sábado, outubro 13, 2007

Europa pressiona País para maior controle fitossanitário

GENEBRA (Suíça) - A Comissão Européia alerta que o prazo para que o Brasil coloque seu sistema de controle fitossanitário em ordem está acabando e que, se nada for feito até o final do ano, barreiras e até mesmo um embargo pode ser imposto sobre a carne nacional. O recado foi dado ontem pelo comissário de Saúde da UE, Markus Kyprianou.

Ele também deixou claro que fará esse alerta ao ministro da Agricultura do Brasil, Reinhold Stephanes, em um encontro decisivo na próxima semana, em Bruxelas. Na Europa, um novo relatório feito pelos produtores irlandeses argumenta que o setor perderá US$ 2,7 bilhões por ano se o mercado for aberto à carne brasileira.

Segundo apontam, o vírus da febre aftosa pode estar entrando "silenciosamente" no mercado europeu pelas exportações do Brasil. "Identificamos problemas no Brasil e estamos pressionando o País a corrigi-los. Se a situação não melhorar até o final deste ano, tomaremos as medidas que sejam necessárias, incluindo um embargo", disse Kyprianou.

As declarações foram feitas perante deputados europeus que insistem que a UE deve aplicar de forma imediata o embargo diante das suspeitas de febre aftosa. "Não hesitaremos em tomar medidas, seja qual for o impacto para o comércio", disse. O alerta também será dado à Stephanes, que viaja no dia 17 para a capital européia. "O prazo está se esgotando para que o Brasil corrija suas deficiências", afirmou um assessor do comissário.

O prazo havia sido estabelecido em maio como um última chance para que o País colocasse em ordem seu controle fitossanitário. Uma missão de veterinários será enviada ao Brasil no próximo mês para que haja um vistoria final. Kyprianou, apesar de ser pressionado pelos deputados, alega que não tomará uma decisão com base econômica, mas sim científica. O que cobrará de Stephanes é de que o Brasil garanta que a carne que é enviada ao mercado europeu respeite o sistema de rastreamento do gado.

O lobby contra a carne brasileira vem principalmente dos ingleses e irlandeses, os mais afetados hoje pela entrada do produto nacional no mercado europeu. As associações de produtores dessas países conseguiram convencer deputados a coletar assinaturas para que o Parlamento tome a decisão de vetar o produto brasileiro.

A Comissão, porém, aponta que, por enquanto, o grupo reuniu apenas 39 assinaturas e que precisaria de mais de 350. Ontem, deputados conservadores voltaram a pedir um embargo. "Até quando é que Kyprianou vai esperar para tomar uma medida contra o Brasil?", questionou Liam Aylward. Neil Parish e Alyn Smith também pediram o embargo, lembrando que relatórios de produtores irlandeses apontaram as deficiência do Brasil. "Não aceitamos as conclusões do relatório irlandês. Temos de dar tempo ao Brasil", respondeu Kyprianou.

Avaliação
Na semana passada, outro estudo foi entregue à Comissão Européia pelos produtores britânico, alegando que avaliação de Bruxelas sobre a carne brasileira era inadequada. "É provável que uma proporção desconhecida de carne aprovada na UE vinda do Brasil possa ter o vírus da aftosa em uma forma silenciosa." Ontem, alguns deputados portugueses e espanhóis atacaram a idéia dos deputados irlandeses de impor o embargo e saíram em defesa do Brasil.

Kyprianou não descarta embargar toda a carne brasileira e se comprometeu a voltar ao Parlamento após a vistoria no Brasil em novembro. Mas seus veterinários alertam que essa medida não seria a mais realista. Se as correções não forem realizadas no sistema brasileiro, o que pode ser implementado é uma série de medidas de controle e mesmo barreiras a estabelecimentos ou regiões específicas que tenham violado as normas.

Com o preço dos alimentos pressionando a inflação na Europa hoje, um embargo à carne brasileira geraria um importante impacto econômico no bloco. O Brasil já é o maior exportador de carne do mundo e o principal fornecedor ao mercado europeu. Isso mesmo diante de um embargo imposto sobre a carne de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.