segunda-feira, fevereiro 07, 2022

Bolsonaro entrega futuro da Economia a Ciro Nogueira

 Robson Bonin 

Veja online

Presidente abriu caminho para que o chefe da Casa Civil boicotasse as articulações de Paulo Guedes na discussão dos combustíveis 

  Wilson Dias/Agência Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro e o ministro da economia, Paulo Guedes, 

fazem declaração conjunta à imprensa no auditório do ministério da economia em Brasília 

O ministro Paulo Guedes vinha articulando pessoalmente, em reuniões com os chefes do Congresso, a redação da norma que abriria caminho para a discussão sobre a redução dos preços dos combustíveis.

Guedes imaginava falar em nome do presidente, mas outro ministro já estava nessa frente. Ciro Nogueira, segundo colegas dele no Palácio do Planalto, articulou com Arthur Lira a manobra que levou a Câmara a assumir a dianteira da discussão da PEC que reduz tributos dos combustíveis.

A facada nas costas foi duas vezes mais dolorida do que o imaginado por Guedes. Primeiro porque foi mais fundo no caixa da União.

Segundo porque foi desferida de forma cruel, sem que Nogueira e os aliados do centrão tomassem conhecimento da autoridade de Guedes no assunto.

O chefe da Casa Civil entrou de vez nos assuntos da Economia. Meteu o pé na porta sem pedir licença ao dono da sala. Na tarde desta quinta, auxiliares de Guedes telefonavam desesperados ao Planalto para saber de onde havia saído o texto apresentado pelo deputado Christino Áureo.

Não era o texto da Economia e a turma de Guedes só foi descobrir a autoria pela imprensa, quando o arquivo protocolado foi investigado e constatou-se a origem na Casa Civil.

Traído dentro de Casa, Guedes acreditava que havia costurado um acordo para que o tema dos combustíveis tramitasse inicialmente pelo Senado. Era a forma de o governo privilegiar Rodrigo Pacheco e dar protagonismo aos senadores diante a Câmara.

Bolsonaro, Nogueira e Lira foram mais rápidos. Sequer avisaram Guedes do movimento. O ministro ficou indignado.