Ana Maria Tahan, Jornal do Brasil
Dono, há quatro anos e meio, da faixa presidencial, o torneiro-mecânico Luiz Inácio Lula da Silva não entendeu ainda que foi eleito para tornar o Brasil um país mais equânime, mais desenvolvido e menos preconceituoso. Ganhou votos de todos, de miseráveis a donos de fortunas planetárias. Gente que o elegeu não porque nasceu em Garanhuns de família humilde, mas trabalhadora. Nem porque subiu na vida com cursos técnicos, ganhou profissão, se fez sindicalista e, depois, político fundador de partido. Mas, sim, porque confiou nele e acreditou na sua profissão de fé por um país que caminharia para reduzir a distância entre pobres e ricos, estimularia o investimento, abriria postos de trabalho, destinaria fartos recursos para saneamento básico, educação e saúde. Cuidaria de estradas, portos, aeroportos, hidrovias. Fortaleceria, enfim, a infra-estrutura. E por aí afora.
Desde o primeiro mandato, contudo, o presidente reconduzido por 58 milhões de eleitores ao comando da nação (outros 37,5 milhões preferiram o adversário tucano Geraldo Alckmin), insiste em imergir no atoleiro do confronto de classes. De um lado, a elite, que sempre joga contra. De outro, o pobre, aquele para o qual ele diz governar e se considera ungido. Elite, ensina mestre Aurélio, é o que há de melhor na sociedade ou num grupo. Ou, na tradução sociológica, minoria constituída de indivíduos mais aptos e/ou poderosos. Pobre é aquele que não tem o necessário à vida.
Na definição palanqueira do presidente Lula, a elite resume-se aos poderosos que jamais passaram fome, estudaram em bons colégios particulares, chegaram à universidade, têm dinheiro em aplicações financeiras e viajam para o exterior. Pobres são os que lutam para ter algo de comer, se estudam o fazem em escolas públicas e raramente completam cursos superiores. Os primeiros, ensina o seguidor brasileiro de Hugo Chávez, são algozes. Os outros, vítimas.
De tanto repetir, com diferentes ênfases, a cantilena, o chefe de Estado foi conquistando adeptos. O último, o governador do Rio, Sérgio Cabral. Na semana passada, entoaram a baboseira unidos. Cabral pediu para a platéia apupar os 12 estudantes que ensaiaram uma vaia, fantasiados com narizes de palhaço. Taxou-os de pequeno-burgueses. Lula veio em seu socorro e decifrou-os: eram desprovidos de consciência política. Ambos estavam errados. Os jovens irreverentes apenas exerciam uma garantia que lhes dá a Constituição: a manifestação de opinião (mesmo que de forma nada diplomática ou mesmo mal-educada).
O presidente Lula e seus aliados de ocasião precisam aprender que nem todo brasileiro da elite é culpado. Nem todo pobre é inocente. Os bons e maus habitam em todas as classes sociais, em todas as cidades, nas zonas rurais, na profundeza da selva amazônica, nos planaltos e nas planícies. Os eleitos para o principal gabinete do Palácio do Planalto não são votados para representar apenas uns ou outros. Mas todos. A retórica da separação de classes desrespeita o resultado das urnas, denigre quem a adota e divide um Brasil que só será grande quando conseguir diminuir significativamente a distância entre ricos e miseráveis. E tal desafio só se vence com investimentos em educação, da pré-escola à universidade. E além, com o financiamento de bolsas de estudo no exterior para aqueles que o país dotou de conhecimentos e dos quais precisa para avançar. Não importa se passaram fome na infância ou se cresceram em torno de mesas fartas. Vale apenas que são brasileiros. De corpo e alma.
Dono, há quatro anos e meio, da faixa presidencial, o torneiro-mecânico Luiz Inácio Lula da Silva não entendeu ainda que foi eleito para tornar o Brasil um país mais equânime, mais desenvolvido e menos preconceituoso. Ganhou votos de todos, de miseráveis a donos de fortunas planetárias. Gente que o elegeu não porque nasceu em Garanhuns de família humilde, mas trabalhadora. Nem porque subiu na vida com cursos técnicos, ganhou profissão, se fez sindicalista e, depois, político fundador de partido. Mas, sim, porque confiou nele e acreditou na sua profissão de fé por um país que caminharia para reduzir a distância entre pobres e ricos, estimularia o investimento, abriria postos de trabalho, destinaria fartos recursos para saneamento básico, educação e saúde. Cuidaria de estradas, portos, aeroportos, hidrovias. Fortaleceria, enfim, a infra-estrutura. E por aí afora.
Desde o primeiro mandato, contudo, o presidente reconduzido por 58 milhões de eleitores ao comando da nação (outros 37,5 milhões preferiram o adversário tucano Geraldo Alckmin), insiste em imergir no atoleiro do confronto de classes. De um lado, a elite, que sempre joga contra. De outro, o pobre, aquele para o qual ele diz governar e se considera ungido. Elite, ensina mestre Aurélio, é o que há de melhor na sociedade ou num grupo. Ou, na tradução sociológica, minoria constituída de indivíduos mais aptos e/ou poderosos. Pobre é aquele que não tem o necessário à vida.
Na definição palanqueira do presidente Lula, a elite resume-se aos poderosos que jamais passaram fome, estudaram em bons colégios particulares, chegaram à universidade, têm dinheiro em aplicações financeiras e viajam para o exterior. Pobres são os que lutam para ter algo de comer, se estudam o fazem em escolas públicas e raramente completam cursos superiores. Os primeiros, ensina o seguidor brasileiro de Hugo Chávez, são algozes. Os outros, vítimas.
De tanto repetir, com diferentes ênfases, a cantilena, o chefe de Estado foi conquistando adeptos. O último, o governador do Rio, Sérgio Cabral. Na semana passada, entoaram a baboseira unidos. Cabral pediu para a platéia apupar os 12 estudantes que ensaiaram uma vaia, fantasiados com narizes de palhaço. Taxou-os de pequeno-burgueses. Lula veio em seu socorro e decifrou-os: eram desprovidos de consciência política. Ambos estavam errados. Os jovens irreverentes apenas exerciam uma garantia que lhes dá a Constituição: a manifestação de opinião (mesmo que de forma nada diplomática ou mesmo mal-educada).
O presidente Lula e seus aliados de ocasião precisam aprender que nem todo brasileiro da elite é culpado. Nem todo pobre é inocente. Os bons e maus habitam em todas as classes sociais, em todas as cidades, nas zonas rurais, na profundeza da selva amazônica, nos planaltos e nas planícies. Os eleitos para o principal gabinete do Palácio do Planalto não são votados para representar apenas uns ou outros. Mas todos. A retórica da separação de classes desrespeita o resultado das urnas, denigre quem a adota e divide um Brasil que só será grande quando conseguir diminuir significativamente a distância entre ricos e miseráveis. E tal desafio só se vence com investimentos em educação, da pré-escola à universidade. E além, com o financiamento de bolsas de estudo no exterior para aqueles que o país dotou de conhecimentos e dos quais precisa para avançar. Não importa se passaram fome na infância ou se cresceram em torno de mesas fartas. Vale apenas que são brasileiros. De corpo e alma.