sábado, fevereiro 23, 2008

Embargo à carne brasileira na Europa: a repetição de velhos erros

Adelson Elias Vasconcellos

A última edição da Revista Exame, traz um artigo do JR.Guzzo e uma reportagem de Roberta Paduan ambas tratando do mesmo tema, no caso, o embargo à importação de carne brasileira decretada pela Comunidade Européia.

E nesta briga de foice, que se arrasta desde 2007, o fato é que, por um lado, produtores brasileiros menosprezaram as naturais barreiras sanitárias dos europeus achando que eles poderiam ser “enrolados” tal qual como ocorre no Brasil e, por outro prisma, é bom sabermos que a falha ocorreu de parte das autoridades brasileiras por se comportarem de forma displicente. E, o que é triste, isto não é um fato isolado. Há muito os governantes brasileiros deveriam ter assumido outra postura. Primeiro, porque esta explosão da carne brasileira no mercado internacional passou a ocorrer, coincidência ou não, por problemas na produção pecuária argentina, antes a maior exportadora mundial. Ali, as falhas da fiscalização sanitária conjugadas com os problemas econômicos que os argentinos penaram duramente, abriram as portas para a produção brasileira. Assim, se problemas econômicos não nos afligem, pelo menos deveríamos ter sido mais prudentes no tocante a sanidade do rebanho. Deveriam nossas autoridades ter se alertado ainda mais quando ocorreram casos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo há questão de 2 anos atrás. Mas o quê, esta gente acha que o trololó com que agem internamente pode ser aplicado como regra geral nas relações externas. E não se venha aqui apelar para o protecionismo de ingleses e irlandeses. Certos eles estão em querer resguardar seus interesses. Errados estamos nós em permitir que oferecêssemos argumentos para eles aplicarem seu embargo.

E, como sempre, o governo federal, comandado pelo senhor Luiz Inácio, joga nas costas dos outros as culpas de seu desleixo e incompetência.

Na reportagem de Roberta Paduan fica claro que a falha no controle sanitário do rebanho brasileiro “era tudo os produtores europeus esperavam para fortalecer seu lobby protecionista contra o Brasil”. E melhor faria o senhor Luiz Inácio se, ao invés de apelar para a desculpa torta da “vaca louca européia”, se preocupasse mais com a farra louca da nossa pouca vigilância sanitária.

Quanto à análise do Guzzo, ele olha o espectro do protecionismo europeu, razão maior para que o governo brasileiro agisse de forma mais cautelosa e prudente. O que, por certo, seria esperar demais para um governo que sempre tratou os pecuaristas como “gigolôs de vaca” e ainda os responsabiliza pelo desmatamento da Amazônia, esquecendo que, antes dele, quem desmata são os madeireiros, principalmente estrangeiros. Boi não come árvore !!!

A seguir, as matérias da Exame.