Bicheiros negam envolvimento com petistas
Publicado na Tribuna da Imprensa
A Polícia Federal apreendeu no Bingo Grande Rio, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, duas máquinas de calcular com fitas de papel em busca da origem do dinheiro que seria utilizado para a compra do dossiê dos sanguessugas contra os candidatos tucanos. Os 20 agentes da Federal - dois deles de Cuiabá (MT) - passaram a manhã da última terça-feira no bingo e saíram levando as máquinas que podem identificar a origem dos recursos, mas não encontraram carimbos iguais aos que estavam no pacote das notas apreendidas. Um funcionário do bingo foi detido pelos policiais e liberado posteriormente.
A loja fica junto à rodoviária de Caxias e se divide em duas: a da Loteria Para Todos, com máquinas de caça-níquel e jogo do bicho, e a do bingo, que tem 50 máquinas maiores, cujas apostas são feitas com notas. Ontem, cerca de 15 pessoas faziam suas apostas. A gerente, identificada como Kátia, não revelou o nome dos proprietários. Segundo ela, "ninguém tem nada a falar enquanto os laudos periciais não saírem dizendo alguma coisa. Até porque, se os laudos derem alguma coisa, nós iremos pedir um novo laudo".
Um dos membros da cúpula da contravenção no Rio, garante que nenhum outro ponto de aposta foi visitado pela polícia. Como um bom jogador, o "banqueiro" que falou sob a garantia do anonimato fez seu desafio: "Pago 100 por 1 como não se achará dinheiro do bicho do Rio para a compra deste dossiê. No máximo, alguém pode ter feito doação a um político amigo, sem saber de dossiê, nem que o dinheiro iria para São Paulo".
Em Caxias o jogo é controlado por um dos mais velhos bicheiros, Antônio Soares, de 90 anos. Mas pelo que consta, é seu filho, Jayder Soares, quem toca os negócios. Jayder é também o presidente de honra da Acadêmicos do Grande Rio, escolas de samba do Grupo Especial do carnaval do Rio. A escola é presidida por Hélio de Oliveira. Embora os Soares tenham parte na sociedade do bingo, ele pertence aos familiares de Oliveira. Procurados através da assessora da escola de samba, Jayder e Oliveira não se manifestaram.
Embora mais idoso, Antônio Soares não é dos mais importantes bicheiros do Rio. Desde a morte de Castor de Andrade, em 1997, o grande líder é Antônio Petrus Kalil, de 82 anos, chamado pelos colegas respeitosamente de "Seu Antônio", mas popularmente conhecido como Turcão. Embora continue opinando, Turcão já colocou o filho mais velho, Marcelo, na direção dos negócios.
O "banqueiro" acha pouco provável que tenha dinheiro dos Petrus Kalil na política. O motivo é simples: "Seu Antônio é mão fechada". Mas outros indícios levam o bicheiro a suspeitar do que a imprensa tem publicado. Segundo ele, não é usual no Rio os bicheiros enrolarem dinheiro com fitas de máquinas de calcular, tal como foram encontraram as notas apreendidas pela Polícia Federal. É também estranho a identificação dos pacotes com as palavras Campo Grande e Caxias. Mais ainda o fato de relacionarem este dinheiro a Turcão.
Seus negócios ficam longe de Campo Grande e Caxias, estão do outro lado da baía de Guanabara: Niterói, São Gonçalo e Magé. Se em Caxias o dono do jogo é a família Jayder, em Campo Grande e Santa Cruz - bairros da Zona Oeste do Rio - quem vende apostas é a família Stábile. No passado, o bicheiro Castor de Andrade tentou assumir a jogatina na região. Houve até troca de tiros, mas os Stábiles resistem até hoje.
Com a morte do patriarca Mário Stábile, os bairros foram divididos entre dois filhos que não se falavam: Campo Grande ficou com Weber, enquanto Buco ganhou Santa Cruz. Como esta família sempre se manteve afastada dos demais chefões, quem conhece a contravenção no Rio acha estranho querer creditar ao jogo do bicho dois pacotes de dinheiro oriundos de bancas comandadas por chefões diferentes (Caxias e Campo Grande), que nem sempre se relacionam. É verdade que existe a chamada "descarga", processo pelo qual os banqueiros dividem possíveis riscos de apostas altas.
Mas como explicou o bicheiro que conversou com a reportagem, "a `descarga' se troca, não se banca". Ou seja, o dinheiro não muda de banca no dia-a-dia. Se o prêmio for ganho, ele é pago pela banca onde houve a aposta e o acerto com quem garantiu é feito de mês em mês. Neste acerto, o dinheiro usado não é o que foi recolhido nos pontos de aposta, mas o que está nos bancos.
Outro detalhe chamou a atenção deste membro da cúpula do bicho: as notas de pequenos valor apreendidas pela Polícia Federal. Segundo ele, dinheiro recolhido dos pontos vai direto para os banco, em pacotes de notas soltas, sem fitas de máquina de somar enrolando. Ou seja, o dinheiro miúdo não costuma ficar circulando. Quando os bicheiros fazem doações, não usam as notas de pequeno valor recebidas dos apostadores humildes: "Fazer uma doação nestes moldes me enfraquece", concluiu o bicheiro do Rio.
COMENTANDO A N0TÍCIA: Parece que o criminalista, aquele que dá plantão no Planalto, vai um pouco mais de trabalho. Pelo menos precisará armar outra trapaça para enrolar a opinião pública.
