terça-feira, fevereiro 23, 2021

Inconsequente

 Comentando a Notícia


Bolsonaro governa o Brasil como se estivesse num quartel, achando que somos soldadinhos dispostos a seguir e obedecer seu mandos e desmandos. Não somos. É ele quem deve servir ao povo e não o contrário como sua mente desequilibrada imagina. .



A compulsão que o nosso presidente tem para gerar crises e criar conflitos impressiona e preocupa. O de que menos o país precisa , neste momento crítico que vivemos,  é que  cadeira presidencial  seja ocupada por um aloprado.  

A ignorância de Bolsonaro parece não ter limites. E isto fica muito claro em ações do tipo armamentista (quando o que o brasileiro precisa mesmo é de educação e saúde), o apoio dado aos movimentos antidemocráticos, em não reconhecer a ditadura militar como tal e sim como um “regime diferente”, as inúmeras falas e iniciativa para sabotar o combate à pandemia, na vez que tentou interferir na Polícia Federal e que resultou na demissão de Sérgio Moro, na sustentação e incentivo ao gabinete do ódio, e nesta interferência política na Petrobrás com reais ameaças de intervenção à Eletrobrás e Banco do Brasil. 

Muitos consideram todos estes fatos como sendo fruto de seu desejo em reeleger-se em 2022. Até pode ser, mas as razões estão muito mais na personalidade doentia do presidente. Seu passado como parlamentar e até quando ainda vestia farda, demonstram um caráter possessivo, autoritário, arrogante ,   com intenso destempero e desequilíbrio emocional. Suas atitudes intempestivas, com declarações estúpidas, ofensivas e grosseiras ao referir-se às pessoas que o serviram e que, em dado momento, resolveram discordar de suas opiniões imbecis e patéticas, não se alimentam nas raízes das ambições políticas. E o que dizer da guerra aberta à imprensa!

Recentemente, declarou que, a depender de sua vontade, o Brasil não teria o regime político que tem. Sem dúvida, Bolsonaro se fantasia com a ditadura militar, tão ao seu gosto. Ao permitir ter ao seu lado um gabinete que destila ódio e espalha fake News contra adversários, e vibrar de forma juvenil com as manifestações antidemocráticas, fica claro que, em algum momento, o presidente sonhou com golpe de estado. Recolheu seus desejos quando percebeu a reação contrária vinda das ruas. Mas o sonho não acabou. Ele se alimenta de desejos autoritários em tempo integral. 

A reação cretina contra o presidente da Petrobrás, Castello Branco, o destrato ao home office e suas recentes declarações canalhas contra o uso de máscara e isolamento social, demonstram claramente o quanto é pobre a formação de Bolsonaro.  Ora, a ciência já deu provas suficientes de que combater a disseminação do vírus se faz com o uso permanente da máscara e isolamento social. Não fosse tais atitudes preventivas, o caos se instalaria de vez na rede pública de saúde, e haveria filas quilométricas de espera por vagas em internações e UTIs.  

Tais cuidados e um programa intensivo de vacinação em massa, seria o caminho mais curto para a volta à normalidade. 

Mas qual! Bolsonaro não seria o jumento que é se em seu cérebro houvesse lugar para o bom senso e racionalidade. 

As intervenções despropositadas nas estatais trarão um alto preço para o país. Afora a desvalorização das ações, vão afastar de vez investidores, dos quais dependemos muito para a retomada mais célere do desenvolvimento.

A ignorância fica mais comprovada ainda pelo desconhecimento que Bolsonaro tem de como se formam os preços do petróleo no mercado internacional. Por mais que ele invente ações populistas para a redução de preços, vai provocar prejuízos à estatal do mesmo modo como já ocorrera em passado recente através da mediocridade da senhora Dilma Rousseff. Sua excrecência ignora o montante de petróleo que o Brasil precisa importar para abastecer sua frota. Assim, é pura balela esta afirmação de que “o petróleo é nosso”. Nosso coisa nenhuma. Ao importar milhões de  barris para abastecer o mercado interno, lá fora ninguém subsidiará o preço só porque Bolsonaro quer. Com igual pensamento tresloucado ele procura conduzir a importação de vacinas. Ora, o mundo tem uma população 7,5 bilhões de pessoas. Deixar de vender para o Brasil não causará abalo financeiro nenhum para as farmacêuticas internacionais. Somos nós que precisamos das vacinas. E nesta condição, ou concordamos em aceitar as condições de venda ou nada feito e deixem o covid-19 fazer a festa e continuar matando, diariamente, milhares de brasileiros. 

Bolsonaro com seu destempero e ignorância corre sério risco da população ir para as ruas e cobrar ações decentes de seu governo em respeito à vida. E se tal vier acontecer, sua ambição de reeleger-se em 2022 vai para o buraco. 

As tais reformas estruturais prometidas, a agenda liberal do discurso de campanha e a recente promessa de extensão do auxilio emergencial vão ficando pelo caminho do estelionato. Não foi para atentar ao regime democrático que ele foi eleito. Não foi para condenar os brasileiros ao abandono diante de grave crise de saúde pública em escala mundial que ele foi escolhido. Não foi para sabotar iniciativas de combate à corrupção que foi nomeado. Não foi para empurrar milhões de brasileiros para a pobreza e miséria que os brasileiros sufragaram seus votos em seu nome. Infelizmente, sua excelência escolheu este caminho. E vai ter que responder por suas irresponsabilidades. Goste ele ou não.

Bolsonaro governa o Brasil como se estivesse num quartel, achando que somos soldadinhos dispostos a seguir e obedecer seu mandos e desmandos. Não somos. É ele quem deve servir ao povo e não o contrário como sua mente desequilibrado imagina. .

Há limites até para irresponsabilidades. Talvez descubra tarde demais que não aceitamos mais este regime de torturas, e que serenidade, equilíbrio e bom senso são requisitos indispensáveis para o ocupante da cadeira presidencial. Infelizmente são requisitos que lhe faltam. Pena.  As mais de 247 mil mortes e 10 milhões de infectados pela covid-19 são provas incontestáveis de quanto um presidente desequilibrado, irresponsável e inconsequente pode causar danos a um país. Vamos pagar caro por isso!