domingo, setembro 09, 2007

ENQUANTO ISSO...

Crise aérea acabou, diz Anac

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) divulgou nesta sexta-feira um estudo sobre os vôos brasileiros com o objetivo de tentar provar que a crise aérea acabou. Segundo o órgão, a média em setembro de 2006 era de 15% de atrasos e 12% de cancelamentos nos aeroportos de todo País, enquanto em agosto a média dos atrasos ficou entre 5% e 7% e os cancelamentos em 10%.

O comunicado da agência considera que a situação nos aeroportos, além de ter se normalizado, "melhorou muito" em comparação com o período anterior ao acidente com o avião da Gol – considerado o estopim para a crise. A Anac diz que a situação melhorou após investimentos em infra-estrutura aeronáutica e à contratação de novos controladores de vôos.

Contudo, o índice de atrasos voltou a ser elevado no feriado de independência. Dos 1.034 vôos programados em todo País, 138 (13,3%) apresentaram atrasos superiores a uma hora e 169 (16,3%) foram cancelados.

Enquanto isso...

Jobim rebate Anac e diz que crise aérea não foi superada
Agência Brasil

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse neste sábado que a crise aérea não foi superada, ao contrário do que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgou ontem. Jobim disse que ainda há uma série de problemas no setor e que "serão resolvidos pela nova Anac".

Ontem, a Anac divulgou números para reforçar a fala do presidente da agência, Milton Zuanazzi, de que a crise aérea havia acabado para o usuário. Segundo informações divulgadas pela agência, a média em setembro de 2006, depois do acidente com o avião da Gol, era de 15% de atrasos e 12% de cancelamentos nos aeroportos de todo País. Em agosto, a média dos atrasos ficou entre 5% e 7% e os cancelamentos em 10%.

"A crise aérea não está superada. Temos uma série de problemas a serem resolvidos e serão resolvidos pela nova Anac. Já caminhamos grandemente para o problema da segurança, que era o primeiro objetivo de nossa administração. Agora temos de caminhar para o regime da pontualidade", disse Jobim.

O ministro participou de uma parada naval na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em homenagem aos 200 anos de nascimento do Almirante Tamandaré, patrono da Marinha.

Outra idéia defendida pelo ministro é a cobrança de tarifas diferenciadas para privilegiar aeroportos com menos movimento, em relação a outros já saturados.

"Vamos trabalhar com uma hipótese que o presidente (Lula) está aceitando, de privilegiarmos aeroportos pela via das taxas aeroportuárias. E entre estes objetivos, está o Galeão, que será privilegiado. Se alguém quiser embarcar em Congonhas, a taxa aeroportuária será superior a de Cumbica (Guarulhos), para atender a necessidade de descompressão da malha aérea", afirmou.

Retratos da crise que não acabou

Vôo da Gol: caos no ar e no solo

O vôo 1716 da GOL com destino a Natal e escala no Recife, programado para sair de Brasília nesta quinta (6) às 21h40, só levantou vôo às 23h50. A primeira hora de atraso não foi justificada. Já a segunda...

Quando a aeronave já taxiava o piloto avisou que havia um defeito e o avião retornou. Alguns minutos, e o piloto deixou a cabine. Foi falar direto com os passageiros. Declarou que havia um problema na luz do velocímetro. E era necessária a presença dos mecânicos. Outras duas vezes o piloto anunciou que os técnicos ainda tentavam resolver o problema. De repente, o piloto mandou que os passageiros desembarcassem e buscassem orientação no balcão da GOL.

"Outro avião está sendo providenciado", informou.

Quando muitos já estavam com a bagagem de mão, prontos para desembarcar, o irrequieto piloto disse que a falha tinha sido detectada. O avião estava pronto para levantar vôo.

"Peço só um pouco de paciência, porque agora vamos reabastecer a aeronave. O tempo que ele ficou parado consumiu muito combustível..."

Dá para acreditar? Uma senhora, exasperada com a desinformação reinante, deu de cara com um dos mecânicos e esperneou: "Só viajo se o senhor viajar, também...

"Minha senhora, tenho que ficar aqui. Se outro avião tiver problema tenho que estar por perto", retrucou o mecânico.

Convencida, a senhora embarcou, sob protesto. O avião chegou ao Recife às 02h30 desta sexta. É o apagão aéreo que Lula resiste em pôr um fim.

Congonhas e Santos Dumont cancelam mais de 30% dos vôos
Do G1, em São Paulo

Infraero registrava média nacional de cancelamentos de 16,4% até as 17h.Em Congonhas, 47 (34,6%) vôos foram cancelados até esse horário.

A situação dos aeroportos está tranqüila. Segundo balanço da Infraero, da 0h até as 17h deste sábado (8), dos 1069 vôos previstos, 40 (3,7%) sofreram atraso superior a uma hora e 175 (16,4%) foram cancelados.

Em Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, dos 136 vôos programados das 6h até as 17h, 1 (0,7%) estava atrasado e 47 (34,6%) haviam sido cancelados.

A pista principal de Congonhas voltará a operar no horário normal na noite deste sábado (8), de acordo com a Infraero. Desde o dia 16 agosto, quando recomeçou a aplicação de ranhuras, a pista era fechada às 22h e abria às 8h. Esta noite, ela volta a parar de operar às 23h e abrirá às 6h no domingo (10) - o mesmo horário da pista auxiliar.

No aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, dos 140 vôos programados, 5 (3,6%) sofreram atrasos e 9 (6,4%) foram cancelados.

No Galeão, no Rio, das 104 partidas previstas, 4 (3,8%) estavam atrasadas e 13 (16,4%) haviam sido canceladas. No Santos Dumont, dos 35 vôos, 11 (31,4%) foram cancelados e não foi registrado atraso.