quinta-feira, novembro 23, 2006

A agenda dos milagres.

Por Adelson Elias Vasconcellos
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Temos dito desde que Lula assumiu que ele, rigorosamente, não tem plano governo coisa nenhuma. Seu projeto é o poder, para o poder e pelo poder. O tempo tem demonstrado o quão isto é verdadeiro. Primeiro, precisava afastar os fantasmas de seus discursos do tempo da oposição em que, vagabundamente, nada fez para ajudar, e tudo fez para atrapalhar. Em vários momentos, convenhamos, ele até conseguiu impedir que se fizesse no país reformas e leis necessárias. Há pelo menos quatro ex-presidente prontos a testemunhar a nefasta ação oposicionista que Lula praticou entre 1985 e 2002, quando, finalmente, conseguiu ser eleito presidente.
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Mas havia uma enorme desconfiança que precisava ser afastada. E daí, nada como oito anos de tucanato no poder, promovendo reformas até impopulares mas que serviram para alcançar a tão almejada estabilidade econômica, colocar as contas em dia, recuperar o crédito internacional do país, acabar com a inflação e deixar a casa em ordem. Lula precisava apenas seguir a receita da ortodoxia econômica e não mexer em nada nesta área, porque, afinal, estava dando certo. Até os programas sociais estavam implantados, e havia uma reforma agrária, política de assentamento que tiveram a propriedade4 de diminuir a violência no campo e reduzir as invasões comandadas pelo MST e seus congêneres. Daí para a frente, bastaria Lula aprofundar algumas políticas assistencialistas, que mais tarde se tornaram eleitoreiras, e trabalhar pela manutenção do real sobre-valorizado, que tinha, por um lado, o mérito de manter a inflação sob controle, porém criava uma perigosa armadilha contra algumas cadeias econômicas importantes para o país.
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Porém, o tempo de namoro passou e Lula, reeleito, está chamado, agora, a governar o país com suas próprias pernas. O pífio crescimento econômico do primeiro mandato foi justificado pela razão de que precisava arrumar a casa. Balela claro, mas vingou junto ao eleitorado, principalmente o bem suprido eleitorado dependente do bolsa-família. E nem adiantaram os avisos quanto a armadilha do câmbio. Como também, ninguém deu muita importância para a maior crise da agropecuária dos últimos trinta anos.Como também poucos realmente levaram em conta a grande perda de investimentos produtivos.
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Lula perdeu gorduras. Sua primeira equipe, verdadeira tropa de choque, toda caiu fora. Pouco importam as razões. Lula não confia no PT tanto quanto precisaria. O seu petê aprontou aos montes tanto ao longo do primeiro mandato, quanto ao longo da campanha eleitoral. Sua base de apoio no Congresso fragilizou-se, daí a razão do prolongado namoro e noivado com a ala governista do PMDB. Porém, e aí começam os “poréns” de Lula, o PMDB nunca foi uma amante confiável para governante algum, nem para Sarney, quando o PMDB pôde ser governo. A ganância e a avidez do PMDB por cargos e bônus advindos destes cargos, tem um preço muito alto. E mesmo que atendido, nada garante sua fidelidade ao governo de plantão. Lula sabe disso, e tentou até aqui tanto quanto possível pressionar o PMDB a perder um pouco do seu apetite. Buscou outros apoios, que também mostraram sua verdadeira face fisiológica. Chegou acenar para a oposição, tudo na tentativa de demover o PMDB. Agora, aparentemente, os nubentes chegaram a um acordo. Vai dar namoro, se com fidelidade ou não, nunca se saberá. O tempo irá dizer. As “histórias” de antes, não favorecem muito esta amante impetuosa, mas Lula precisa apostar e acreditar que ela está cansada de varar de um lado para o lado, e que agora sossegará o facho. Pelo menos, ele precisa acreditar que isto é possível.
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Porém, a exigência comum a todos é: “qual a agenda do que Lula pretende fazer nos próximos quatro anos?”.
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Além da cantilena demagógica de que iremos crescer como nunca “dantez neztepaís”, apenas uma ridícula reforma política. Como nos últimos dias Lula tem andado às voltas com problemas surgidos apenas em seu governo, ele precisou acelerar o acordo para criar fato novo que abafasse notícias ruins como o apagão aéreo, as brigas com jornalistas, o discurso vazio de reformas, o ministério que não se define, a sustentação política não confiável, (mas necessária), e algumas derrapadas como o episódio último de decisões e ações pouco recomendáveis ocorridas no âmbito da Petrobrás.