Vamos falar dos debates do segundo turno. Tivemos Band, SBT, Record e Globo. Se debate ganhasse eleição, o resultado Alckmin. Por quê ? Mostrou-se mais equilibrado, foi crítico sem cair na baixaria, apresentou números inquestionáveis para sustentar sua crítica, melhor tirocínio, melhor e maior qualificação, e principalmente, calma e tranquilidade mesmo diante de grosserias e sarcasmos de seu oponente. Se uma nação melhor educada e informada pudesse escolher seu governante tomando por base os debates entre candidatos, em que cada um mostra-se um pouco, saindo daquele teatrinho marqueteiro da campanha na tevê com textos decorados e preparados para agradar e enrolar, sem fosse que Alckmin teria ou estaria melhor situado nas pesquisas e ameaçando seriamente a reeleição de Lula.
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E Lula ? Bem, deste muito pouco é possível se extrair. Ironias de mau gosto, grosserias sem sentido, agitado além da conta para um candidato favorito e já no poder, que vive a sua quinta campanha presidencial e que, a esta altura, já era para estar mais calejado e melhor preparado. Porém, se Lula não puder contar com as “colas” da sua equipe de marqueteiros, naufraga visivelmente, o que nos demonstra ser uma pessoa fruto do marketing e não da convicção pessoal. Explico: Lula é presidente e de novo candidato favorito, porque seu programa na tevê foi muito mais convincente ao longo de quatro anos. Sim, porque ao assumir a presidência em janeiro de 2003, Lula jamais desceu do palanque. E passou este tempo todo vendendo um governo de papel que só existe na cabeça dela e na ilusão das pessoas.
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Ou como explicar tantos escândalos e casos de comprovada corrupção ocorrida em seu governo sem que nada lhe grudasse no corpo ? E não são casos antigos que a apuração descobriu agora. Não ! São casos nascidos e paridos, investigados por força mais da sociedade do que da PF e do PT, durante a gestação Lula, envolvendo pessoas diretamente ligadas a ele, do seu próprio Partido. De um lado, mais de 40 % da população nas trevas da ignorância, e de outro mais de 60/70% sem o acesso universal da informação. Daí porque os escândalos foram conhecidos por muito pouca gente. No máximo, 30/40 % da população. O que fica demonstrado nos índices das pesquisas de intenção de votos: 40% a 60%.
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No debate da Band Alckmin deu o tom a Lula: não iria ser candidato de compadre. O debate seria não apenas para confrontar idéias e programas, mas também, para apontar diferenças de posturas e de personalidades. Lula, claro, sentiu o golpe, e tanto que junto com seu comitê e a arregimentação de todo seu ministério, colocou o Estado em campanha eleitoral, em visível quebra do decoro da instituição Estado, e em afronta direta da legislação eleitoral, e pela qual o TSE preferiu fechar os olhos e fazer de conta que nada viu. Claramente, Lula colocou sua tropa em campo para tentar reverter a ascensão de Alckmin o suficiente para ameaça-lo. Deste modo, o que se viu foi um terrorismo eleitoral maquiavélico e ordinário. E foi com este regime de terror que Lula recuperou-se. Claro que contou com os 12 dias sem campanha eleitoral, e que lhe permitiriam, outra vez, falar sozinho junto com a petralhada toda. Mentiu e abusou do direito de mentir. Recomeçada a campanha na tevê, Alckmin precisou vir para a defensiva para desmentir as inverdades que Lula sedimentou no seio da sociedade e que fizeram Alckmin despencar nas pesquisas.
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Porém, saindo do terrorismo e do marketing ordinário, Lula sempre que precisou mostrar-se tal qual é, deu com os burros n’água. Precisou enfrentar um nórdico a lhe desferir criticas fundamentadas em realidades do país e sustentadas com base em estatísticas oficiais. E mais: precisou ele próprio ficar na defensiva contra as críticas de corrupção em seu governo como “nunca dantez nestepaiz”.
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Sempre que Alckmin partiu para o ataque, Lula balançou. E hoje, na Globo, talvez mais do que nos debates anteriores. Pelo formato, Lula precisou dançar na frente do eleitorado inquisidor, não pode contar com jornalistas para interromper seu desassossego e levantar-lhe a bola, e ainda teve que conviver com questões do dia a dia do povo, e aí não podia dizer que fosse bravata ou cascata, e não a tinha a “cola” para ampara-lo. Desastre.
