Banco Popular fracassa e será incorporado ao Banco do Brasil
BRASÍLIA - Após amargar prejuízo de R$ 144 milhões desde sua criação, em 2004, o Banco Popular do Brasil vai ser absorvido pelo Banco do Brasil. A decisão foi anunciada ontem e vira uma página da iniciativa de inclusão bancária lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do primeiro mandato.
O BB diz que a iniciativa é positiva porque vai reduzir custos e aumentar a eficiência das operações com clientes de menor renda. O Banco Popular, que era uma subsidiária independente do BB, agora fará parte da nova diretoria de "Menor Renda", cuja criação foi anunciada ontem. Segundo o BB, as mudanças fazem parte de uma estratégia para atender melhor os clientes com rendimento mensal de até um salário mínimo.
O vice-presidente de varejo do BB, Milton Luciano dos Santos, informou que, em até 90 dias, será definido um plano para a incorporação do Banco Popular. Uma pesquisa será realizada para avaliar se a marca será mantida.
Apesar de curta, a história do Banco Popular foi conturbada: três presidentes em quatro anos e a suspeita de envolvimento de um deles no mensalão. Nesse período, a iniciativa deixou de ser uma das grandes apostas do governo para se transformar em motivo de dor de cabeça.
Em 2002, Lula pregava a expansão do microcrédito para incentivar o empreendedorismo entre as pessoas de menor renda e, ao mesmo tempo, iniciar o processo de "bancarização" desses trabalhadores. O plano também era usar o microcrédito como forma de inclusão social. Mas não deu certo. Em 2004, no primeiro ano de funcionamento do Banco Popular, a instituição amargou prejuízo de R$ 25 milhões.
No ano seguinte, o rombo aumentou para R$ 62 milhões, depois, prejuízos seguidos em 2006, 2007 e no primeiro trimestre de 2008. Em meio a isso, o banco foi atingido pelas acusações de que o primeiro presidente, Ivan Guimarães, teria envolvimento com o mensalão.
Em 2004, a instituição emprestou R$ 21,3 milhões em operações de microcrédito. No mesmo ano, a agência de publicidade DNA recebeu R$ 29 milhões do Banco Popular. A agência tinha como um dos sócios Marcos Valério de Souza, acusado de ser o principal operador do mensalão.
A analista do setor bancário do Banco Banif, Lia da Graça, afirma que o fracasso do Banco Popular foi gerado pela falta de foco e experiência. Segundo ela, faltaram investimentos em sistemas para a avaliação dos riscos nas operações de crédito.
Atualmente, o banco tem inadimplência de 17%, índice que já chegou a 30%. Enquanto isso, concorrentes diretos têm níveis muito menores, em torno de 7%. "Definitivamente, foi uma experiência mal sucedida. Tivemos equívocos na estratégia de implantação, na velocidade de crescimento.
Parece que esse não era o foco do banco. Poderia até ser o foco do discurso do governo, mas não era o que víamos na gestão da instituição", diz a analista. Apesar disso, ela avalia que o negócio será bom para o futuro, já que o segmento de baixa renda deve avançar fortemente com a expectativa de crescimento da economia.
Enquanto isso...
No governo Lula, bancos têm melhor rentabilidade em 14 anos
Estadão
Já os bancos americanos, por causa da crise, fecham o período no menor nível de rentabilidade
SÃO PAULO - A rentabilidade dos bancos brasileiros atingiu seu melhor nível no primeiro trimestre de 2008, considerando o período do governo Fernando Henrique e Lula. Este é o resultado de um estudo preparado pela Economática - empresa de análises financeiras -, que considerou bancos brasileiros e norte-americanos e utilizou o critério de Rentabilidade sob o Patrimônio liquido (ROE). Já os bancos norte-americanos, devido à crise de crédito imobiliários nos Estados Unidos (subprime), fecham o período no menor nível de rentabilidade.
Os seis primeiros anos do governo Lula ofereceram os mais altos níveis de rentabilidade sob patrimônio aos bancos brasileiros se comparados com os oito anos do governo FHC. No governo do ex-presidente, o único ano em que os bancos brasileiros tiveram um nível significativo de ROE, comparado com o governo Lula, foi no ano de 1995.
Em contrapartida, os bancos americanos foram fortemente atingidos pelo subprime e fecharam o primeiro trimestre de 2008 com o menor nível já visto nos últimos 11 anos (dados disponíveis no sistema Economatica). A queda na rentabilidade dos bancos norte-americanos teve início em 2004 e, daquela data até 2008, tiveram uma baixa constante no ROE. O melhor nível de ROE dos bancos dos Estados Unidos aconteceu no ano de 2000.
O cálculo do ROE médio foi efetuado com o lucro acumulado há 12 meses nos primeiros trimestres de cada ano analisado. Amostra variável com todos os bancos presentes em cada data da amostra.
