domingo, junho 17, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

O ANÚNCIO CAPENGA DO PIB
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O IBGE divulgou o resultado do PIB no primeiro semestre de 2007, e claro, o fez em grande estilo: 4,3%.

A notícia a seguir, da Redação do Terra, deve estar mexendo com as cabeças coroadas da república, e tem gente ensaiando discurso cretinos para os próximos dias. As, prestem bem atenção porque há detalhes curiosos na informação passada pelo IBGE, e o sobre os quais comentaremos depois.

PIB cresce 4,3% no primeiro trimestre, diz IBGE
Fonte: Redação Terra, Com Reuters
.
A economia brasileira cresceu 4,3% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, e sinalizou força dos investimentos. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira, a expansão frente aos últimos três meses de 2006 foi de 0,8%.

Em valores nominais, o PIB brasileiro nos três primeiros meses do ano somou R$ 596,1 bilhões, ante R$ 539,3 bilhões no mesmo período do ano passado.

"O dado do trimestre chega a 3,2% se anualizado, que é bem em linha com o PIB potencial do país e, com isso, não muda o cenário de inflação", afirmou Alexandre Lintz, estrategista-chefe do BNP Paribas Brasil.

O setor de serviços teve o melhor desempenho na comparação entre o primeiro trimestre e os últimos três meses de 2006, com avanço de 1,7%. A indústria, na mesma comparação, cresceu 0,3%, enquanto a agropecuária caiu 2,4%.

A formação bruta de capital fixo, uma medida de investimentos, cresceu 7,2% em relação a igual período do ano passado. O avanço foi explicado, principalmente, "pelo aumento da produção e da importação de máquinas e equipamentos", segundo o IBGE.

Investimento
A taxa de investimento do País ficou em 17,2% do PIB no primeiro trimestre deste ano, a mesma do primeiro trimestre de 2006.

A taxa de poupança nos primeiros três meses deste ano alcançou 17,4% do PIB, a mais alta desde o primeiro trimestre de 2004.

Muito bem, quem lê a manchete já imagina o país crescendo um monte, não é mesmo ? Mas vamos devagar, que a coisa não é bem assim. Primeiro, que esta medição do IBGE já é feita pelo novo sistema de cálculo do PIB empregado pelo IBGE a partir deste ano. Portanto, tende a ser maior, em razão do cálculo mais conservador de antes. Segundo, e aí é que mora o detalhe, vejam lá na informação do terceiro parágrafo: quando anualizada, a taxa de crescimento bate na casa de 3,2%, o que fica dentro da média de crescimento, considerando-se já a média recalculada pela nova metodologia empregada. Se considerarmos ainda que os crescimentos dos PIBs dos demais países emergentes, em igual período, foi superior a 4,5% na média, chega-se a conclusão de que ainda estamos patinando. Claro que o presidente tratará deste número com o maior carinho, vai cantar loas a política econômica do governo, que nunca dantez na história deste país, que o PAC aqui, o pac acolá, etc, etc, etc. Ora, o pac continua onde sempre esteve até aqui: empacado, não saiu do lugar. Portanto, nenhum número de crescimento, seja para mais ou para menos, terá sentido efeito de algo que sequer saiu do papel. Mais: o crescimento anualizado de 3,2% pouco acrescenta à média do ridículo crescimento do período Lula. E claro, vamos aguardar um pouco mais para ver os números apresentados pelos demais emergentes, porque aí sim, poderemos traçar um comparativo mais adequado quanto ao número que o IBGE anunciou.

Claro que se deseja que o país cresça o mais que puder. Melhora o emprego, melhora a renda, a vida de todos fica melhor. Mas em nome desta expectativa não podemos também nos iludirmos e ver paraísos em cenários ainda insólitos. Sabemos que o país poderia e pode muito mais do que vem registrando, que a economia internacional abre uma estrada animadora e de expectativa e afirmação para um crescimento maior. Tanto é que a América Latina, como um todo, acusa crescimento bem maior do que o nosso. Os demais emergentes apresentaram médias de crescimento superiores quase o dobro da nossa. Temos riqueza, temos potencial e o mercado está receptivo. Além disto, e somente a partir do Plano Real, o Brasil realizou muito no campo de superar suas próprias dificuldades internas, atingiu a estabilidade seguindo um roteiro traçado ainda em 1994, e que Lula deu seguimento, e teve méritos nisto. Porém, o chão a percorrer ainda é muito longo. Apenas mudar a metodologia de cálculo do PIB, para que o número fique e pareça mais gordo, pode servir ai discurso demagógico do político oportunista perante seus eleitores, cuja imensa maioria não convive com os “detalhes” da informação, e sequer ^tem domínio das sutilezas da ciência econômica. Porém, para aquele bem informado, o número se pode parecer animador por dar mostras de que estamos perseguindo um alvo positivo, ainda é preocupante na medida em que na comparação com os demais países emergentes, parece estarmos perdendo oportunidades para fazer mais.

Portanto, antes foguetes, um pouco de cautela seria o mais prudente. Aguardemos as informações das taxas de crescimento dos demais países para melhor avaliação final. Só esta comparação nos permitirá deduzir se o cre4scimento é motivo de comemoração ou de preocupação. Isoladamente, ele provoca euforia apenas nos desavisados e oportunistas. Mas isto, como sabemos, não enche o nosso bolso.