domingo, junho 17, 2007

Pior que os outros, melhor que o Brasil do passado

Carlos Sardenberg, Portal G1
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Diz que uma vez perguntaram a Bertrand Russell: como vai sua mulher?

E ele, cabeça de lógico e matemático, hesita por alguns segundos e pergunta: mas comparando com quem ou com o quê?

Entender é comparar. Como comparar o resultado do PIB, divulgado hoje pelo IBGE?

Utilizando-se as diversas medidas, pode-se dizer que a economia brasileira, no primeiro trimestre deste ano, estava crescendo em um ritmo de 4% ao ano.Entre os países emergentes mais importantes, só é mais forte que o México (2,6%). Mais ou menos no mesmo ritmo que a gente estão Coréia do Sul, Tailândia, Taiwan e Arábia Saudita. Os demais crescem acima dos 5% anuais, a maioria acima dos 6%. No ponta de cima, estão China (11,1%) e Índia (9,1%). Nas previsões para o conjunto deste ano, o Brasil de novo só fica à frente do México.

Comparando o Brasil de hoje com o Brasil do passado recente, o momento atual é superior. Pode-se dizer que o crescimento acelerou do ano passado para cá, embora seja uma modesta aceleração. Em 2006, o PIB cresceu 3,7%. Neste momento, estamos a 4%, talvez já um pouquinho mais.

A conclusão é a seguinte: do jeito que está, com esse PAC e esses pacotinhos, o Brasil cresce acima dos 4%, mas abaixo dos 5%. Está melhor que o passado recente, mas pior do que conseguem os demais países.

Conclusão: estamos nos beneficiando da fantástica onda mundial, mas poderíamos estar fazendo melhor.