sábado, outubro 28, 2006

Interferência e confusão desnecessárias.

Consumidor está confuso com pão a quilo
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Luciana Navarro
Do Correio Braziliense
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Uma semana depois das padarias passarem a vender o pão francês por peso, os consumidores ainda se perdem nos preços. Comprar o pão com dinheiro contado não é mais aconselhável porque pode obrigar o cliente a levar menos unidades. A aposentada Arlene Mendes da Cunha, 71 anos, tem de desembolsar R$ 0,08 a mais para levar os oito mini-pães para casa como tem o costume de fazer. O lanche saía antes por R$ 1,44 e, depois da venda por quilo, custa R$ 1,52.
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“Se era vantagem vender no quilo, não poderiam aumentar o preço, deveriam manter o pão no mesmo valor”, reclama Arlene. Mirian Márcia Pinto, gerente de uma padaria na Asa Sul, explica que o aumento se deve ao fato de os pães da loja serem produzidos com mais de 50 gramas. “Não diminuímos o pão como fizeram muitas padarias, cobramos R$ 6 pelo quilo para que 50g custe R$ 0,30 como antes”, argumenta.
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Mesmo com as justificativas das padarias, os clientes não se dão por satisfeitos. Em Goiânia, o Movimento das Donas-de-Casa e Consumidores do Estado de Goiás organiza para segunda-feira uma manifestação para que as padarias passem a cobrar o preço justo pelo pão. “No momento da conversão as lojas aumentaram o preço. As famílias de baixa renda não podem consumir com o valor mais alto, por isso, vamos boicotar o pão por 30 dias”, afirma Nilza Bonfim, presidente do instituição.
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Além do boicote, as donas-de-casa vão oferecer receitas de pão caseiro às pessoas nas ruas da capital goiana. “O consumidor precisa exigir o mesmo preço que pagava antes pelo pão”, alerta Maria das Graças Santos, presidente da Associação das Donas-de-Casa do Estado de Goiás.
A venda do pão por quilo foi determinada pela portaria 146 do Instituto Nacional de Metrologia (INMETRO), publicada em 20 de junho. As padarias tiveram 120 dias para se adequar à regra. A multa pelo descumprimento da norma varia de R$ 100 a R$ 50 mil. Os consumidores podem denunciar as padarias à Ouvidoria do INMETRO pelo telefone 0800-2851818, ou ao Procon, no número 151.
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COMENTANDO A NOTICIA: Só num país com viés autoritário é que se concebe tamanha interferência do Estado na atividade econômica. Até agora, a liberdade econômica de comercialização de pão nunca atrapalhara a vida de ninguém, fossem consumidores ou padeiros. Ao se criar uma legislação específica sem nenhuma justificativa, o governo simplesmente ignorou as leis de mercado e criou uma confusão totalmente desnecessária. Com tantas outras coisas necessitando regulamentação, bem que o governo poderia perder tempo com coisas muito mais úteis!!! É por isso que o país continua perdendo investimentos produtivos e competitividade. Estamos abraçados com a mediocridade.