quinta-feira, janeiro 20, 2022

Desequilíbrio de poder

 Dora Kramer

Veja online

Bolsonaro se sustenta hoje na única e frágil pilastra do Centrão

 // Isac Nóbrega/PR

Ciro Nogueira e Jair Bolsonaro 

A entrega do controle da execução do Orçamento da União para a Casa Civil comandada pelo senador Ciro Nogueira, expoente máximo do Centrão, reflete mais que a existência de um presidente fraco sentado no Palácio do Planalto: resulta em absoluto desequilíbrio de poder.

Enquanto Jair Bolsonaro reclama de excessos por parte do Supremo Tribunal Federal que, na visão dele, avança sobre as prerrogativas presidenciais, toma a iniciativa de entregar talvez a mais importante dessas prerrogativas ao controle total de um grupo no Congresso.

Bolsonaro começou o governo equilibrando-se sobre três pilares: Paulo Guedes no comando da economia, os militares no manejo da administração e Sergio Moro no combate à corrupção.

Derretidas essas três colunas de sustentação, o presidente da República chega ao último ano de governo agarrado à única e, do ponto de vista da lealdade, fragilíssima pilastra do Centrão. Um muro de arrimo cujos construtores não hesitarão, a depender das circunstâncias, em deixar o presidente na mão.