Publicado na Tribuna da Imprensa
A Polícia Federal apreendeu no Bingo Grande Rio, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, duas máquinas de calcular com fitas de papel em busca da origem do dinheiro que seria utilizado para a compra do dossiê dos sanguessugas contra os candidatos tucanos. Os 20 agentes da Federal - dois deles de Cuiabá (MT) - passaram a manhã da última terça-feira no bingo e saíram levando as máquinas que podem identificar a origem dos recursos, mas não encontraram carimbos iguais aos que estavam no pacote das notas apreendidas. Um funcionário do bingo foi detido pelos policiais e liberado posteriormente.
A loja fica junto à rodoviária de Caxias e se divide em duas: a da Loteria Para Todos, com máquinas de caça-níquel e jogo do bicho, e a do bingo, que tem 50 máquinas maiores, cujas apostas são feitas com notas. Ontem, cerca de 15 pessoas faziam suas apostas. A gerente, identificada como Kátia, não revelou o nome dos proprietários. Segundo ela, "ninguém tem nada a falar enquanto os laudos periciais não saírem dizendo alguma coisa. Até porque, se os laudos derem alguma coisa, nós iremos pedir um novo laudo".
Um dos membros da cúpula da contravenção no Rio, garante que nenhum outro ponto de aposta foi visitado pela polícia. Como um bom jogador, o "banqueiro" que falou sob a garantia do anonimato fez seu desafio: "Pago 100 por 1 como não se achará dinheiro do bicho do Rio para a compra deste dossiê. No máximo, alguém pode ter feito doação a um político amigo, sem saber de dossiê, nem que o dinheiro iria para São Paulo".
Em Caxias o jogo é controlado por um dos mais velhos bicheiros, Antônio Soares, de 90 anos. Mas pelo que consta, é seu filho, Jayder Soares, quem toca os negócios. Jayder é também o presidente de honra da Acadêmicos do Grande Rio, escolas de samba do Grupo Especial do carnaval do Rio. A escola é presidida por Hélio de Oliveira. Embora os Soares tenham parte na sociedade do bingo, ele pertence aos familiares de Oliveira. Procurados através da assessora da escola de samba, Jayder e Oliveira não se manifestaram.
Embora mais idoso, Antônio Soares não é dos mais importantes bicheiros do Rio. Desde a morte de Castor de Andrade, em 1997, o grande líder é Antônio Petrus Kalil, de 82 anos, chamado pelos colegas respeitosamente de "Seu Antônio", mas popularmente conhecido como Turcão. Embora continue opinando, Turcão já colocou o filho mais velho, Marcelo, na direção dos negócios.
O "banqueiro" acha pouco provável que tenha dinheiro dos Petrus Kalil na política. O motivo é simples: "Seu Antônio é mão fechada". Mas outros indícios levam o bicheiro a suspeitar do que a imprensa tem publicado. Segundo ele, não é usual no Rio os bicheiros enrolarem dinheiro com fitas de máquinas de calcular, tal como foram encontraram as notas apreendidas pela Polícia Federal. É também estranho a identificação dos pacotes com as palavras Campo Grande e Caxias. Mais ainda o fato de relacionarem este dinheiro a Turcão.
Seus negócios ficam longe de Campo Grande e Caxias, estão do outro lado da baía de Guanabara: Niterói, São Gonçalo e Magé. Se em Caxias o dono do jogo é a família Jayder, em Campo Grande e Santa Cruz - bairros da Zona Oeste do Rio - quem vende apostas é a família Stábile. No passado, o bicheiro Castor de Andrade tentou assumir a jogatina na região. Houve até troca de tiros, mas os Stábiles resistem até hoje.
Com a morte do patriarca Mário Stábile, os bairros foram divididos entre dois filhos que não se falavam: Campo Grande ficou com Weber, enquanto Buco ganhou Santa Cruz. Como esta família sempre se manteve afastada dos demais chefões, quem conhece a contravenção no Rio acha estranho querer creditar ao jogo do bicho dois pacotes de dinheiro oriundos de bancas comandadas por chefões diferentes (Caxias e Campo Grande), que nem sempre se relacionam. É verdade que existe a chamada "descarga", processo pelo qual os banqueiros dividem possíveis riscos de apostas altas.
Mas como explicou o bicheiro que conversou com a reportagem, "a `descarga' se troca, não se banca". Ou seja, o dinheiro não muda de banca no dia-a-dia. Se o prêmio for ganho, ele é pago pela banca onde houve a aposta e o acerto com quem garantiu é feito de mês em mês. Neste acerto, o dinheiro usado não é o que foi recolhido nos pontos de aposta, mas o que está nos bancos.
Outro detalhe chamou a atenção deste membro da cúpula do bicho: as notas de pequenos valor apreendidas pela Polícia Federal. Segundo ele, dinheiro recolhido dos pontos vai direto para os banco, em pacotes de notas soltas, sem fitas de máquina de somar enrolando. Ou seja, o dinheiro miúdo não costuma ficar circulando. Quando os bicheiros fazem doações, não usam as notas de pequeno valor recebidas dos apostadores humildes: "Fazer uma doação nestes moldes me enfraquece", concluiu o bicheiro do Rio.
COMENTANDO A N0TÍCIA: Parece que o criminalista, aquele que dá plantão no Planalto, vai um pouco mais de trabalho. Pelo menos precisará armar outra trapaça para enrolar a opinião pública.