sexta-feira, dezembro 03, 2021

Problemas internos mantêm Brasil na parte de baixo de ranking de crescimento do PIB

  Bruno Villas Bôas, Daniela Amorim e Vinicius Neder

O Estado de São Paulo

 © Felipe Rau/Estadão 

Vacinação contra covid-19 em São Paulo; momento sanitário que cada país vive influencia a posição no ranking de crescimento do PIB, segundo Alex Agostini, economista-chefe da agência Austin Rating.

RIO - Com a retração de 0,1% da economia no terceiro trimestre, frente aos três meses anteriores, o Brasil decepcionou mais uma vez na comparação internacional com outras nações. O País ocupou a 26.ª posição em levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating, considerando o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 33 países.

Nos últimos três anos, a melhor colocação do Brasil no ranking elaborado pela agência foi um 15º lugar registrado no primeiro trimestre de 2020. Naquele trimestre, o PIB brasileiro recuou 1,5% frente aos três meses anteriores, refletindo os primeiros impactos da pandemia de covid-19 na atividade econômica, sobretudo a partir do mês de março. Antes da pandemia, o Brasil aparecia na lanterninha de crescimento.

“Independentemente do cenário, o Brasil sempre aparece do meio da tabela para baixo. Dificilmente aparece entre os primeiros colocados do ranking. Isso se deve, claro, a questões domésticas, como o problema fiscal. O excesso de gastos gera outros problemas, como a inflação elevada, a alta de juros. São fatores que não deixam o país ganhar tração econômica”, diz Alex Agostini, economista-chefe da agência Austin Rating.

Para ele, o cenário não parece promissor para o Brasil melhorar seu histórico no ranking. Os economistas consultados pelo boletim Focus, do Banco Central, preveem crescimento de apenas 0,58% do PIB em 2022. No começo deste ano, a previsão era de alta de 2,5%. Porém, a expectativa começou a ser cortada para baixo, paulatinamente, a partir de setembro. “Há casas prevendo queda do PIB”, lembra Agostini.

O levantamento mostra que o Brasil ganhou duas posições em relação ao ranking de ritmo de crescimento econômico referente ao segundo trimestre, quando figurava na 28.ª colocação. O ranking anterior da agência, porém, listava um número maior de países: 44 ao todo, frente aos 33 países listados no ranking divulgado nesta quinta-feira. Agostini explica que a lista é maior ou menor em função dos números tornados públicos.

A lista do terceiro trimestre foi liderada pela Arábia Saudita, com crescimento de 5,8% no terceiro trimestre, frente aos três meses anteriores. O bom desempenho tem relação com o aumento do preço do barril de petróleo no período. Pelo mesmo motivo, a Noruega aparece na 4.ª posição do ranking, com crescimento de 3,8% no terceiro trimestre. “Os preços de commodities, como petróleo, acabaram subindo por reflexo da pandemia”, explica o economista-chefe da Austin Rating.

Também no topo do ranking chama atenção a presença de três países sul-americanos: Colômbia (5,7%), Chile (4,9%) e Peru (3,6%). Para Agostini, o resultado tem relação com uma base de comparação menor do segundo trimestre. “O momento sanitário que cada país vive também influencia a posição no ranking. Países europeus que enfrentaram a terceira onda no começo do ano aparecem agora no meio da tabela”, relembra.

Considerado o motor do crescimento global, a China aparece apenas na 21.ª posição, com crescimento de 0,8% no terceiro trimestre, frente ao segundo trimestre. O gigante asiático enfrentou um período de escassez de energia, interrupções na cadeia de abastecimento e agravamento dos problemas de dívidas no setor imobiliário, como as incertezas relacionadas à incorporadora Evergrande.

Em relação ao ranking de tamanho do PIB em dólares, a Austin prevê que o Brasil será a 13ª maior economia do mundo ao fim de 2021 e a 12ª ao fim de 2022.