Guilherme Fiúza, Revista EPOCA
Eleição tem cada vez menos importância do que parece ter, portanto o eleitor, cada vez menos interessado, está certo. Mas isso não significa que a corrida dos candidatos possa ser transformada em ficção científica.
As pesquisas de intenção de voto são um instrumento importante de informação. As propostas recorrentes de proibir a divulgação delas próximo às eleições são antidemocráticas.
Mas os institutos de pesquisa precisam começar a tomar cuidado para não avacalhar a si mesmos.
A tal margem de erro está virando uma espécie de casa de tolerância da estatística. Três pontos para cima ou para baixo, para mais ou para menos, para norte ou para sul, e está armada a festa. Éramos três (para cima), éramos mais três (para baixo), e aí já éramos seis – um percentual quase pornográfico, se o erro resolver marchar todo para o mesmo lado.
Numa eleição, seis pontos percentuais podem distinguir um empate de uma goleada. E a administração dessa numeralha na margem de erro – a Faixa de Gaza das pesquisas – não parece estar sendo muito católica.
O caso que mais chama a atenção no momento é o da eleição para prefeito do Rio de Janeiro. As pesquisas informais, os tracking telefônicos e as paranóias em geral sempre oferecem um bom cardápio de teorias conspiratórias. Mas tem havido um must, uma constante, nesse cardápio: o questionamento dos índices do bispo Crivella, aquele a quem Lula emprestou o Exército para proteger uma obra na periferia.
Os últimos resultados dos dois maiores institutos de pesquisa dão pano para essa manga. Num deles Crivella aparece com 24%, no outro com 18% (olha os seis pontos mágicos aí).
O tal cardápio de especulações vinha trazendo outra constante: os índices do deputado Fernando Gabeira pareciam subestimados. Para os palpiteiros de esquerda ou de direita, ele já não estaria, há algum tempo, na vala comum dos candidatos de um dígito.
Eis que um dos institutos mostra agora Gabeira com 15%, tecnicamente empatado com os 18% de Crivella, disputando a vaga no segundo turno contra Eduardo Paes. Para o outro instituto, Crivella está nada menos que 14 pontos à frente de Gabeira (24 a 10).
Não dá para saber quais desses números estão certos. A única certeza é que a coisa está feia na Faixa de Gaza das pesquisas.
Pelo visto, o primeiro turno no Rio de Janeiro vai ser a festa de arromba das margens de erro.
Eleição tem cada vez menos importância do que parece ter, portanto o eleitor, cada vez menos interessado, está certo. Mas isso não significa que a corrida dos candidatos possa ser transformada em ficção científica.
As pesquisas de intenção de voto são um instrumento importante de informação. As propostas recorrentes de proibir a divulgação delas próximo às eleições são antidemocráticas.
Mas os institutos de pesquisa precisam começar a tomar cuidado para não avacalhar a si mesmos.
A tal margem de erro está virando uma espécie de casa de tolerância da estatística. Três pontos para cima ou para baixo, para mais ou para menos, para norte ou para sul, e está armada a festa. Éramos três (para cima), éramos mais três (para baixo), e aí já éramos seis – um percentual quase pornográfico, se o erro resolver marchar todo para o mesmo lado.
Numa eleição, seis pontos percentuais podem distinguir um empate de uma goleada. E a administração dessa numeralha na margem de erro – a Faixa de Gaza das pesquisas – não parece estar sendo muito católica.
O caso que mais chama a atenção no momento é o da eleição para prefeito do Rio de Janeiro. As pesquisas informais, os tracking telefônicos e as paranóias em geral sempre oferecem um bom cardápio de teorias conspiratórias. Mas tem havido um must, uma constante, nesse cardápio: o questionamento dos índices do bispo Crivella, aquele a quem Lula emprestou o Exército para proteger uma obra na periferia.
Os últimos resultados dos dois maiores institutos de pesquisa dão pano para essa manga. Num deles Crivella aparece com 24%, no outro com 18% (olha os seis pontos mágicos aí).
O tal cardápio de especulações vinha trazendo outra constante: os índices do deputado Fernando Gabeira pareciam subestimados. Para os palpiteiros de esquerda ou de direita, ele já não estaria, há algum tempo, na vala comum dos candidatos de um dígito.
Eis que um dos institutos mostra agora Gabeira com 15%, tecnicamente empatado com os 18% de Crivella, disputando a vaga no segundo turno contra Eduardo Paes. Para o outro instituto, Crivella está nada menos que 14 pontos à frente de Gabeira (24 a 10).
Não dá para saber quais desses números estão certos. A única certeza é que a coisa está feia na Faixa de Gaza das pesquisas.
Pelo visto, o primeiro turno no Rio de Janeiro vai ser a festa de arromba das margens de erro.