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No SBT, Alckmin teve um desempenho que se pode classificar como pífio. Quis ser menos, e deixou Lula à vontade para ser mais. Na Record, o tucano voltou ao ataque e venceu o duelo e, no debate da Globo, simplesmente, Alckmin colocou Lula no bolso. Impossível dizer-se ao contrário, a menos que se queira mentir ou que não se tenha assistido ao debate.
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O resultado final dos encontros é que Alckmin foi melhor que Lula sempre, considerando a média dos debates. O saldo lhe é amplamente positivo. E aqui é preciso desmistificar dois horrores plantados pelos “jornalistas” e “comentaristas” alinhados à Lula. Uma a de que ambos se parecem em seus programas. Errado. O programa de Alckmin leva muito mais a sério as questões nacionais, e não apenas uma parcela pequena. Alckmin se dispõe para um governo voltado em parte para o social, para também para a busca de soluções que dinamizem a economia e ponha o Brasil no caminho que lhe compete. Alckmin quer atacar problemas e suas causas. Lula quer combater apenas os sintomas. Esta diferença é gritante. Segundo, Alckmin assume compromissos, Lula foge deles. Só quem é surdo ou se faz de... é capaz de achar que Alckmin não apresentou propostas. Apresentou-as sim, na área da energia, dos transportes urbanos, da moradia popular, da segurança, na economia e na política. Também apresenta um fieira de reformas urgentes: previdenciária, tributária, de segurança pública e reforma política, e esta particularmente, trazendo-a para seu terreno menos nebuloso, ou seja, trata o tema como importante, mas sem acenar como soluções mistificadoras como se estivesse escondendo, a exemplo de Lula, suas reais intenções quando trata do tema. Já o discurso do petista, está longe de parecer um programa. São promessas, cartas de boas intenções como costumo dizer.
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Já se disse aqui inúmeras vezes que um dos males do Brasil é termos governantes cumprindo sua função muito mais para um lado do que para outro, voltados do gabinete para a platéia, e não do gabinete para a administração do Estado. E o resultado, é um tremendo paquiderme sonolento , burocrata, pesado, ineficiente, ineficaz, perdulário. E esta é uma questão que precisa ser enfrentada com urgência. Não é uma questão de Estado mínimo, mas de um estado eficiente e respeitoso com o dinheiro público, que não cai do céu, que custa o esforço de milhões de brasileiros, e que precisa ser empregado com equilíbrio, e principalmente, com honestidade nas prioridades mais urgentes.
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Há um programa sim, e é diferente do Lula em suas proposições. Lula não acha necessário reduzir despesas. Não se trata de cortar investimentos em saúde, educação, programas sociais, segurança, saneamento, infra-estrutura. Trata-se de se gastar o necessário, sem desperdício e sem desvios. Sem superfaturamento. A manutenção da máquina pública brasileira precisa, já há muito, de um gerenciamento muito mais moderno e eficiente. E nisso os dois sintonizam posições totalmente opostas. Lula acha que empanturrar o governo de companheiros em cargos de confiança vai tornar o estado melhor. Errado. Vai é torrar dinheiro público em gente descompromissada com a eficiência. E nisto, a visão de Alckmin é muito mais realista, pois viveu períodos muito duros logo que ele e Covas assumiram São Paulo, e conseguiram reverter uma situação de caos recuperando para São Paulo o dinamismo que o estado sempre teve.
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A visão de políticas públicas de Alckmin também são muito mais realistas do que as de Lula. Alckmin prefere trabalhar no detalhe, na execução do planejado e proposto e cobrar o resultado final. Lula, ao contrário, prefere muito mais o marketing de efeitos do programa assinado do que de sua execução para a qual não tem a menor aptidão para acompanhar e exercer fiscalização e cobrança diretas pelos resultados obtidos. Enquanto um é vendedor, Lula o é sem dúvida, o outro é produtor, executor de administração pública. Esta é uma diferença sensível que na campanha, muitos analistas passaram lotados e desconheceram. Não sei se por conveniência, mas este é o fato. Um de fato tem programas, muito embora, em algumas ocasiões não os tenha melhor explicitado. Mas ao detalhar o que pretende fazer, o faz com a propriedade de quem sabe do que está falando. Lula é um discurso ufanista, vazio e sem sentido, e sem a menor correlação com a realidade. Ao dizer que 90% dos programas sociais são patrocinados pelo governo federal, omite, (porque lhe é conveniente), que ele não criou um único dos programas sociais que aí estão. Todos já estavam implantados e produzindo resultados. Quando fala de estado quebrado, esquece (mais uma vez por conveniência e má fé), de que o que estava quebrado era o mundo, e que o Brasil sofreu as conseqüências como a comunidade internacional também sofreu. Foram cinco graves crises internacionais. Lula não teve de enfrentar nenhuma sequer. Mas, antes, diante das crises o antecessor soube superar, e se recorreu ao FMI, foi porque os juros do Fundo eram e são infinitamente menores do que os praticados no mercado interno. Ao dizer que pagou e quitou a dívida com FMI, Lula mente ao eleitorado, porque na verdade ele trocou uma dívida barata por outra mais cara. Portanto, o endividamento aí permanece, e crescendo assustadoramente.
