segunda-feira, junho 11, 2007

Ppp: Parceria Público-Privada Ou Pensão Paga Com Propina?

por Glauco Fonseca, Blog Diego Casagrande
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Com muita razão, as pessoas se incomodam com a hipótese de serem grampeadas. A invasão da privacidade é um delito que merece repúdio. Há casos, entretanto, em que tais moralidades não funcionam e com direito a respaldo da lei e tudo mais. O caso mais em tela é quando um determinado sujeito assume cargo público e sobre ele recaem suspeitas de malversação do dinheiro do povo.
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Ao adotar a vida pública, qualquer um deveria saber que os assuntos que são tratados através de telefone, e-mail e outras formas de comunicação, que não seja da boca direto para a orelha e vice-versa, podem ser de interesse público. É claro que ninguém de nós tem direito de saber, via grampos, de assuntos de alcova de um Deputado Federal ou das preferências sexuais de um Senador. Não se pode achar correto que um representante eleito pelo povo seja responsabilizado por conta de suas sapequices debaixo dos lençóis.
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Ao ser comprovadamente verdade que uma pensão alimentícia era paga a uma amante de um político casado através de um diretor de uma empreiteira, tem-se, aí, o caso mais estabanado de adultério misturado com indício de corrupção e patetada geral sem qualquer precedente. Renan Calheiros, mesmo que seja absolutamente inocente de tudo, demonstrou ser um gestor atrapalhado de sua via amorosa, política, financeira e paterna. Ora, onde já se viu misturar amigo de empreiteira com pensão paga por fora?
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O Senador Renan tem direito de namorar aquela jornalista, de ter 50 filhos com ela, de levar a esposa dele para fazer claque no Senado na hora do pau comendo, de ter amigo em empreiteira. Só não tem o direito de achar que vamos engolir tudo sem pelo menos um golinho de Romaneé-Conti.
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Assim como um cara chamado Zuleido, que depois de encher as burras de dinheiro decidiu parar de pagar a propinagem e deixou furar o negócio, Renan Calheiros, sem querer-querendo, deixou cair a peteca quando parou de prestar atenção à situação estapafúrdia que ele próprio criou e cansou de administrar. Se não há bem que dure sempre, também não há mal que nunca se acabe.
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Eu, que tinha certeza de que ninguém superaria Severino, errei. O caso de Renan Calheiros é, acima de tudo, um vexame, uma comédia pastelão que faz brotar sorrisos amarelos de constrangimento. Comprovando-se as suspeitas, a coisa é tão vexatória - um pai pagando pensão com propina - que Severino Cavalcanti está absolvido.
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Ao se comprovar a história da Veja, posso até perdoar a propina (já perdoei tanto...). Agora, não posso perdoar Senador da República pagando pensão alimentícia com propina. Isto não é coisa de cabra de bem.