domingo, novembro 26, 2006

Reino da impunidade

Por Plínio Zabeu
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O Brasil é destaque no ranking dos países contaminados pela corrupção. Repetidamente vamos percebendo que, se souber fazer, ter recursos para defensores competentes, planejar muito bem, pode hoje o corrupto desenvolver suas atividades com a maior desfaçatez e total ausência de preocupação. Esta não é uma afirmação leviana. É a conclusão de ilustre Ministro do Supremo Tribunal de Justiça.
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Esperávamos por alguma punição aos acusados com provas cabais e suficientes. Vamos para quase dois anos de investigações. CPIs, PF e MP mostraram. Filmes, aviões, caixas de uísque e cuecas recheados de dinheiro foram exibidos ao mundo inteiro.
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Por falar nisso, alguém sabe em que cadeia está o alto funcionário dos Correios filmado recebendo um pacote com 3 mil reais? Ninguém sabe. Tudo vai indo para conta do esquecimento. Fosse um ladrãozinho de feira e estaria preso mesmo.
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Uma das pérolas foi dita pelo Ministro da Justiça com referência ao último – e por enquanto ainda vivo, mas por pouco tempo – ato apelidado de venda de uns documentos para prejudicar um partido: “Querem saber de uma coisa?
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Esse tal de dossiê nem tinha tanta importância assim. Vá lá. Deixem disso...” Bem. E o dinheiro? Bem. O dinheiro pode bem ser o mesmo encontrado com a filha do senador de duplo endereço. A diferença – de 500 mil reais – fica por conta dos juros daquele tempo para cá.
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Assim sendo, vamos ter certeza de que nenhum dos mensaleiros ou do grupo dos quarenta ladrões – tão bem investigado e mostrado ao país por um corajoso procurador da republica – será punido. Uma das causas é o repulsivo foro privilegiado (esta sim uma herança maldita do governo anterior). Outra é o grande número de acusados. Palavras também de Ministro do Supremo: “É totalmente impossível analisar tantos e tantos processos”. Já bastam os que lotam os diversos setores. São milhares e milhares deles que serão encerrados pela prescrição.
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Mas nossos deputados não param não. Está em andamento mais uma “facada” nas nossas contas. Eles recebem 12.500 mensais fixos (15 salários por ano) e mais outro tanto em “verbas de gabinete e indenizatória”. Cada um deles nos custa 100 mil reais por mês. Mas, para receber tais verbas é necessário guardar recibos e comprovantes de despesas. Isso dá um trabalhão! Trabalho? Essa não. Eis que, dia 22/12 à noite, o salário passará a 25 mil. Sem necessidade de votação em plenário.
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Bem. E o presidente? Continua de nada sabendo...