terça-feira, dezembro 28, 2021

Brasil não pode ser governado por viciados em dinheiro público, milícias digitais e gangues virtuais

 Celso Serra

Tribuna da Internet

Santos Cruz não aceita essa cultura de “tolerar a corrupção”

O artigo que cito abaixo, editado em O Globo deste sábado, dia 18/12, traça um retrato impressionante do Brasil de hoje, que se tornou o paraíso da corrupção, com impunidade garantida aos empresários e políticos que são “viciados em dinheiro público”, no dizer do ex-ministro e general Santos Cruz, que se torna uma espécie de testemunha ocular da História.

Santos Cruz diz que vai se candidatar para evitar que Bolsonaro envolva as Forças Armadas em seu jogo político; para alertar sobre o perigo do fanatismo político; e para apoiar a terceira via como alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro. E onde tem fumaça é provável que haja fogo…


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UM PAÍS DOENTE DE CORRUPÇÃO E FANATISMO

Carlos Alberto dos Santos Cruz  –  O Globo

A corrupção é o câncer brasileiro. Não só é crime organizado, como institucionalizado. Os mecanismos de defesa da corrupção ao longo da História criaram uma tolerância descabida à prática do roubo do dinheiro público. Naturalizaram o “rouba mas faz”. Criaram a crença de que “é assim mesmo”, de que “não é possível governar” sem fechar os olhos ao roubo do povo brasileiro. As vítimas da corrupção não têm “cara”? Têm, sim. Cada vítima tem um rosto. É o rosto de cada um de nós, principalmente dos mais desfavorecidos.

A corrupção e seu suporte histórico precisam ser atacados: privilégios imorais, foro privilegiado, mau funcionamento da Justiça, impunidade, prisão em segunda instância, progressão da pena etc.

CULTURA DA CORRUPÇÃO – O enraizamento da cultura da corrupção e seus mecanismos na sociedade conseguem sempre colocar na prioridade um outro problema mais urgente. A própria corrupção produz um problema mais urgente do que ela para poder se perpetuar. É a estratégia para que nunca fique em primeiro lugar na lista de problemas a resolver.

Em consequência de vícios históricos e outros problemas circunstanciais, hoje a prioridade do Brasil é resolver o problema do auxílio aos necessitados, do desemprego! Essa é a emergência! Não quer dizer que outros problemas não sejam urgentes, até porque são eles que sustentam o ciclo de fome, miséria, falta de qualidade no serviço público, ensino, saúde etc.

Nos últimos anos, o fanatismo político veio se somar ao câncer da corrupção, deixando o país mais doente ainda. Fanatismo e extremismo, sejam de “direita, esquerda ou centro”, permitem manipular a opinião pública.

ABERTURA AO CRIME – O fanatismo e a corrupção toleram privilégios, protegem o foro privilegiado, sustentam a impunidade, promovem aparelhamento e desmoralização das instituições. Nesse contexto, viceja toda forma de crime: corrupção, mensalões, petrolões, roubo de fundos de pensões, orçamentos secretos, viagens e “festas” com dinheiro público, controle de áreas e atividades pelo crime organizado e pelas milícias etc.

Os fanáticos intoxicam a população, manipulam a opinião pública, espalham fake news, desinformam, assassinam reputações, fabricam falsos mitos, cultuam personalidades, fazendo crer que precisamos de “salvadores da pátria”. Não precisamos! O Brasil precisa é de instituições fortes, de união, de solução dos problemas nacionais.

O Brasil não aguenta mais governantes mentirosos, traidores de seu próprio discurso, estelionatários eleitorais, covardes, corruptos, despreparados, que não assumem a responsabilidade de suas funções.

CAMPANHA SUJA – O país não pode ser governado por viciados em dinheiro público, apoiados em milícias digitais e gangues virtuais que consideram os brasileiros um povo idiota. Basta de governos que promovem desunião e divisão social em busca de projetos de poder pessoal, familiar, de grupos e partidos! O brasileiro não é estúpido e não se deixará arrastar para a mediocridade de uma campanha eleitoral suja e rasteira, baseada em mentiras, fake news e desinformação.

O fanatismo sempre leva à violência e ao desrespeito. Está deteriorando e infectando relações pessoais, sociais e familiares. Está destruindo amizades por causa de governantes que não têm princípios nem compromisso com ninguém nem com nada, que serão temporários seja em dez meses ou quatro anos e dez meses, mas temporários de qualquer modo.

O prejuízo ficará para famílias, instituições, amigos e o povo brasileiro… A vigarice seguirá em frente, na busca incessante da impunidade.

AVENTUREIROS SEM PÁTRIA – O Brasil não pode continuar na mão de aventureiros sem projeto de Brasil se dizendo patriotas e “salvadores da pátria”. Patriota é todo cidadão que ama seu país e leva vida decente, e não um pequeno bando de viciados em dinheiro público, benesses funcionais e foro privilegiado.

O Brasil precisa de união. Precisa rejeitar os extremistas e a polarização, repudiar o show político que tenta encobrir o despreparo e a incompetência. O Brasil tem de dizer “não” à armadilha do populismo, do embuste e da polarização. O Brasil não pode continuar vítima da corrupção e do fanatismo. A eleição é o remédio democrático para essas duas doenças.

A sociedade precisa exigir uma campanha com propostas de soluções, e não aceitar um show político populista, baseado numa indústria de fake news e demagogia.