domingo, outubro 24, 2021

Para bancar auxílio, PEC dos Precatórios (ou seria PEC do calote?) propõe mudar correção do teto

 Larissa Quintino 

Veja online

Além do teto para as dívidas da União, texto prevê mudança na correção inflacionária da âncora fiscal; alterações abririam mais de R$ 80 bi no Orçamento

 Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), relator da PEC dos Precatórios 

Apontada como peça-chave para bancar o Auxílio Brasil, a PEC dos precatórios teve um novo relatório apresentado nesta quinta-feira, 21, com uma mudança que visa abrir ainda mais espaço no teto de gastos e evitar que ele seja “furado”, para tentar manter o discurso de responsabilidade fiscal.  O relatório do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) propõe, além do limite de 40 bilhões de reais para o pagamento do precatórios em 2022 (quando vencem dívidas de 89,1 bilhões de reais), uma alteração na regra da correção do teto de gastos, considerando a inflação de janeiro a dezembro e não de julho a julho, como é a lei vigente. Com as mudanças, aponta o relator, seria aberto um espaço total de 83 bilhões de reais no Orçamento do próximo ano.

“Estamos trazendo correção do teto de gastos de janeiro a dezembro de cada ano para que a gente consiga com isso encontrar a saída do espaço fiscal necessário para cuidarmos de quem mais precisa”, afirmou o relator. “Além dos (quase) 50 bilhões que surgiram com a nova modelagem do pagamento de precatórios, estamos, com esse movimento, tendo para 2022 o surgimento de espaço fiscal de mais de 39 bilhões de reais. Estamos falando de algo na casa de 83 bilhões de espaço fiscal que serão abertos para o ano que vem”, disse.

Precatórios são dívidas da União que já foram reconhecidas pela Justiça. O governo já tentava reduzir o montante a ser quitado em 2022 — de 89,1 bilhões de reais, segundo o Projeto de Lei Orçamentária — para cerca de 40 bilhões de reais. O restante seria rolado para os próximos exercícios. A mudança, segundo o governo era necessária para bancar o Auxílio Brasil. Porém, com a decisão por um valor de 400 reais, e não 300 reais como estudado anteriormente, será necessário um espaço fiscal ainda maior.

A saída encontrada, e que está no relatório da PEC, é mudar a data de correção do teto de gastos, para aproveitar a alta da inflação neste ano, que continuou forte no segundo semestre. O IPCA acumulado em 12 meses até junho deste ano chegou a 8,35%. Como a alta dos preços perdura, ao mudar a data da correção, o governo tenta contar com um espaço maior e evitar o furo do teto. Segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, — sem as mudanças ventiladas por Motta — seriam necessários cerca de 30 bilhões de reais fora do teto de gastos, para pagar o programa.