair Bolsonaro; manifestante de camisa azul agride verbalmente o fotógrafo, o chamando repetidas vezes de ‘lixo’ por trabalhar no Estadão e incita demais apoiadores do presidente a não permitirem que o repórter faça seu trabalho, colocando as mãos na frente da câmera. A partir deste episódio, o fotógrafo sofreu agressões físicas Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Os dois profissionais precisaram deixar o local rapidamente para uma área segura e procuraram o apoio da polícia militar. Eles deixaram o local escoltados pela PM. Os profissionais passam bem. O repórter da Folha de S.Paulo Fabio Pupo também foi empurrado ao tentar defender o fotógrafo do Estado. Os repórteres do Estado Júlia Lindner e André Borges, que também acompanham a manifestação para o Estadão, foram insultados, mas sem agressões.
Milhares de pessoas se reúnem na Esplanada dos Ministérios convocadas num ato estimulado pelo presidente. A ação ocorre após o ex-ministro Sérgio Moro prestar depoimento no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar denúncia feita por ele de que o presidente Bolsonaro utilizou o cargo para tentar ter acesso a investigações sigilosas da Polícia Federal.
Fotógrafo do Estadão Dida Sampaio é um empurrado por um dos manifestantes da escada que usava para registrar as imagens do presidente Jair Bolsonaro; fotógrafo relata que recebeu o empurrão na altura da cintura, do lado direito. Dida, que bateu a cabeça ao cair no chão, continuou sendo hostilizado pelos manifestantes, mas um grupo o ajudou a se levantar Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Bolsonaro desrespeitou todas as normas de saúde pública ao participar da manifestação. Sem máscara, desceu a rampa do Planalto e deu uma volta em todo alambrado. O desrespeito as medidas de segurança por causa do novo coronavírus é generalizado entre os apoiadores do presidente. Assim como o presidente, grande parte da população não usa máscara.
Entre os gritos contra Maia e ministros do STF, os manifestantes também se posicionaram contra a imprensa. Em certo momento, parte deles começou a gritar "Globo Lixo" e partiu contra profissionais da imprensa. Neste momento, a alguns metros de distância, o presidente Jair Bolsonaro foi avisado por um auxiliar que os profissionais da TV Globo estavam sendo expulsos. Diante da informação, Bolsonaro não repreendeu a atitude e endossou críticas a emissora. "Pessoal da Globo, vem aqui para pegar um cara ou outro falar besteira. Essa TV realmente foi longe demais", comentou durante transmissão ao vivo nas redes sociais.
Fotógrafo do Estadão Dida Sampaio pede aos manifestantes que o deixem trabalhar; neste momento, ele tem o braço segurado por um dos apoiadores do presidente; a imagem mostra um manifestante com punho cerrado Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Vencedor de dois prêmios Esso e três Vladimir Herzog, Dida Sampaio trabalha no Estadão desde 1994. Do exato ponto da Praça dos Três Poderes em frente ao Palácio do Planalto onde foi agredido por bolsonaristas, ele já congelou as tradicionais subidas pela rampa dos presidentes eleitos - Fernando Collor (1990), Fernando Henrique (1995 e 1999), Luiz Inácio Lula da Silva (2003 e 2007), Dilma Rousseff (2011 e 2015) e Jair Bolsonaro (2019) - e de visitantes internacionais, como Bill Clinton (1997), Nelson Mandela (1998), papa João Paulo II (1991) e Barak Obama (2011).
Fotógrafo do Estadão Dida Sampaio é agredido com chute e soco no estômago e deixa o local sob escolta da PM Foto: Reprodução



