COMENTANDO A NOTÍCIA
O resultado de todo este enredo é que, a partir de janeiro de 2023, coitado de quem suceder Bolsonaro. Vai encontrar um país à beira do abismo, em todos os sentidos. Vai gastar metade de seu mandato para por ordem na casa. E não poderá, em hipótese alguma, firmar qualquer tipo de acordo ou aliança com a turma do Centrão. A depender do apetite destes canastrões, o Brasil vai à falência.
Houve um momento que afirmamos aqui que, pelo andar da carruagem, Bolsonaro acabaria passando a presidência para seu sucessor, um Brasil muito pior daquele que lhe foi entregue por Michel Temer. Os fatos, cada vez mais, estão confirmando este prognóstico. Seja na economia pelo desarranjo das contas públicas, pelo alto endividamento, pela falta de projetos, pela ausência de reformas (não os arremedos que correm no Congresso), pelo desequilíbrio fiscal fruto da aliança criminosa entre Bolsonaro e os principais líderes do Centrão, pela falta, cada vez mais frequente, de recursos na Educação e na Saúde, dentre tantas outras omissões ou medidas populistas que acabam empurrando o país para um abismo profundo.
Quando Dilma Rousseff, a Medíocre, ainda presidia o país, também era previsível a herança maldita que deixaria ao seu sucessor e que imporia ao Brasil, custosos 10 ou mais anos para recuperação do tempo perdido. Por sorte, assumiu Michel Temer que, de forma serena e equilibrada, colocou ordem nas contas públicas, pelo desarranjo causado pela tal “contabilidade criativa” do senhor Guido Mantega.
Assim, competia ao governo Bolsonaro dar seguimento ao roteiro delineado pelo governo Temer e sua equipe econômica, para o Brasil recuperar parte dos anos perdidos na mediocridade do período Dilma.
Durante a campanha de 2018, até que Paulo Guedes, escolhido para comandar o superministério da Economia, em suas falas, acenava com boas ideias, bons planos quanto a reformas, programa de privatização e desestatização, que serviram para nos dar alguma esperança de dias melhores.
O tempo passou, e os discursos pré-eleitorais de Guedes ficaram no palanque e nada, ou muito pouca coisa importante saiu do papel. Conseguiu aprovar a reforma da Previdência porque esta já estava pronta, herança de Temer. E, mesmo assim, Bolsonaro conseguiu desidratá-la ao manter privilégios imorais para algumas poucas categorias, como os militares, por exemplo.
As prometidas reformas tributária e administrativa foram sendo retardadas, além de boa parte do que se projetou foi sabotada por Bolsonaro. Neste cenário de embromação e reviravoltas quanto ao que deveria ter sido atendido, Guedes foi perdendo seus auxiliares e assessores. Com os quatro que saíram nesta semana foram 12 que abandonaram o barco por não verem seriedade e compromisso com a responsabilidade e com a estabilidade econômica por parte do presidente. Bolsonaro tem uma só preocupação: reeleger-se. E, se para tanto for preciso jogar a responsabilidade fiscal e todas as âncoras que a suportam na lata do lixo, ele não pensará duas vezes.
O caso do Auxílio Brasil é um exemplo acabado do quanto a cegueira fruto da obsessiva luta pela reeleição, é capaz de provocar prejuízos ao país. Não que o programa social criado para substituir o Bolsa Família não fosse necessário. Já comentamos, em outro texto, que alguma providência precisava ser tomada dado o angustiante quadro de miséria que vive boa parte da população. Contudo, não era preciso furar o teto de gastos, passando para o mercado uma montanha de incertezas. Este governo já podou cortes na área da ciência e tecnologia, nas áreas da educação e saúde. Só não mexeu no tal orçamento secreto em que se destina um volumoso, dispendioso, imoral e injustificável volume de recursos públicos para emendas parlamentares. Se o presidente da Câmara estava tão preocupado em atender a população mais vulnerável da sociedade, que cortasse na própria carne e, por certo, a vida seguiria seu curso normal. Como Bolsonaro é dependente total do Centrão, faltou-lhe coragem para se impor e cortar onde há gordura suficiente para ser podada, sem ameaçar o teto de gastos, além de cortes em áreas essenciais e estratégicas ao desenvolvimento como aceitou fazer, num jogo político cretino que aumenta ainda mais o nosso atraso.
Também era possível ter se empenhado o quanto pudesse na aprovação de uma reforma administrativa séria, onde sepultasse a montanha de privilégios de que goza a elite estatal. Poderia, ainda, cortar as despesas de pura ostentação do Executivo, que não cansa de patrocinar, com dinheiro público, férias de ministros e assessores em caravanas turísticas mundo afora.
A Pec do Calote é uma das maiores aberrações que este governo poderia cometer, aliás, totalmente ilegal, já que se trata de dívida líquida e certa, por determinação judicial para a qual não cabem recursos.
Temos hoje a terceira maior inflação mundial, que já é mais do que o dobro da que vem em quarto lugar. Diante das incertezas e da condução irresponsável da política econômica, o real é uma das moedas que mais se depreciou ante ao dólar. Assim, se a inflação tem caráter mundial, e tem, a brasileira é, de longe, a que mais sofre impactos fruto de razões internas. Se o cenário fosse um pouco melhor, o dólar não estaria valendo os R$ 5,60 atuais e, em consequência, o reajuste dos combustíveis não seria tão penoso e o preço dos alimentos não teriam sido reajustados em índices de dois dígitos.
Estando há um ano da eleição presidencial, e diante deste cenário conflagrado que vivemos, - econômico, político e social - não haverá tempo suficiente para recuperarmos a economia em níveis de pré-pandemia. A inflação pode até recuar, mas ainda se manterá alta, forçando os juros a também a se manterem elevados. A dívida pública tende a continuar cobrando um alto preço, o desemprego vai se manter em níveis proibitivos para um país com tanta desigualdade e miséria. E o tal Auxilio Brasil, como vimos, tem prazo de validade até o final do mandato de Bolsonaro, que é dezembro de 2022. Após esta data teremos o caos reinstalado na pátria amada.
O resultado de todo este enredo é que, a partir de janeiro de 2023, coitado de quem suceder Bolsonaro. Vai encontrar um país à beira do abismo, em todos os sentidos. Vai gastar metade de seu mandato para por ordem na casa. E não poderá, em hipótese alguma, firmar qualquer tipo de acordo ou aliança com a turma do Centrão. A depender do apetite destes canastrões, o Brasil vai à falência.
E que os eleitores brasileiros não repitam os erros do passado recente: o erro com Dilma, elegendo e reelegendo uma gestora medíocre, trazendo de volta ao poder, o arquiteto e executor do maior esquema de corrupção de nossa história. . Ou, reelegendo um maluco ignorante, que reinstalou a pobreza, a miséria, a inflação, os juros altos, desprezando a ciência, a saúde, o meio ambiente e, principalmente, a educação. Merecemos e precisamos de coisa muito melhor do que governantes ignorantes e medíocres.