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Quando fala em estabilidade econômica e que acabou com a inflação mais uma vez mente, porque a estabilidade econômica, o equilíbrio fiscal e das contas públicas, o fim da inflação e da correção monetária foram obras que recebeu de mão beijada do governo anterior e que ele, na época, se posicionara totalmente contrário. Quando fala de recordes de exportações esquece de dizer que elas aí estão não por obra e graça de políticas públicas, mas muito mais pela conjuntura econômica internacional. Quando fala de reservas recordes, esquece de dizer que elas acontecem não por méritos de seu governo, mas porque além das exportações, e do país pagar os juros mais altos do planeta, ainda desonera o ingresso de dólares para financiamento da dívida pública, o que contribui para manter um câmbio exterminador de empregos e de empresas.
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Há sim gritantes diferenças entre os dois candidatos. E isto os debates deixaram bem claro. E ironia das ironias: quando Lula finalmente foi confrontado pelo eleitor, pelo povão, naufragou desastradamente. Por quê ? Porque pela primeira vez o povo lhe colocou questões e problemas da vida prática, rotineira de qualquer cidadão, e aí faltou-lhe discurso, soluções e a magia do marqueteiro desmoronou-se.
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Pena que talvez o conjunto dos debates não dê ao eleitor a visão do conjunto necessária para sua escolha. Para os com mais estudos e com melhor grau de informação, percebe-se uma nítida tendência pró-Alckmin. E, elas sinalizam exatamente a realidade educacional e informativa do país: mais de metade dos brasileiros sequer sabem do que se passa no governo que os dirige. Para esta camada, o discurso irônico, grosseiro, eivado de mentiras muito bem coloridas, pode parecer mais identificador uma vez que Lula “vende” a imagem de ser um igual, apesar de já não ser há muito tempo.
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E um conselho para Alckmin: se você tiver que concorrer novamente a um cargo eletivo, e quiser manter seu marqueteiro, primeiro analise o eleitorado para quem você vai pedir votos, siga um pouco mais sua intuição, e diga ao marqueteiro que a estratégia certa é a que ganha eleição. Sempre que Alckmin largou o marketing e partiu para ser ele mesmo, agradou e convenceu muito mais.
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Agora, é tudo no domingo, amanhã. Dá tempo para virar ? Impossível prever ! Será que as pesquisas estão certas ? Será que o conjunto dos debates mudará ao final a consciência do eleitorado? Não dá para saber. Por certo, eles mostraram um melhor que outro: Alckmin demonstrou maior equilíbrio e preparo para exercer a presidência do que Lula. Seu diagnóstico de Brasil é mais coerente e mais sintonizado com a nossa realidade. Porém, será que melhor justiça não se faria se Lula pudesse herdar ele mesmo o que semeou e plantou nestes quatro anos ? Vai se saber ! O certo é que jogamos fora muito tempo que talvez não se renove tão cedo, face à conjuntura internacional já com pé no freio. Mas talvez se Lula vencer, o povo brasileiro possa agora ver quem ele realmente é: um fanfarrão mistificador, mentiroso contumaz, vigarista da obra pronta e alheia, e que exigido a fazer, continuará insistindo na tese de que os culpados são sempre os outros. Será que não está na hora de termos um presidente que assuma sua responsabilidade com muito maior coragem ? Entre o moleque travesso e o estadista comportado, precisaremos escolher se o que queremos é um país decente, ou um país depravado, sentado na mentira e na corrupção, e sem oferecer dignidade e oportunidade para uma melhor qualidade de vida de seus cidadãos. Se a opção for por um país melhor, com valores éticos e trabalho construtor, então, é preciso mudar sim. Duvidoso é achar que o mentiroso irá se emendar fazendo o que deixou de fazer nos últimos quatro anos. Precisamos descer do palanque, por de lado o discurso ufanista e partir para o trabalho sério e honrado. Mas tem gente que gosta mesmo é de festa: bem, para estes, o pobrismo com bolsa esmola pode até parecer mais adequado e conveniente. Porém, esta minoria não está interessada no país.