BRASÍLIA - Após amargar prejuízo de R$ 144 milhões desde sua criação, em 2004, o Banco Popular do Brasil vai ser absorvido pelo Banco do Brasil. A decisão foi anunciada ontem e vira uma página da iniciativa de inclusão bancária lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do primeiro mandato.
O BB diz que a iniciativa é positiva porque vai reduzir custos e aumentar a eficiência das operações com clientes de menor renda. O Banco Popular, que era uma subsidiária independente do BB, agora fará parte da nova diretoria de "Menor Renda", cuja criação foi anunciada ontem. Segundo o BB, as mudanças fazem parte de uma estratégia para atender melhor os clientes com rendimento mensal de até um salário mínimo.
O vice-presidente de varejo do BB, Milton Luciano dos Santos, informou que, em até 90 dias, será definido um plano para a incorporação do Banco Popular. Uma pesquisa será realizada para avaliar se a marca será mantida.
Apesar de curta, a história do Banco Popular foi conturbada: três presidentes em quatro anos e a suspeita de envolvimento de um deles no mensalão. Nesse período, a iniciativa deixou de ser uma das grandes apostas do governo para se transformar em motivo de dor de cabeça.
Em 2002, Lula pregava a expansão do microcrédito para incentivar o empreendedorismo entre as pessoas de menor renda e, ao mesmo tempo, iniciar o processo de "bancarização" desses trabalhadores. O plano também era usar o microcrédito como forma de inclusão social. Mas não deu certo. Em 2004, no primeiro ano de funcionamento do Banco Popular, a instituição amargou prejuízo de R$ 25 milhões.
No ano seguinte, o rombo aumentou para R$ 62 milhões, depois, prejuízos seguidos em 2006, 2007 e no primeiro trimestre de 2008. Em meio a isso, o banco foi atingido pelas acusações de que o primeiro presidente, Ivan Guimarães, teria envolvimento com o mensalão.
Em 2004, a instituição emprestou R$ 21,3 milhões em operações de microcrédito. No mesmo ano, a agência de publicidade DNA recebeu R$ 29 milhões do Banco Popular. A agência tinha como um dos sócios Marcos Valério de Souza, acusado de ser o principal operador do mensalão.
A analista do setor bancário do Banco Banif, Lia da Graça, afirma que o fracasso do Banco Popular foi gerado pela falta de foco e experiência. Segundo ela, faltaram investimentos em sistemas para a avaliação dos riscos nas operações de crédito.
Atualmente, o banco tem inadimplência de 17%, índice que já chegou a 30%. Enquanto isso, concorrentes diretos têm níveis muito menores, em torno de 7%. "Definitivamente, foi uma experiência mal sucedida. Tivemos equívocos na estratégia de implantação, na velocidade de crescimento.
Parece que esse não era o foco do banco. Poderia até ser o foco do discurso do governo, mas não era o que víamos na gestão da instituição", diz a analista. Apesar disso, ela avalia que o negócio será bom para o futuro, já que o segmento de baixa renda deve avançar fortemente com a expectativa de crescimento da economia.
Enquanto isso...
No governo Lula, bancos têm melhor rentabilidade em 14 anos
Estadão
Já os bancos americanos, por causa da crise, fecham o período no menor nível de rentabilidade
SÃO PAULO - A rentabilidade dos bancos brasileiros atingiu seu melhor nível no primeiro trimestre de 2008, considerando o período do governo Fernando Henrique e Lula. Este é o resultado de um estudo preparado pela Economática - empresa de análises financeiras -, que considerou bancos brasileiros e norte-americanos e utilizou o critério de Rentabilidade sob o Patrimônio liquido (ROE). Já os bancos norte-americanos, devido à crise de crédito imobiliários nos Estados Unidos (subprime), fecham o período no menor nível de rentabilidade.
Os seis primeiros anos do governo Lula ofereceram os mais altos níveis de rentabilidade sob patrimônio aos bancos brasileiros se comparados com os oito anos do governo FHC. No governo do ex-presidente, o único ano em que os bancos brasileiros tiveram um nível significativo de ROE, comparado com o governo Lula, foi no ano de 1995.
Em contrapartida, os bancos americanos foram fortemente atingidos pelo subprime e fecharam o primeiro trimestre de 2008 com o menor nível já visto nos últimos 11 anos (dados disponíveis no sistema Economatica). A queda na rentabilidade dos bancos norte-americanos teve início em 2004 e, daquela data até 2008, tiveram uma baixa constante no ROE. O melhor nível de ROE dos bancos dos Estados Unidos aconteceu no ano de 2000.
O cálculo do ROE médio foi efetuado com o lucro acumulado há 12 meses nos primeiros trimestres de cada ano analisado. Amostra variável com todos os bancos presentes em cada data da amostra.