sábado, fevereiro 26, 2022

Quais as 3 opções para o Ocidente depois da invasão na Ucrânia?

  Guga Chacra

O Globo

  | Daniel Leal / AFP 

Homem limpa escombros em um prédio residencial danificado

 no capital ucraniana Kiev, que foi supostamente atingido em um ataque militar

A Rússia invadiu a Ucrânia. Uma agressão. O governo ucraniano não atacou e tampouco ameaçou atacar o território russo. É vítima neste conflito. Vladimir Putin, o culpado. Se nos focarmos apenas nestes dois atores, fica simples dizer quem está certo e quem está errado. Mas e o Ocidente (EUA, União Europeia, Reino Unido e Canadá)? Como podemos classificar?

Podemos criticar o Ocidente por não ter feito o suficiente para evitar a agressão russa à Ucrânia. Putin se sentiu seguro o suficiente para invadir uma outra nação. As ações tomadas pelos EUA e seus aliados foram incapazes de dissuadir o líder russo de atacar a nação vizinha.

Com a invasão consolidada, restam as seguintes opções ao Ocidente:

1. Impor duríssimas sanções à Rússia e fortalecer a segurança dos países integrantes da Otan, especialmente a Polônia e as repúblicas bálticas. Esta é a opção adotada pelos EUA e seus aliados. Na prática, desiste de salvar Ucrânia. Este é o ponto que irrita, naturalmente, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky;

2. Fazer tudo o que está na primeira parte (sanções e fortalecimento da Otan) associada a apoio militar à Ucrânia. Alguns setores do Partido Republicano nos EUA defendem essa alternativa. Deixaria a Ucrânia menos isolada e aumentaria os custos para Putin. O problema é que poderia levar a uma Terceira Guerra Mundial. Putin tem milhares de ogivas nucleares. Seria extremamente perigosa esta escalada;

3. Tentar se focar na negociação de um cessar-fogo e, posteriormente, de um novo status quo. Aceitar a vitória russa e a inclusão da Ucrânia na esfera de influência de Moscou. Negociar com a Rússia uma nova arquitetura para a segurança europeia e deixar Putin menos isolado. Trump, quando estava no poder, seguia uma linha neste sentido. Era crítico da Otan e isolacionista, além de admirar Putin — chamou o líder russo de gênio nesta semana. O problema desta alternativa é que muitos países europeus na prática passariam para a esfera de influência de Putin, mesmo sem este ser o interesse deles.