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E Lula ? Bem, deste muito pouco é possível se extrair. Ironias de mau gosto, grosserias sem sentido, agitado além da conta para um candidato favorito e já no poder, que vive a sua quinta campanha presidencial e que, a esta altura, já era para estar mais calejado e melhor preparado. Porém, se Lula não puder contar com as “colas” da sua equipe de marqueteiros, naufraga visivelmente, o que nos demonstra ser uma pessoa fruto do marketing e não da convicção pessoal. Explico: Lula é presidente e de novo candidato favorito, porque seu programa na tevê foi muito mais convincente ao longo de quatro anos. Sim, porque ao assumir a presidência em janeiro de 2003, Lula jamais desceu do palanque. E passou este tempo todo vendendo um governo de papel que só existe na cabeça dela e na ilusão das pessoas.
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Ou como explicar tantos escândalos e casos de comprovada corrupção ocorrida em seu governo sem que nada lhe grudasse no corpo ? E não são casos antigos que a apuração descobriu agora. Não ! São casos nascidos e paridos, investigados por força mais da sociedade do que da PF e do PT, durante a gestação Lula, envolvendo pessoas diretamente ligadas a ele, do seu próprio Partido. De um lado, mais de 40 % da população nas trevas da ignorância, e de outro mais de 60/70% sem o acesso universal da informação. Daí porque os escândalos foram conhecidos por muito pouca gente. No máximo, 30/40 % da população. O que fica demonstrado nos índices das pesquisas de intenção de votos: 40% a 60%.
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No debate da Band Alckmin deu o tom a Lula: não iria ser candidato de compadre. O debate seria não apenas para confrontar idéias e programas, mas também, para apontar diferenças de posturas e de personalidades. Lula, claro, sentiu o golpe, e tanto que junto com seu comitê e a arregimentação de todo seu ministério, colocou o Estado em campanha eleitoral, em visível quebra do decoro da instituição Estado, e em afronta direta da legislação eleitoral, e pela qual o TSE preferiu fechar os olhos e fazer de conta que nada viu. Claramente, Lula colocou sua tropa em campo para tentar reverter a ascensão de Alckmin o suficiente para ameaça-lo. Deste modo, o que se viu foi um terrorismo eleitoral maquiavélico e ordinário. E foi com este regime de terror que Lula recuperou-se. Claro que contou com os 12 dias sem campanha eleitoral, e que lhe permitiriam, outra vez, falar sozinho junto com a petralhada toda. Mentiu e abusou do direito de mentir. Recomeçada a campanha na tevê, Alckmin precisou vir para a defensiva para desmentir as inverdades que Lula sedimentou no seio da sociedade e que fizeram Alckmin despencar nas pesquisas.
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Porém, saindo do terrorismo e do marketing ordinário, Lula sempre que precisou mostrar-se tal qual é, deu com os burros n’água. Precisou enfrentar um nórdico a lhe desferir criticas fundamentadas em realidades do país e sustentadas com base em estatísticas oficiais. E mais: precisou ele próprio ficar na defensiva contra as críticas de corrupção em seu governo como “nunca dantez nestepaiz”.
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Sempre que Alckmin partiu para o ataque, Lula balançou. E hoje, na Globo, talvez mais do que nos debates anteriores. Pelo formato, Lula precisou dançar na frente do eleitorado inquisidor, não pode contar com jornalistas para interromper seu desassossego e levantar-lhe a bola, e ainda teve que conviver com questões do dia a dia do povo, e aí não podia dizer que fosse bravata ou cascata, e não a tinha a “cola” para ampara-lo. Desastre.
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No SBT, Alckmin teve um desempenho que se pode classificar como pífio. Quis ser menos, e deixou Lula à vontade para ser mais. Na Record, o tucano voltou ao ataque e venceu o duelo e, no debate da Globo, simplesmente, Alckmin colocou Lula no bolso. Impossível dizer-se ao contrário, a menos que se queira mentir ou que não se tenha assistido ao debate.
