Da Redação
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Presidente lança a sua pré-candidatura neste domingo, em Brasília, para um Brasil bastante diferente
Isac Nóbrega/PR/Divulgação
O presidente Jair Bolsonaro (PL), com eleitores em Quixadá (CE)
Quando o então inexpressivo – para não dizer folclórico – deputado federal Jair Bolsonaro chegou à convenção do PSL no dia 7 de março de 2018 para oficializar a sua filiação ao partido e lançar a sua pré-candidatura à Presidência da República, o país era bem diferente daquele que o mesmo Bolsonaro, hoje presidente, vai encontrar quando entrar no Centro Internacional de Convenções em Brasília, às 10h, para anunciar que irá disputar a reeleição.
Em 2018, o combate à corrupção era considerado o maior problema do Brasil, muito em razão do barulho que fazia a Operação Lava-Jato. Segundo pesquisa Datafolha feita no início de abril daquele ano, 21% apontavam a corrupção como a maior chaga que o futuro mandatário do país deveria enfrentar. Depois, apareciam saúde (19%), violência (13%), desemprego (13%) – economia era citada por apenas 4% dos brasileiros.
O cenário apontado pelo mesmo Datafolha em pesquisa feita agora em março de 2022 é bem outro. Quase a metade do eleitorado (46%) apresenta algum tema derivado da economia como o problema a ser enfrentado: economia (15%), desemprego (12%), inflação (10%), fome/miséria (6%), desigualdade social (2%) e salário (1%). Por ironia, só 5% apontam a corrupção. Outros 22% citaram a saúde, muito na esteira da pandemia.
Em março de 2018, ao lançar a sua pré-candidatura, Bolsonaro já saía para a campanha sintonizado com o eleitorado. Foi recebido no PSL aos gritos de “o capitão chegou” e “Lula na cadeia”. Agora, como presidente, terá que apostar no desempenho do seu governo para contornar problemas como a alta da inflação – com os reajustes de alimentos e combustíveis como o ponto eleitoralmente mais sensível –, a ameaça de degradação da situação fiscal do país em razão dos gastos do governo, a perspectiva de baixo crescimento econômico e o aumento da miséria e da fome. Além do mais, o país poderá sofrer impactos negativos vindos de fora, especialmente da Guerra na Ucrânia.
Ou seja, Bolsonaro terá que ir para a campanha desta vez, não com o discurso de franco atirador e moralista que o levou à vitória em 2018, mas com o do governante que tem feito o possível para melhorar a situação do país e dos brasileiros. É outra eleição.
