terça-feira, fevereiro 16, 2021

Novos tempos! Centrão prepara-se para afrouxar punição para improbidade e lavagem de dinheiro

 Tribuna da Internet

Bruno Góes e Natália Portinari, O Globo

 

Charge do Nani (nanihumor.com)

Fora da lista de projetos citados como prioritários pelo presidente Jair Bolsonaro, em um documento direcionado a deputados e senadores, uma pauta “oculta” deverá ganhar corpo no Congresso, impulsionada pela ascensão do Centrão. Aliados do presidente da Câmara, Arhur Lira (PP-AL), e até integrantes da oposição enxergam o novo momento como propício para o avanço de propostas que afrouxam a punição para crimes associados ao mau uso de dinheiro público e à corrupção.

Fazem parte dessa agenda não propagandeada a limitação da punição em casos de improbidade administrativa e lavagem de dinheiro, além da proibição de buscas em escritórios de advocacia.

CORRUPÇÃO EM ALTA – 

Na outra ponta, duas Propostas de Emenda à Constituição — a da prisão após a condenação em segunda instância e a que extingue o foro privilegiado — seguirão a passos lentos, na mesma toada da gestão do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Uma das prioridades do Centrão é um projeto que diminui o alcance da lei de improbidade administrativa e elimina a forma “culposa” — sem intenção — do ato. De acordo com o relatório do deputado Carlos Zarattini (PT-SP), já entregue, as violações que não gerassem prejuízos ao Erário ou enriquecimento ilícito deixariam de ser enquadradas como improbidade.

— Essas matérias não estão na lista de prioridades do governo, então podem entrar na pauta caso os líderes (partidários) queiram. Pessoalmente, sou a favor de mudar a lei de improbidade, para incluir só o que causa prejuízo ao Erário. Hoje, qualquer coisa é improbidade, e as penas são muito altas — diz o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

DIZ O RELATOR – 

Zarattini frisa que, com as mudanças, a lei vai continuar a permitir o bloqueio de bens e suspensão de direitos políticos daqueles que cometem improbidade: “A lei não pode ser tão ampla. Há casos em que há condenações mesmo sem ter havido irregularidades”.

No ano passado, a Câmara de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal classificou as alterações pretendidas como “um dos maiores retrocessos no combate à corrupção e na defesa da moralidade administrativa”.

Em 2020, a Câmara criou ainda uma comissão de juristas para discutir a tipificação da lavagem de dinheiro. Nos primeiros debates, advogados fizeram sugestões para amenizar as punições previstas na lei e tornar mais difícil a condenação por lavagem, que passaria a exigir um crime antecedente.

ALIADOS CONFIRMAM – 

Aliados de Lira ouvidos pelo Globo avaliam que esse tema deve caminhar mais lentamente — ainda não há previsão de quando o colegiado vai voltar a se reunir —, mas que há boas chances de avanço. Quando os encontros forem retomados, é provável que o número de pessoas envolvidas no debate seja reduzido, o que facilitaria o andamento.

Também no fim do ano passado, a Câmara aprovou a urgência da proposta que impõe obstáculos a mandados de busca e apreensão em escritórios de advocacia. O projeto, portanto, pode ir a plenário a qualquer momento.

O texto torna praticamente inviolável o escritório ou local de trabalho do advogado. Não poderão ser expedidas buscas com fundamento em indício, depoimento ou colaboração premiada, sem a presença de provas periciadas e validadas.

“Não agrada 100% a todos, mas tem espaço para consenso e votação. É preciso buscar o que a Constituição já estabelece para proteger o exercício da advocacia, mas não é respeitado” — diz o deputado Paulo Abi Ackel (PSDB-MG).

ATUAÇÃO ANTI-MORO – 

Crítico da Lava-Jato e réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF), Arthur Lira sempre foi um dos parlamentares mais empenhados no Congresso a impor obstáculos à pauta do ex-ministro Sergio Moro. Em 2019, atuou para aprovar a Lei do Abuso de Autoridade e para modificar pontos do pacote anticrime, proposto por Moro.

Agora, a avaliação no Congresso é que há consenso para a aprovação de uma quarentena eleitoral para juízes, integrantes do Ministério Público e policiais. (Colaborou Filipe Vidon)

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Caramba! Além de destruir a Lava Jato, querem acabar também com as leis contra a corrupção… Desse jeito, o Brasil vai se afirmar como no paraíso da impunidade e vai atrair criminosos do mundo inteiro. Assim, além do turismo sexual, teremos o turismo criminal. (C.N.)

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

Quanta desfaçatez? Nossos políticos acham que, por terem sido eleitos,  isto lhes dá salvo conduto para corromper, roubar, desviar verba pública, praticar lavagem de dinheiro na construção de um patrimônio pessoal ilícito!  Querem impor o supremo direito de roubarem da sociedade! Ambicionam juntar imunidade com impunidade. Não passam de uma quadrilha criminosa e inescrupulosa que merecem cadeia !