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O resultado final dos encontros é que Alckmin foi melhor que Lula sempre, considerando a média dos debates. O saldo lhe é amplamente positivo. E aqui é preciso desmistificar dois horrores plantados pelos “jornalistas” e “comentaristas” alinhados à Lula. Uma a de que ambos se parecem em seus programas. Errado. O programa de Alckmin leva muito mais a sério as questões nacionais, e não apenas uma parcela pequena. Alckmin se dispõe para um governo voltado em parte para o social, para também para a busca de soluções que dinamizem a economia e ponha o Brasil no caminho que lhe compete. Alckmin quer atacar problemas e suas causas. Lula quer combater apenas os sintomas. Esta diferença é gritante. Segundo, Alckmin assume compromissos, Lula foge deles. Só quem é surdo ou se faz de... é capaz de achar que Alckmin não apresentou propostas. Apresentou-as sim, na área da energia, dos transportes urbanos, da moradia popular, da segurança, na economia e na política. Também apresenta um fieira de reformas urgentes: previdenciária, tributária, de segurança pública e reforma política, e esta particularmente, trazendo-a para seu terreno menos nebuloso, ou seja, trata o tema como importante, mas sem acenar como soluções mistificadoras como se estivesse escondendo, a exemplo de Lula, suas reais intenções quando trata do tema. Já o discurso do petista, está longe de parecer um programa. São promessas, cartas de boas intenções como costumo dizer.
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Já se disse aqui inúmeras vezes que um dos males do Brasil é termos governantes cumprindo sua função muito mais para um lado do que para outro, voltados do gabinete para a platéia, e não do gabinete para a administração do Estado. E o resultado, é um tremendo paquiderme sonolento , burocrata, pesado, ineficiente, ineficaz, perdulário. E esta é uma questão que precisa ser enfrentada com urgência. Não é uma questão de Estado mínimo, mas de um estado eficiente e respeitoso com o dinheiro público, que não cai do céu, que custa o esforço de milhões de brasileiros, e que precisa ser empregado com equilíbrio, e principalmente, com honestidade nas prioridades mais urgentes.
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Há um programa sim, e é diferente do Lula em suas proposições. Lula não acha necessário reduzir despesas. Não se trata de cortar investimentos em saúde, educação, programas sociais, segurança, saneamento, infra-estrutura. Trata-se de se gastar o necessário, sem desperdício e sem desvios. Sem superfaturamento. A manutenção da máquina pública brasileira precisa, já há muito, de um gerenciamento muito mais moderno e eficiente. E nisso os dois sintonizam posições totalmente opostas. Lula acha que empanturrar o governo de companheiros em cargos de confiança vai tornar o estado melhor. Errado. Vai é torrar dinheiro público em gente descompromissada com a eficiência. E nisto, a visão de Alckmin é muito mais realista, pois viveu períodos muito duros logo que ele e Covas assumiram São Paulo, e conseguiram reverter uma situação de caos recuperando para São Paulo o dinamismo que o estado sempre teve.
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A visão de políticas públicas de Alckmin também são muito mais realistas do que as de Lula. Alckmin prefere trabalhar no detalhe, na execução do planejado e proposto e cobrar o resultado final. Lula, ao contrário, prefere muito mais o marketing de efeitos do programa assinado do que de sua execução para a qual não tem a menor aptidão para acompanhar e exercer fiscalização e cobrança diretas pelos resultados obtidos. Enquanto um é vendedor, Lula o é sem dúvida, o outro é produtor, executor de administração pública. Esta é uma diferença sensível que na campanha, muitos analistas passaram lotados e desconheceram. Não sei se por conveniência, mas este é o fato. Um de fato tem programas, muito embora, em algumas ocasiões não os tenha melhor explicitado. Mas ao detalhar o que pretende fazer, o faz com a propriedade de quem sabe do que está falando. Lula é um discurso ufanista, vazio e sem sentido, e sem a menor correlação com a realidade. Ao dizer que 90% dos programas sociais são patrocinados pelo governo federal, omite, (porque lhe é conveniente), que ele não criou um único dos programas sociais que aí estão. Todos já estavam implantados e produzindo resultados. Quando fala de estado quebrado, esquece (mais uma vez por conveniência e má fé), de que o que estava quebrado era o mundo, e que o Brasil sofreu as conseqüências como a comunidade internacional também sofreu. Foram cinco graves crises internacionais. Lula não teve de enfrentar nenhuma sequer. Mas, antes, diante das crises o antecessor soube superar, e se recorreu ao FMI, foi porque os juros do Fundo eram e são infinitamente menores do que os praticados no mercado interno. Ao dizer que pagou e quitou a dívida com FMI, Lula mente ao eleitorado, porque na verdade ele trocou uma dívida barata por outra mais cara. Portanto, o endividamento aí permanece, e crescendo assustadoramente.
