segunda-feira, junho 15, 2020

Bolsonaro teme que devassem as milícias digitais, diz presidente da CPI das fake News

Deu no G1 — Brasília
Tribuna da Internet


Angelo Coronel já ofereceu provas ao Supremo e à Polícia Federal

O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga a disseminação de conteúdo falso na internet, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), afirmou neste sábado (13) que o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) estão juntos contra a “pandemia digital” das fake news. As declarações foram dadas no GloboNews Debate, exibido ao vivo na GloboNews.

Em resposta a Ângelo Coronel, o deputado Carlos Jordy (PSL-RJ), aliado do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que a CPI deve ser encerrada porque age contra o governo e tem se mostrado um “verdadeiro teatro”.

VÁRIAS INVESTIGAÇÕES – 

Paralelamente, investigam a disseminação de fake news a CPI mista, um inquérito no STF e ações em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“A CPMI deixou à disposição do ministro Alexandre de Moraes [relator do inquérito no STF] todas as suas peças, e também o ministro Alexandre de Moraes disse, após as investigações, que está disposto a disponibilizar para a CPMI. Como trata-se do mesmo tema, esclarecer este processo das fake news, dessa pandemia digital que assola o país, nós estamos unidos, Congresso e Supremo Tribunal Federal”, afirmou Ângelo Coronel.

Em seguida, Carlos Jordy afirmou: “Na verdade, o que temos acompanhado, desde o início da CPMI, é que há um movimento contra o governo, é uma CPI que é um verdadeiro teatro. Inclusive, o senador Ângelo Coronel já fez juízo de valor, diversas vezes ele fala em público que tem sua decisão formada a respeito de quem cometeu fake news ou não. Sobre esse tal ‘gabinete do ódio’, ele achava que era feito pelo governo”.

ENROLADOS ATÉ O PESCOÇO –

 Ex-líder do governo no Congresso e ex-líder do PSL na Câmara, a deputada Joice Hasselmann (PSL-RJ) também participou do GloboNews Debate e afirmou que os “deputados bolsonaristas” são contrários às investigações porque estão “enrolados até o pescoço”.

“Por que o presidente está tão desesperado com a CPI e com o inquérito no STF? […] Estão envolvidos até o pescoço. O aprofundamento das investigações e a legislação que vamos aprovar no Congresso Nacional podem colocar um fim a essa sequência de crimes digitais dessa milícia digital”, acrescentou.

OPERAÇÃO DA PF – 

Em maio, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no inquérito do STF que apura a disseminação de fake news. Aliados do presidente Bolsonaro foram alvos da operação (relembre no vídeo acima).

Na decisão em que autorizou a operação, Alexandre de Moraes afirmou que há a “real possibilidade” de associação criminosa envolvendo o chamado gabinete do ódio.

No despacho, Moraes explicou que gabinete do ódio foi o nome dado, por parlamentares ouvidos no inquérito, ao grupo que espalha informações falsas e difamações na internet.


‘BAIXAR A BOLA’ – 

Na sequência do debate na GloboNews, Ângelo Coronel pediu ao “núcleo bolsonarista” para “baixar a bola, agir com tranquilidade e paz”. Isso porque, segundo o senador, há “nervosismo” no debate envolvendo as investigações sobre a disseminação de conteúdo falso na internet.

“Fico me perguntando por que o temor da CPI. Se não tem nada, se o presidente agiu corretamente, não entendo o porquê do nervosismo de muitos parlamentares que fazem parte da base do governo. Vamos trabalhar com parcimônia e buscar no futuro a verdade, que vai prevalecer”, destacou o senador.


“ARMAÇÃO CLARA” – 

Para Joice Hasselmann, há uma “armação clara” por parte do governo para tentar tirar o foco da CPMI e do inquérito no STF. “É uma investigação que vai chegar no coração do Palácio do Planalto”, acrescentou.

No GloboNews Debate, também foi discutida a participação do presidente Jair Bolsonaro em manifestações nas últimas semanas que pediram o fechamento do STF e do Congresso, pautas antidemocráticas e inconstitucionais.

Carlos Jordy disse que as manifestações que pedem intervenção militar e um novo AI-5 “mais atrapalham do que ajudam” Bolsonaro. Para ele, pedir intervenção “prejudica” porque as pessoas que vão aos atos querem somente demonstrar apoio ao presidente da República.

“CAMINHO PERIGOSO – 

Em seguida, Joice Hasselmann disse que Bolsonaro “flerta com o autoritarismo” e que “qualquer pessoa” que conheça a Constituição vê que o presidente opta por um “caminho perigoso”.

Terceiro parlamentar a falar sobre o tema durante o debate, Ângelo Coronel disse que Bolsonaro foi eleito democraticamente e que não se pode “aceitar” a prática do presidente. Para o senador, o presidente deveria “fazer um tratamento para falar menos e agir mais”.