domingo, outubro 15, 2006

Lula, o vigarista da obra pronta.

Alckmin diz que PT só criou emprego para "companheirada"
.
Simão Zygband
Redação Terra, Direto de São Paulo

.
O candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, disse hoje que o presidente Lula conseguiu criar emprego somente para "a companheirada", em razão da política econômica que seu governo implantou no Brasil. Ele disse que, se for eleito, vai "despetizar" a máquina pública, acabando com os empregos que supostamente Lula proporcionou aos seus aliados de partido. As declarações foram feitas no início da tarde em uma feira livre no bairro do Capão Redondo, na zona Sul de São Paulo. Ele estava acompanhado de parlamentares do partido e militantes.
.
O tucano lembrou que hoje está completando trinta dias que a Polícia Federal flagrou os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos em um hotel com R$ 1,7 milhão, destinado para a compra do dossiê que supostamente ligaria candidatos tucanos à Máfia das Sanguessugas. Alckmin disse que o governo realiza uma operação abafa sobre o episódio, que até agora não se sabe a origem deste dinheiro e que o ministro Márcio Thomaz Bastos está orientando a defesa de Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência envolvido no caso.
.
O candidato disse ainda que está aguardando a resposta do PDT se vai apoiá-lo no segundo turno. A decisão deve ser tomada amanhã. Alckmin disse ainda que na carta-compromisso encaminhada aos trabalhistas, ele reafirmou que não vai privatizar estatais, como Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras. Por fim, o tucano criticou a política econômica do Brasil, que cresce pouco e é de má qualidade. De acordo com ele, a taxa de câmbio tira a competitividade do País no mercado externo.
.
***************
.
Gasto com pessoal deve superar 5% do PIB
.
O governo Lula adotou a tática da sanfona em relação aos aumentos do funcionalismo público: comprime nos primeiros anos e abre o cofre, concedendo aumentos, no último ano de governo, quando é eleitoralmente mais proveitoso. Por isso a declaração do coordenador de campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, de que haverá cortes e contenções salariais não destoa da prática adotada no primeiro mandato do petista. Mas também não significa que o PT vá buscar uma austeridade fiscal.
.
A proposta orçamentária enviada pelo governo ao Congresso mostra que a despesa de pessoal da União em 2007 vai superar em R$ 44 bilhões, ou 11,4% em termos reais, o pico de gasto registrado em 2002, no último ano de mandato de Fernando Henrique. A explosão do gasto é decorrência dos últimos reajustes concedidos por Lula aos servidores do Executivo e aos aumentos que a cúpula do Judiciário e do Legislativo também deram para seus funcionários - todos aprovados às vésperas das eleições.
.
Parte desses reajustes só terá efeito pleno em 2008, como é o caso do parcelamento de 47,11% aos servidores da Seguridade Social e a mudança no Plano de Carreira do Judiciário. O custo integral das gratificações criadas pelo projeto do Supremo Tribunal Federal chega a R$ 4,6 bilhões, mas no ano que vem o impacto será de apenas R$ 513,5 milhões. Ou seja, é só no segundo ano de mandato do próximo presidente que as atuais decisões vão se manifestar de forma definitiva.
.
Até agora, o governo se manteve despreocupado com a trajetória da despesa de pessoal porque, apesar dos constantes aumentos nos demais Poderes, o Executivo (que ainda concentra 80% da folha de pessoal) vinha contrabalançando essa tendência com reajustes apenas setoriais para seus próprios funcionários. Neste ano, entretanto, o pacote de ajustes salariais acabou beneficiando 90% das categorias, fazendo o gasto ultrapassar os antigos níveis (atualizando a despesa de anos anteriores pela inflação medida pelo IPCA).
.
Em proporção do PIB, por exemplo, o gasto de pessoal caiu progressivamente de 5,58% em 2002 para 4,86% em 2005, mas em 2006 deve atingir até 5,17%, se a economia crescer apenas os 3,3% previstos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Mas em 2007, seguindo as estimativas de crescimento do Ipea, o gasto com servidores pode atingir 5,30% - segundo maior índice da década.
.
Para técnicos do Planejamento, será possível reduzir novamente esse índice a partir de 2008, pois o aumento recente de gasto decorre de "demandas históricas reprimidas", que teriam sido quase totalmente atendidas.
.
COMENTANDO A NOTICIA: Agora, Lula pega carona no programa de Alckmin, prometendo também cortar gastos, muito embora este "discurso" seja apenas balela, já que no orçamento que enviou para o Congresso referente 2007, Lula não apenas não cortará gasto algum, como também prevê aumentá-lo. E não se tratam de investimentos no social ou na infra-estrutura. São despesas com a máquina pública, e claro, com seu desperdício crônico.
.
Contudo, vale rever o que Lula fez do controle de gastos que herdou do governo anterior: simplesmente jogou no ralo. De forma irresponsável e sem nenhum controle. Uma das razões está na notícia acima. O inchaço da máquina pública reflete-se no descontrole fiscal que o país já ensaia viver no próximo ano. Os aumentos muito acima do crescimento da economia (e às vésperas do calendário eleitoral), foram feitos sem que se diga de onde virá o dinheiro. Das duas uma: ou o governo reduzirá o volume de investimentos no social (e aí se obrigará a reduzir o atendimento do Bolsa Família), ou na infra-estrutura, tornando ainda mais difícil a capacidade do país crescer dentro de suas necessidades imediatas. O que Lula demonstra entre o discurso e o Orçamento que já enviou, é um tremendo estelionato eleitoral.
.
Por isso, o programa de Alckmin é muito mais pé no chão. O tucano sabe que a única forma de buscar oxigênio necessário para um crescimento decente, só será obtido a partir do equilíbrio do gasto público, reduzindo o desperdício o máximo possível. Deste modo, encontrará o caminho necessário para reduzir a carga tributária e os juros básicos. Qualquer discurso fora deste tom é puro discurso. Lula se apercebeu disto. Por isso muda o tom. Ou seja, Lula continua sendo o vigarista da obra alheia ! Mais uma razão para trocar o comandante: aquele que não sabe criar soluções para as dificuldades, que só sabe embarcar na carona dos outros, realmente, não está preparado para dirigir um país como o Brasil. Já se disse várias vezes, mas não custa repetir: o Brasil não é para amadores. A única profissionalização que Lula demonstrou até aqui é a da corrupção. Neste quesito, definitivamente, seu governo é imbatível.