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Quando fala em estabilidade econômica e que acabou com a inflação mais uma vez mente, porque a estabilidade econômica, o equilíbrio fiscal e das contas públicas, o fim da inflação e da correção monetária foram obras que recebeu de mão beijada do governo anterior e que ele, na época, se posicionara totalmente contrário. Quando fala de recordes de exportações esquece de dizer que elas aí estão não por obra e graça de políticas públicas, mas muito mais pela conjuntura econômica internacional. Quando fala de reservas recordes, esquece de dizer que elas acontecem não por méritos de seu governo, mas porque além das exportações, e do país pagar os juros mais altos do planeta, ainda desonera o ingresso de dólares para financiamento da dívida pública, o que contribui para manter um câmbio exterminador de empregos e de empresas.
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Há sim gritantes diferenças entre os dois candidatos. E isto os debates deixaram bem claro. E ironia das ironias: quando Lula finalmente foi confrontado pelo eleitor, pelo povão, naufragou desastradamente. Por quê ? Porque pela primeira vez o povo lhe colocou questões e problemas da vida prática, rotineira de qualquer cidadão, e aí faltou-lhe discurso, soluções e a magia do marqueteiro desmoronou-se.
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Pena que talvez o conjunto dos debates não dê ao eleitor a visão do conjunto necessária para sua escolha. Para os com mais estudos e com melhor grau de informação, percebe-se uma nítida tendência pró-Alckmin. E, elas sinalizam exatamente a realidade educacional e informativa do país: mais de metade dos brasileiros sequer sabem do que se passa no governo que os dirige. Para esta camada, o discurso irônico, grosseiro, eivado de mentiras muito bem coloridas, pode parecer mais identificador uma vez que Lula “vende” a imagem de ser um igual, apesar de já não ser há muito tempo.
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E um conselho para Alckmin: se você tiver que concorrer novamente a um cargo eletivo, e quiser manter seu marqueteiro, primeiro analise o eleitorado para quem você vai pedir votos, siga um pouco mais sua intuição, e diga ao marqueteiro que a estratégia certa é a que ganha eleição. Sempre que Alckmin largou o marketing e partiu para ser ele mesmo, agradou e convenceu muito mais.
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Agora, é tudo no domingo, amanhã. Dá tempo para virar ? Impossível prever ! Será que as pesquisas estão certas ? Será que o conjunto dos debates mudará ao final a consciência do eleitorado? Não dá para saber. Por certo, eles mostraram um melhor que outro: Alckmin demonstrou maior equilíbrio e preparo para exercer a presidência do que Lula. Seu diagnóstico de Brasil é mais coerente e mais sintonizado com a nossa realidade. Porém, será que melhor justiça não se faria se Lula pudesse herdar ele mesmo o que semeou e plantou nestes quatro anos ? Vai se saber ! O certo é que jogamos fora muito tempo que talvez não se renove tão cedo, face à conjuntura internacional já com pé no freio. Mas talvez se Lula vencer, o povo brasileiro possa agora ver quem ele realmente é: um fanfarrão mistificador, mentiroso contumaz, vigarista da obra pronta e alheia, e que exigido a fazer, continuará insistindo na tese de que os culpados são sempre os outros. Será que não está na hora de termos um presidente que assuma sua responsabilidade com muito maior coragem ? Entre o moleque travesso e o estadista comportado, precisaremos escolher se o que queremos é um país decente, ou um país depravado, sentado na mentira e na corrupção, e sem oferecer dignidade e oportunidade para uma melhor qualidade de vida de seus cidadãos. Se a opção for por um país melhor, com valores éticos e trabalho construtor, então, é preciso mudar sim. Duvidoso é achar que o mentiroso irá se emendar fazendo o que deixou de fazer nos últimos quatro anos. Precisamos descer do palanque, por de lado o discurso ufanista e partir para o trabalho sério e honrado. Mas tem gente que gosta mesmo é de festa: bem, para estes, o pobrismo com bolsa esmola pode até parecer mais adequado e conveniente. Porém, esta minoria não está interessada no país.
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E você, de que lado do muro você se coloca ?