José Paulo Kupfer, NoMínimo
Ninguém gostou das medidas oficiais de ajuda a empresas afetadas pelo câmbio valorizado. Nem os setores beneficiados – que as consideraram insuficientes. O pacote de compensação seletiva do câmbio tem, de fato, inconvenientes para todos os lados.
Para começar, passa péssimas mensagens. Parece que o governo está dizendo que não há nada a fazer na política monetária para colocar o câmbio numa posição mais adequada a toda a economia e que, portanto, o negócio é ir quebrando galhos aqui e ali. Reforça também a idéia de que planejamento e longo prazo são expressões fora do dicionário oficial. E permite concluir que a regra da ação governamental é o cala-a-boca pontual e seletivo.
Além disso, do ponto de vista prático, não alivia os calos que realmente apertam o sapato do setor empresarial. O pacote abre umas linhas de crédito a taxas de juros subsidiadas para empresas de pequeno e médio portes, dá uma desonerada fiscal sob a forma de conversão de créditos de impostos em tempo mais curto do que o regulamentar, e facilita o investimento em máquinas e equipamentos de empresas exportadoras.
Política monetária compatível com um câmbio que estimule o exportador a ser competitivo, mas sem sufocá-lo, ao mesmo tempo em que obriga o produtor doméstico a competir com os importados, mas sem esmagá-lo – eis a receita preferencial, de caráter geral, que deveria ser aplicada. Na falta dela, eventuais arranjos pontuais, se de emergência, mesmo sob o risco da produzir discriminação e distorções setoriais, deveriam focar na desoneração da folha de pagamentos e no alívio fiscal.
Ninguém gostou das medidas oficiais de ajuda a empresas afetadas pelo câmbio valorizado. Nem os setores beneficiados – que as consideraram insuficientes. O pacote de compensação seletiva do câmbio tem, de fato, inconvenientes para todos os lados.
Para começar, passa péssimas mensagens. Parece que o governo está dizendo que não há nada a fazer na política monetária para colocar o câmbio numa posição mais adequada a toda a economia e que, portanto, o negócio é ir quebrando galhos aqui e ali. Reforça também a idéia de que planejamento e longo prazo são expressões fora do dicionário oficial. E permite concluir que a regra da ação governamental é o cala-a-boca pontual e seletivo.
Além disso, do ponto de vista prático, não alivia os calos que realmente apertam o sapato do setor empresarial. O pacote abre umas linhas de crédito a taxas de juros subsidiadas para empresas de pequeno e médio portes, dá uma desonerada fiscal sob a forma de conversão de créditos de impostos em tempo mais curto do que o regulamentar, e facilita o investimento em máquinas e equipamentos de empresas exportadoras.
Política monetária compatível com um câmbio que estimule o exportador a ser competitivo, mas sem sufocá-lo, ao mesmo tempo em que obriga o produtor doméstico a competir com os importados, mas sem esmagá-lo – eis a receita preferencial, de caráter geral, que deveria ser aplicada. Na falta dela, eventuais arranjos pontuais, se de emergência, mesmo sob o risco da produzir discriminação e distorções setoriais, deveriam focar na desoneração da folha de pagamentos e no alívio fiscal.
Como veio, o pacote de compensação do câmbio, em resumo, refresca para uns tantos, sem mudar nada na paisagem enevoada por uma política macroeconômica teimosamente burra.