quarta-feira, março 16, 2022

Petrobras fechou três fábricas de fertilizantes nos últimos 4 anos

 Ricardo Chapola 

Veja online

Com queda na produção interna, o Brasil ficou mais dependente do adubo importado da Rússia, atualmente em guerra com a Ucrânia

  Divulgação/Divulgação

ADUBO. Estatal fechou unidade que operava no Paraná em 2020 

O governo brasileiro fechou três fábricas de fertilizantes da Petrobras entre 2016 e 2020. Duas delas encerraram suas atividades quando Michel Temer (MDB-SP) era presidente. A outra foi desativada mais recentemente, já na gestão de Jair Bolsonaro. Com a queda da produção interna de adubo, o Brasil passou a ficar ainda mais dependente dos fertilizantes importados da Rússia, atualmente em guerra com a Ucrânia.

Uma eventual falta desse produto no país pode desencadear na disparada de preços de muitos alimentos num momento delicado, em que a população já tem sido obrigada a conviver com o encarecimento dos combustíveis. O Brasil é o único país do mundo com produção agrícola de larga escala sem autonomia no fornecimento de fertilizantes.

Em entrevista recente, Bolsonaro até usou a relação comercial com o país europeu como argumento ao explicar o porquê não foi mais enfático nas críticas à ação militar da Rússia na Ucrânia. “Para nós, a questão do fertilizante é sagrada”, afirmou o presidente.

Sob a sua batuta, em fevereiro de 2020, a Petrobras fechou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR), localizada na cidade de Araucária. Também no seu governo, a estatal vendeu a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN1) em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. As instalações foram compradas pela Acon, um grupo russo.

A Petrobras decidiu sair do mercado de fertilizantes em 2017, logo depois que Temer assumiu a Presidência. Desde então, as fábricas vem sendo fechadas. Essa questão faz parte de um plano de negócios elaborado pela estatal após o impeachment de Dilma Rousseff. A avaliação naquela época era de que a produção de adubos dava prejuízo para a Petrobras.

As primeiras unidades que foram desativadas ficavam no Nordeste. Em março de 2018, encerraram atividades as fábricas de fertilizantes da Bahia, situada em Camaçari, e de Sergipe, localizada no município de Laranjeiras. Em novembro de 2019, a Petrobras conseguiu arrendar as plantas das duas unidades para a Proquigel Química, que só conseguiu reativar as fábricas no ano passado.

Na tentativa de evitar a falta de adubo no país, Bolsonaro deve lançar um Plano Nacional de Fertilizantes com diretrizes para reduzir a dependência do Brasil em relação a Rússia no fornecimento dessa mercadoria. Atualmente, 85% do adubo utilizado pelos agricultores é importado de lá. Com o plano, o Planalto estima derrubar esse índice para cerca de 60%.

Em nota, a Petrobras afirmou que o fechamento das fábricas é coerente com a estratégia adotada pela empresa em 2017, quando decidiu deixar o mercado de fertilizantes.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Bolsonaro tem o péssimo hábito de empurrar a culpa pelo que de ruim acontece no país, para terceiros. Jamais assume a própria culpa. No caso da produção de fertilizantes, ele culpou os governos anteriores ao seu, esquecendo que foi sua batuta, que a unidade do Paraná foi fechada. 

As 3 unidades foram  fechadas sob a alegação de que era mais barato importar o produto do que fabricá-lo aqui. Ao invés de rever nossas políticas e incentivos, lavou-se as mãos e se optou pelo caminho mais fácil, esquecendo-se de que manter as fábricas operando, estaríamos gerando emprego, renda e aumentando a arrecadação de impostos. 

Mas seguindo o receituário dos governos anteriores,  Bolsonaro também cometeu o mesmo erro. O resultado é que se vê agora: o está na eminência de desabastecimento, além de ver o preço subir às alturas.  E aí corre para lançar um plano que proverá 50% da nossa necessidade em 2050!  É tempo demasiado para um aumento da produção interna tão pequeno.