terça-feira, fevereiro 16, 2021

Serviços têm queda de 7,8% em 2020, no pior resultado desde 2012

 O Estado de S.Paulo

Apesar de ter acumulado crescimento de 18,9% em seis meses de alta, setor ainda está 3,8% abaixo do patamar pré-pandemia

  Foto: Tiago Queiroz/Estadão - 6/7/2020

Serviços ligados as atividades presenciais, que mais sentiram 

o impacto das medidas isolamento, puxaram resultado negativo em 2020

O setor de serviços teve leve queda de 0,2% em dezembro na comparação com novembro, interrompendo seis meses consecutivos de alta. Apesar do ganho acumulado de 18,9% nesse período, o volume de serviços ainda está 3,8% abaixo do patamar de fevereiro, no período pré-pandemia, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 11.

Com isso, o setor encerrou o ano com queda de 7,8%, a mais intensa da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), iniciada em 2012. A retração no acumulado do ano supera a de 2016 (-5%). Em 2019 o setor registrou alta de 1% e ficou estável em 2018. 

Os segmentos que mais afetaram o resultado do ano passado estão ligados a atividades presenciais, que sentiram o impacto das medidas adotadas para combater a pandemia. Entre eles estão os serviços prestados às famílias (-35,6%), os profissionais, administrativos e complementares (-11,4%) e os transportes (-7,7%), que tiveram quedas recorde no período.

“Em termos de atividades, houve uma disseminação de taxas negativas, com quatro dos cinco setores mostrando recuo frente ao ano de 2019. O principal impacto veio dos serviços prestados às famílias, que foi pressionado pela queda na receita dos restaurantes, hotéis, serviços de bufê e produção e promoção de eventos esportivos e atividades de ensino ligadas a cursos profissionalizantes, técnicos e autoescolas, por exemplo”, explica o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

O segundo maior impacto veio do setor de serviços profissionais, administrativos e complementares. “Em relação à administração de programas de fidelidade, temos uma correlação com a queda da receita das companhias aéreas. A queda nos serviços de limpeza é explicada por conta de edifícios comerciais terem sido fechados a partir de março. Ainda que alguns tenham voltado a funcionar, muitas pessoas permanecem trabalhando remotamente e isso afetou, de alguma forma, a contratação das empresas que oferecem esses serviços”, afirma Lobo.

A retração no setor de transportes foi puxada, principalmente, pela queda na receita das empresas de transporte aéreo de passageiros, rodoviário coletivo de passageiros, rodoviário de cargas e correio nacional.

Também houve queda nos serviços de informação e comunicação (-1,6%), com perdas de receita especialmente nos segmentos de telecomunicações, programadoras e atividades relacionadas à televisão por assinatura, atividades de exibição cinematográfica, operadoras de TV por satélite e consultoria em tecnologia da informação.

O único setor que teve resultados positivos no acumulado do ano foi o de outros serviços (6,7%), impulsionado, principalmente, pelo aumento das receitas das empresas que atuam nos segmentos de corretoras de títulos, valores mobiliários e mercados e administração de Bolsas e mercados de balcão organizados.

“Com a queda recente da taxa de juros, famílias e empresas passaram a procurar outras formas de investimento alternativas à poupança e estão migrando para investimentos de renda fixa ou variável. E empresas desses segmentos financeiros auxiliares também tiveram aumento de receita em função dessa intermediação que fazem do mercado financeiro com as famílias e empresas que buscam por aumento de rendimento”, diz o pesquisador.