Míriam Leitão
O Globo
Se Adriano Pires não puder assumir o cargo de presidente da Petrobras, haverá um momento de acefalia da maior empresa do país e num período importante como esse, em que os preços da matéria-prima estão pressionados. É uma trapalhada do presidente Jair Bolsonaro, que tirou o general Silva Luna do cargo, o que teve resultado negativo para a empresa e para o governo.
Rodolfo Landim, que tinha sido indicado para a presidência do conselho, renunciou porque tem grandes conflitos de interesse. Tem ligações com Carlos Suarez, sócio de oito distribuidoras de gás no Brasil. Agora, o governo corre contra o tempo para indicar o substituto de Landim como mostra a matéria de Bruno Rosa e Malu Gaspar.
A indicação já era inadequada porque o presidente do Flamengo já foi investigado por corrupção e é réu em ação penal. Foi escolhido não por suas qualificações, mas pelo bolsonarismo.
Já Pires está sendo pressionado para divulgar a sua lista de clientes. É preciso ser transparente, isto faz parte das regras que a Petrobras criou para se proteger. Só que Bolsonaro atropelou várias delas. Por exemplo: uma das regras é que o presidente da república, representante do acionista majoritário, não tivesse o poder de demitir o presidente da empresa. Mas ele encontrou uma brecha para fazer isso não reconduzindo Luna na lista de representantes do Tesouro no conselho.
Fez isto tanto com Luna como com Castello Branco. Só que Luna não deixou barato e deu várias entrevistas mostrando seu processo de fritura. O presidente tirou Luna por conta do aumento de combustíveis e o general se defendeu, afirmando que seguiu regras, leis e a Constituição.
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Por conta desta trapalhada, a empresa terá um período de acefalia porque os indicados têm que passar pelo Comitê de pessoas, que é outra regra que a Petrobras criou para se proteger de indicações políticas. E que leva tempo. A situação atual é a seguinte: um presidente demitido, um que talvez não passe pelas regras e o presidente do conselho que renunciou.
