Adelson Elias Vasconcellos.
A questão "diplomática" (ou falta dela), envolvendo brasileiros cujo visto entrada em países como Estados Unidos, México (conforme noticiamos nesta semana), Itália, Reino Unido e França,não é recente. Há muito tempo que levas de brasileiros, de todas as idades e condições econômicas têm enfrentado este tipo de problema.
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Normalmente, em situações como estas, o que se espera, minimamente, é que os serviços consulares possam estar atentos e, se não for possível contornar o visto negado pelos serviços de imigração, pelo menos prestem assistência para que o repatriamento e deportação se dêem dentro de certos parâmetros de civilidade e respeito.
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A questão com a Espanha não é recente, e tampouco a Espanha é o país onde o fato tem acontecido com maior quantidade de brasileiros deportados. Talvez o Reino Unido, dentre todos os países da Comunidade Européia, seja onde o maior número de brasileiros não conseguem obter visto de entrada.
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Ninguém pode ignorar que, muitas vezes, a deportação se dá por inteira razão legal. Talvez quanto à Espanha não se possa recriminar a atitude de suas autoridades quanto ao exato cumprimento da lei. Inadmissível, contudo, é o tratamento preconceituoso e desrespeitoso que têm ocorrido.
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Mas, não se pode ignorar, por outro lado, que esta situação também só é possível por total descaso dos serviços consulares brasileiros lotados nestes países.
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Desde que o assunto em relação à Espanha tomou conta do noticiário, deveria o Itamaraty ter agido e ordenado que nosso Embaixador na Espanha acompanhasse de perto o caso, tal como ocorreu com os espanhóis na Bahia, cujo cônsul lá estava presente para defender seus cidadãos, para que eles fossem tratados com respeito e dignidade. Pelo lado brasileiro, sabemos, isto nunca ocorreu, em lugar nenhum do mundo. Brasileiro em viagem ao exterior, a trabalho ou a passeio, terá que se virar sem poder nunca contar com esta assistência.
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Nesta semana, o Itamaraty informou que a situação será tratada, no campo diplomático, com as autoridades espanholas logo após a Páscoa.
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Na notícia a seguir, conhecemos uma brasileira que, hoje, está fazendo exatos 6 dias que se encontra retida no aeroporto do Madrid. Todos os grandes jornais já divulgaram o caso, e tanto quanto se saiba, até agora ninguém da diplomacia brasileira, aqui ou lá na Espanha, se interessou em assistir à moça. Será que ela terá que esperar até o término da Páscoa para ter sua situação regularizada ? Esperamos que não. Mas, não me engano em afirmar que, o que o Itamaraty fará será um acordozinho fajuto, apenas para que o noticiário saia das páginas dos jornais. Porém, a falta de assistência da embaixadas brasileiras no exterior, assim como os serviços consulares, continuarão dando as costas para os brasileiros, tanto como temos visto no Reino Unido e Itália, quanto agora recentemente no México.
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Seria interessante que o Itamaraty, de quem um dia nos orgulhamos muito, cumprisse também esta sua função. Quem sabe se o ministro Amorin se dedicasse a "negociar" menos com tiranetes e cretinos ditadores latinos, apenas por serem "de esquerda", e prestassem uma atenção melhor para a assistência aos brasileiros em viagem ao exterior, seja para negócios, estudo ou mesmo turismo, talvez a imagem do Itamaraty junto ao povo a quem deveria servir, melhorasse um pouco.
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Até quando os brasileiros continuarão abandonados pelo Itamaraty lá fora, ministro Amorin ?
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A seguir, o caso da brasileira Janaína que mereceu do jornal espanhol "El Mundo" melhor atenção do que das autoridades brasileiras. Vergonhoso !!!
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Viajar à Espanha virou pesadelo para brasileiros, diz 'El Mundo'
Efe
Jornal espanhol critica tratamento dado a brasileiros e cita caso de Janaina Agostinho, detida há 3 dias no país
Janaína viajou para visitar o 'noivo', diz jornal
SÃO PAULO - O jornal espanhol El Mundo saiu em defesa da brasileira Janaína Agostinho, 27, que viajou a Madri, na Espanha, para ficar vinte dias com o noivo, mas foi barrada no aeroporto de Barajas há três dias." A viagem que era para ser dos sonhos virou pesadelo. Ir à Espanha agora é uma tortura para os brasileiros", diz a reportagem desta quinta-feira, 13.
Fontes oficiais brasileiras disseram ao estadao.com.br que a volta de turistas ao país depende "de uma vaga no primeiro vôo de volta. Segundo eles, o direito internacional é muito "desprotegido" nestes casos.
Segundo o jornal, Janaína chegou no dia 10, no vôo 700 da Air Comet, com passaporte em dia, 540 euros reserva de hotel, carta-convite e passagem de volta, mas, diz a reportagem, "isso não pareceu suficiente para a polícia". Ela está detida na "sala 3" do aeroporto sem contatos com autoridades brasileiras.
Efe
Jornal espanhol critica tratamento dado a brasileiros e cita caso de Janaina Agostinho, detida há 3 dias no país
Janaína viajou para visitar o 'noivo', diz jornal
SÃO PAULO - O jornal espanhol El Mundo saiu em defesa da brasileira Janaína Agostinho, 27, que viajou a Madri, na Espanha, para ficar vinte dias com o noivo, mas foi barrada no aeroporto de Barajas há três dias." A viagem que era para ser dos sonhos virou pesadelo. Ir à Espanha agora é uma tortura para os brasileiros", diz a reportagem desta quinta-feira, 13.Fontes oficiais brasileiras disseram ao estadao.com.br que a volta de turistas ao país depende "de uma vaga no primeiro vôo de volta. Segundo eles, o direito internacional é muito "desprotegido" nestes casos.
Segundo o jornal, Janaína chegou no dia 10, no vôo 700 da Air Comet, com passaporte em dia, 540 euros reserva de hotel, carta-convite e passagem de volta, mas, diz a reportagem, "isso não pareceu suficiente para a polícia". Ela está detida na "sala 3" do aeroporto sem contatos com autoridades brasileiras.
A detenção ocorre em um momento no qual as relações bilaterais entre Brasil e Espanha estão estremecidas devido aos problemas que cidadãos dos dois países têm enfrentado nas últimas semanas para entrar em território brasileiro ou espanhol por descumprirem requisitos imigratórios. Os governos das duas nações concordaram em realizar uma reunião no final deste mês para resolver esta questão.