Altamiro Silva Junior
O Estado de São Paulo
© Gabriela Biló/Estadão
O presidente Jair Bolsonaro; em carta, a gestora Verde Asset Management
comparou o governo Jair Bolsonaro ao de Dilma Rousseff
A Verde Asset Management, gestora que tem como sócio Luis Stuhlberger, vê o governo de Jair Bolsonaro e o da petista Dilma Rousseff, tão criticado pelo ex-capitão do Exército, idênticos do ponto de vista econômico. A avaliação, em carta publicada nesta terça-feira, é que o mandato do presidente atual chega ao fim "de maneira praticamente indistinguível" do governo de Dilma, em meio às propostas de desoneração, incluindo a dos combustíveis e da energia elétrica.
"No final, são irmãos gêmeos, separados no nascimento", afirma o economista-chefe da gestora, Daniel Leichsenring, que assina a carta, com o título "Terraplanismo econômico".
O argumento é que Bolsonaro, em seu último ano de mandato, está "recorrendo às piores práticas do governo petista, de um populismo eleitoreiro barato, totalmente irresponsável".
O fundo multimercado da Verde teve perdas no ano passado, a segunda anual de sua história, mas em janeiro conseguiu rentabilidade de 1,49%. O economista, aliás, diz que com a Bolsa em alta, dólar em queda, renda fixa rendendo bem e fluxo forte de estrangeiros - que marcaram o mês passado -, o mercado acaba não reagindo às propostas mais populistas de desoneração de Bolsonaro.
Por isso, a carta da Verde critica a série de desonerações adotadas por Bolsonaro e ressalta que o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem ações convergentes com o então ministro da Fazenda do governo petista, Guido Mantega, "que gerou o maior desastre econômico de que se tem registro".
O argumento da Verde é que as associações e os grupos de interesse que pedem as desonerações agora, "não é surpresa, são os mesmos que clamaram pelas intervenções" do governo Dilma - fechamento da economia, incentivos, desonerações e redução forçada do custo de energia. "Em resumo, estão sempre dedicados a extrair o máximo de benefícios em causa própria."
"Todos se mobilizaram fortemente contra a reforma tributária ou redução de gasto tributário e incentivos, mas adoram um populismo fiscal que os contemple", afirma o economista. "Convém lembrar que quando o fiscal explodir, todos no barco afundarão."
Para Leichsenring, o caminho traçado pelo governo de Bolsonaro será "tão desastroso" na economia quanto o do governo petista. "Ainda há tempo para barrar essa proposta e de encontrar uma alternativa política viável para o Brasil", conclui a carta.
"Desastre"
A Verde avalia o governo de Bolsonaro como um "desastre" em praticamente todas as áreas de atuação, desde o atraso na vacinação contra covid, passando pela disseminação de notícias falsas sobre a pandemia à política econômica, com a quebra do teto de gastos. "No entanto, ao invés de rever, o governo acena com a aceleração dos erros. Começou com o 'meteoro', acabou com a destruição completa da credibilidade do Teto de Gastos e da Lei de Responsabilidade Fiscal."
Leichsenring critica ainda a tentativa de Bolsonaro, para recuperar popularidade, de buscar reduzir a tributação sobre os combustíveis e energia elétrica. Essa ideia ecoa medidas da dupla Dilma/Mantega e que não tiveram resultados favoráveis, argumenta o economista da Verde. "Basta lembrar que as políticas fiscais absolutamente irresponsáveis do período resultaram na mais severa e duradoura recessão da história do País."