segunda-feira, março 08, 2021

A pandemia sob controle do vírus

 Comentando a Notícia

Como se vê, Bolsonaro, por sua negligência e descaso, acaba justificando que lhe carimbe como um vírus danoso ao país e seu povo. 

Dentre as muitas asneiras que tem dito, Bolsonaro pelo menos acertou uma. Segundo entende, “para a mídia o vírus sou eu”. Na mosca. Mas, para ser mais preciso, não é só a mídia, mas os país, principalmente as centenas de contaminados aguardando em fila, os parentes e amigos dos mais de 256 mil vítimas fatais e das milhares que sofrem nos hospitais e UTIs. 

Considerando-se palavras e atitudes irresponsáveis adotadas pelo presidente, pode-se concluir que Bolsonaro tornou-se o maior sócio da covid-19. O desprezo e descaso para a gravidade da situação, sua menor importância aos óbitos, sua negligência estúpida e ignorante, sua desfaçatez ao atribuir aos governadores, prefeitos e até ao STF a culpa pela disseminação agora incontrolada do vírus, fazem dele um vírus  perigoso e fatal. 

É lógico que governadores e prefeitos, por estarem mais próximos da crise sanitária, reúnem melhores condições de avaliação de quais medidas são necessárias para o combate. Não seria um Bolsonaro sentado em seu trono no Planalto Central quem poderia avaliar e diagnosticar estas medidas. Mas ele não suporta que lhe tirem o poder absoluto de mandos e desmandos. Filhote parido e crescido na ditadura militar, insiste em ter autoridade absoluta. 

Contudo, ao negar a ciência, ao querer impor, sem que tivesse qualificação para tanto, um medicamento que se comprovou ineficaz, ao impor este medicamento dentre as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde, ao importar milhares de unidades e obrigar os laboratórios do Exército produzirem este mesmo medicamento verdadeiro desperdício de dinheiro público, ao promover aglomerações e andar sem máscara,  desafiando as recomendações expedidas pela Organização Mundial da Saúde num claro desafio delinquente, Bolsonaro colaborou diretamente para o vírus se disseminasse por todo o país. 

Mesmo diante da visível ameaça de colapso da rede pública de saúde, insistiu no desafio em não seguir as normas de prevenção. E mesmo agora, em que em vários Estados esta rede colapsou, com o aumento recorde de casos e mortes, Bolsonaro continua o mesmo irresponsável, inconsequente e ignorante.

Na semana em que se divulgou o PIB brasileiro de 2020, o menor crescimento dos últimos 25 anos, por questão de justiça não se pode atribuir ao presidente alguma culpa. Até porque, resultados negativos e endividamento  varreram o planeta no ano que passou. Como ainda não se pode culpa-lo em 100% pelas mortes causadas pela pandemia. Porém, há, tanto  no número de caso como de óbitos, parcela considerável de culpa ao presidente. Ele, acima de qualquer outro, incentivou a população a uma desobediência estúpida às medidas de prevenção. Tentou, de todas as formas, desprezar a gravidade da crise, demitiu dois ministros competentes para colocar, no lugar, alguém completamente desqualificado e despreparado. Quando pode, negou-se em adquirir vacinas em quantidade suficiente para dar início a um programa de imunização e, nem bem o programa deu início, precisou ser interrompido por falta de doses. Deixou para adquirir seringas na última hora, quando estas já custavam muito mais. 

Leio que na Folha de São Paulo se informa que maior fabricante de hidroxicloroquina,  Apsen recebeu R$ 20 milhões do BNDES em 2020. E, após atraso de sete meses, e aceitando as condições exigidas pelo laboratório Pfizer, Bolsonaro aceitou comprar um lote de doses tanto da Pfizer quanto da Janssen. Isto significa dizer que a teimosia e a estupidez do presidente colaboraram imensamente para que o Brasil a atual situação de caos e colapso da saúde pública. Porém, se contestado, estejam certos que culpará todos os outros, menos ele a quem cabe tomar decisões.

Nesta quinta-feira, de forma cafajeste, Bolsonaro questionou até quando as pessoas ficarão "chorando". Simples, seu  medíocre: vamos ficar chorando enquanto milhares morrendo, centenas  aguardam em intermináveis filas de espera por vagas em enfermarias e UTIs, enquanto houver contaminados morrendo por falta de oxigênio e milhares sendo contaminados diariamente. Agradeça a Deus, caro Bolsonaro, você não precisar sofrer estes pesadelos nem tampouco lamentar a perda de ente querido acometido pelo vírus. Mas tire ds pessoas seus sentimentos. Se você tem pedra em lugar de um coração, não critique quem ainda se comporta como um ser humano decente. Não nos envergonhe, Bolsonaro por ser gente, enquanto você permanece um monstro virulento e irresponsável.

Como se vê, Bolsonaro, por sua negligência e descaso, acaba justificando que lhe carimbe como um vírus danoso ao país e seu povo. 

Agora, diz ter pronto um plano de combate à pandemia e que se o STF deixar, ele o colocará em execução. Bem, o Judiciário, em nenhuma de suas instâncias, impediu Bolsonaro de assumir  o papel que lhe cabe como mandatário maior do país. Foi decisão exclusivamente dele omitir em cumprir o seu papel. Mas ao afirmar ter um !pano pronto!, negou-se em detalhar qual “o milagre” que imaginou, preferindo deixar que mais gente se contaminasse e o país continuasse a bater recordes atrás de recordes de mortes diários. 

Diante de tamanha omissão criminosa, Bolsonaro tornou-se o agente da morte e deixou a pandemia sob os cuidados carinhoso do próprio vírus,