sábado, junho 16, 2007

A inocência dos lambaris

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

Lula enfim falou sobre Vavá.

Lula disse que a Polícia Federal procurava um cardume de pintados e encontrou um lambari. Ou seja: a PF procurava peixes grandes na rede do tráfico de influência mafiosa dos caça-níqueis e encontrou em Vavá um peixe pequeno.

Segundo o próprio Lula, portanto, seu irmão mais velho é um peixe pequeno da contravenção. E, ainda segundo o presidente da República, Vavá é inocente.

Está consagrada, então, pelo primeiro mandatário, a liberação dos pequenos delitos. Pediu “dois milhão” mas só queria dizer dois mil? Leva. Está liberado.

Segundo Lula, Vavá está “mais para ingênuo do que para lobista”. Entenderam? Não é que ele não seja lobista, mas… Bem, é um lobistazinho. Um lobista matuto e boa gente, quase inofensivo.

E o argumento definitivo do presidente: ele duvida que Vavá tenha conseguido qualquer favor em algum ministério. Isso, segundo Lula, o inocenta.

Doravante, se um batedor de carteira atravessar toda a Avenida Paulista tentando assaltar os transeuntes e chegar ao final sem ter conseguido roubar ninguém, será declarado inocente. Não toquem nele. Ele não fez mal a ninguém. Esperem que ele consiga suas primeiras carteiras para, então, sair correndo atrás dele.

Lambaris, evoluam à vontade por aí. Mas não se atrevam a virar peixes grandes. Está criado o Padrão Vavá de delinqüência. Até essa medida, o crime não é mais crime. É só ingenuidade.