sábado, fevereiro 23, 2008

É muito bom. Pena que vai durar pouco

Adelson Elias Vasconcellos.

É o Jornal do Brasil quem faz o alerta, e a ser verdadeira a versão de que Lula foi avisado de que voltaremos a ter dívida externa acima das reservas do país, se poderá entender porque o Planalto, e todo seu aparato cretino-publicitário ainda não soltou rojões e discursos canalhas para comemorar o fim da dívida externa.

Claro que o senhor Luiz Inácio, ao seu melhor estilo, soltou em meio ao discurso na visita que faz à Argentina, uma farpinha de que poderemos voltar a nos endividarmos, e que ela seria aplicada na infra-estrutura do Brasil.

Bem, seja como for, as contas externas do país nunca estiveram bem. Poderiam até ser melhores, não fosse este governo tão incompetente. Explico: ao permitir que o real se valorize frente ao dólar da forma como tem acontecido, o país deixa de arrecadar bilhões em exportações. Nossa balança comercial até poderia ser mais dinâmica. E esta dívida há muito poderia estar paga.

Mas há o outro lado. Não foram apenas as divisas provenientes das exportações que cobriram esta dívida. É bom saber que, grande parte daquele montante, é fruto de uma ação patrocinada pelo Banco Central trocando dívida externa mais barata por dívida interna mais cara. Outra não é a razão para, no período Lula, ela já ter mais do que duplicado.

Vale ainda observar que Lula no poder contrariou não apenas o Lula candidato eterno, mas toda a filosofia esquerdopata que sempre pregou a moratória da dívida externa. Como também é bom ressaltar que chegamos a esta situação esplêndida graças a duas ações do governo FHC, da qual Lula se tornou o governante beneficiado, e claro, o país acaba sendo favorecido do mesmo modo pela própria conjuntura econômica mundial dos últimos cinco anos. Primeiro, a renegociação da dívida feita por Pedro Malan que permitiu não apenas recuperarmos a credibilidade internacional jogada no lixo pelo ex-presidente Sarney, mas ainda ter oxigênio suficiente para atravessarmos todo este período com credibilidade suficiente para enfrentar e superar as turbulências ocorridas no final dos anos 90. Cinco crises internacionais gravíssimas não é pouca coisa, e mesmo assim passamos bem e sem comprometer a estabilidade econômica atingida e conquistada pelo Plano Real.

Lula teve méritos em não mexer na equação da macroeconomia arquitetada, executada e montada pelo governo FHC. Assim, respeitou os pilares básicos da estabilidade: metas de inflação, superávit primário e câmbio flutuante. Claro que tudo isso se atingiu a partir do equilíbrio das contas públicas que, dentre inúmeras ações corretivas, acabou com a farra dos bancos estaduais, privatizou tudo aquilo que não era missão básica do Estado e estabeleceu uma política monetária que assegurou o fim da inflação.

Ou seja, o mérito de Lula foi não ter sido o inconseqüente candidato Lula e não seguir as “receitas’ do petismo anacrônico. O resultado aí está, um país que, se ainda tem problemas estruturais e por isso mesmo padece com um ritmo de crescimento que poderia ser maior e melhor, por outro, navega tranqüilo no mar da robustez de sua economia.

Quanto à declaração do senhor Luiz Inácio de que estaria hora de nos endividarmos novamente, e esta dívida seria aplicada na sucateada infra-estrutura nacional , também comprova que todas aquelas metas anunciadas com tanta pompa e circunstância em relação ao pacs federais, eram pura fantasia. Muitos dos projetos ou são antigos e já estavam em andamento, ou estavam em compasso de montagem. Porque, senhores, basicamente, nada há de novo nos pacs de Lula e que ele não houvesse recebido.

E, considerando-se a incrível falta de projetos do governo atual, seria impossível, pelo menos há um ano atrás, o Brasil capitanear na forma e com os recursos anunciados, aquele pacote fantasioso e mentiroso. Com recursos externos talvez. Porém, precisamos ainda tornar as regras claras e seguras, coisa que até aqui sequer é possível sonhar.

A seguir, a reportagem do Jornal do Brasil.

É louvável para a História do país a notícia de que, pela primeira vez, o Brasil passou a ser credor internacional. O país vive, realmente, uma ótima fase na economia - movida pelo consumo interno e pelas exportações, com saldo positivo.

Na segunda-feira, o Banco Central anuncia oficialmente a boa nova. "Nunca antes na História deste país...", lá diz o bordão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, opa, por que, neste momento tão importante, Lula não vai à TV em rede nacional avisar à população que saímos do SPC internacional?

Uma transação bilionária mudará o cenário. Semana que vem, pode ser fechado o negócio da compra da mineradora suíça Xstrata pela Vale. Roger Agnelli, presidente da mineradora, já havia alertado isso a Lula em um jantar no Rio. Fechada a compra, a dívida externa volta, porque a negociação será em moeda estrangeira, uns US$ 50 bilhões. Ou seja, o país volta a depender do consumo familiar e das vendas externas. No vaivém, o que não se pode negar é que o Brasil vai muito bem. Lula já sonhava em anunciar isso em qualquer momento de seu mandato.