sexta-feira, fevereiro 11, 2022

A ânsia do governo em “limpar” a imagem ideológica da política externa

  Luisa Purchio

Veja online

Ciro Nogueira comemora entrada do Brasil no "Global Entry" enfatizando que o governo não tem viés ideológico nas relações internacionais

  Edilson Rodrigues/Agência Senado

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, um dos principais aliados políticos de Bolsonaro 

No início da tarde desta segunda-feira, 7, a conta no Twitter da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos divulgou um vídeo do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, comemorando a entrada do Brasil no Global Entry, programa do serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP, na sigla em inglês) que facilita a entrada de viajantes no país.

No vídeo, Nogueira enfatiza que a entrada é fruto de um trabalho integrado que “é a marca do governo Bolsonaro voltado para resultados práticos na vida de cada cidadão, sem viés ideológico nas nossas relações internacionais“. Apesar de a entrada no “Global Entry” ter sido anunciada como prioridade pelo ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, no final de 2018, a fala é uma tentativa de o governo Bolsonaro limpar a sua imagem ideológica na política externa manchada justamente na gestão de Araújo, contumaz crítico da China e do “globalismo”.

O movimento foi percebido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que há cerca de duas semanas, ao comentar a entrada do Brasil na OCDE, comemorou a diplomacia externa, mais voltada para os negócios e os interesses econômicos do país.

Em ano de eleição, o discurso de Nogueira e os movimentos do governo Bolsonaro são um símbolo das tentativas desesperadas e atrapalhadas de mudar a sua imagem na política externa. A intenção do presidente em se encontrar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em plena ameaça do país à Ucrânia, é mais um exemplo disso.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Uma coisa é certa: no exterior não conta propaganda mentirosa ou discursos carregados nas tintas da embromação. O que vale é atitude. E, neste quesito, o governo Bolsonaro é um deserto.