O Globo
Na Itália, presidente afirma ter sido informado pela companhia "extraoficialmente" sobre o próximo aumento e voltou a defender sua privatização
Foto: Agência Petrobras
Presidente Bolsonaro diz que Petrobras fará novo reajuste de combustível
ROMA — O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira que a Petrobras fará novo aumento de combustíveis em 20 dias. Ele afirmou a jornalistas, na Itália, que foi avisado pela empresa sobre a nova alta "extraoficialmente" e não deu mais detalhes sobre isso. O presidente também disse que quer usar os dividendos pagos pela estatal para conter o avanço de preços e voltou a defender a privatização da companhia.
Bolsonaro viajou para a Itália para participar da cúpula do G-20, que terminou no domingo. Nesta segunda-feira, ele esteve em Anguillara Veneta, pequena cidade no norte da Itália, onde tem família. Ele recebeu o título de cidadão honorário concedido pela prefeitura e enfrentou protestos no local.
A jornalistas que acompanham sua viagem no país, Bolsonaro afirmou que lidar com a alta de preços dos combustíveis é sua prioridade no momento. Disse ainda que foi avisado pela Petrobras que a empresa fará novo reajuste de combustíveis nas refinarias em cerca de 20 dias.
O presidente acrescentou que o governo federal não tem interesse nos dividendos recebidos da Petrobras. E que tem conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para que esses recursos sejam revertidos para abater o preço do diesel.
Privatização 'ideal'
Bolsonaro também afirmou que a privatização da Petrobras é um movimento "ideal":
- Tudo o que acontece de ruim que vem da Petrobras é minha culpa... Eu disse ao (ministro da Economia) Paulo Guedes que o ideal seria privatizar a Petrobras. Mas esse processo levaria mais de um ano.
Bolsonaro sempre foi contrário à privatização da petroleira. Mas começou a defender sua venda de forma mais enfática no mês passado, depois de tentativas infrutíferas de evitar que a companhia deixasse de reajustar os preços da gasolina e do diesel.
A alta de preços afeta sua popularidade e pressiona a inflação, que já está acima de 10% em 12 meses. A gasolina já subiu 73% no ano e o diesel, de 65,3%.
- A gente não aguenta porque o preço dos combustíveis está atrelado à inflação e falou em inflação, falou em perda do poder aquisitivo. A população não está com salário preservado ao longo dos últimos anos. Os mais pobres sofrem - disse o presidente.
ICMS congelado
Na semana passada, a companhia divulgou lucro de mais de R$ 31 bilhões relativo ao terceiro trimestre. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que a empresa não pode ter um lucro tão alto e cobrou dela uma visão social.
Na Itália, o presidente atribuiu a alta nos preços dos combustíveis à corrupção de governos passados e às leis antigas. Bolsonaro defendeu o congelamento dos impostos e apontou como “vilão” do custo final na bomba o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Na semana passada, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), do qual integram secretários de Fazenda dos estados e do Distrito Federal, aprovou o congelamento do ICMS cobrado nas vendas de combustíveis por 90 dias.