Adelson Elias Vasconcellos
Façam a seguinte pesquisa: no primeiro semestre de 2008, quando houve um surto inflacionário em escala mundial, por conta da elevação no preço dos alimentos, quantos países elevaram em doses cavalares, seus juros internos? Nenhum, vocês irão descobrir. Alguns aplicaram reajustes sim, porém, em percentuais modestos.
Já no olho do furacão da crise financeira, quase todos países reduziram seus juros drasticamente. Alguns, praticamente, zeraram. O que se pretendia era, diante de juros quase nenhum, manter-se minimamente a atividade econômica em geral com incentivo ao consumo.
O Brasil, contrariamente, manteve os juros na estratosfera. Como o país vivia tempos de marolinhas, o grande chefe Touro Sentado de Boca Aberta, foi soltando pacotes e pacotinhos para incentivar o crédito e, em conseqüência, o consumo. Ele próprio, às vésperas do Natal, resolveu discursar em favor da necessidades do povo continuar consumindo.
E aí justamente aí que a estratégia da equipe econômica deu com os burros n’água. E o fez de tal forma que, no final da história, queiram ou não, muitos descobriram que o tal plano de governo que fez o país crescer, na verdade, pertence ao governo anterior à Lula. Ele apenas capitalizou para si os resultados, sem os ônus das ações e medidas tomadas por seu antecessor.
Na verdade, o governo do Grande Chefe, até pelas medidas que têm tomado, até pelas declarações de seus ministros, bem se vê, ainda não conseguiu diagnosticar problemas derivados da crise financeira mundial, e muito menos, conseguiu descobrir o que fazer para evitar que o país sofra mais do que deveria.
E a razão é simples: enquanto os ventos da economia mundial sopraram a favor, e acabaram por favorecer o Brasil, nada se fez para que pudéssemos de fato ambicionar um crescimento virtuoso e sustentável ao longo do tempo.
E não faltou quem avisasse que reformas importantes eram indispensáveis para tanto. Uma delas, talvez a mais importante, é a chamada reforma tributária. Sabe-se que a carga de impostos é excessiva, como também, os prazos cada vez mais curtos para o recolhimento de impostos, acabam sufocando as empresas, tira-lhes a capacidade de constituírem giro próprio. Adicionando-se a sempre elevada taxa de juros internos, a sucateada infra-estrutura, com baixos níveis de ensino, a insegurança jurídica, e se percebe, facilmente, o quanto de oportunidades jogamos fora. Agora, quando a atividade econômica se reduz, com a conseqüente queda da arrecadação tributária, dificilmente uma reforma tributária atacará os pontos que deveria, a redução do peso dos impostos e a ampliação dos prazos para seu pagamento.
Fazer o que fez o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, de ter ataques diante dos números do desemprego, é o pior dos caminhos. Em momento algum, este governo pensou no peso que ele próprio impõem à sociedade pelo descontrole em seus gastos, o que o obriga a impor uma carga tributária sufocante. Em momento algum, durante as vacas gordas, este governo pensou em aliviar as empresas dilatando os prazos de recolhimento, que se tornaram dia a dia mais curtos.
Por seu descontrole, acaba mantendo os juros nas alturas, para, deste modo, pode leiloar seus papéis e assim fazer caixa para suas despesas crescentes. Dizer que o governo está dando dinheiro para algumas empresas é no mínimo uma piada de muito mau gosto. Na verdade, está é devolvendo parte do que em excesso toma da sociedade para bancar despesas inúteis e de pura ostentação. Sem nenhum retorno, já que não investe o que pode e deveria em favor da própria sociedade. Dizer que está dando dinheiro para os bancos para que estes emprestem mais é uma mentirosa escandalosa, já que o compulsória que está sendo liberado, na verdade, é dinheiro que os bancos os quais são obrigados a recolher ao Banco Central.
Como bem ressaltou o presidente da FIESP, Paulo Skaff, o que o governo deveria fazer, ao invés de reclamar dos empresários,. seria gastar menos, para poder reduzir os impostos e ampliar os prazos de recolhimento, e ainda reduzir os escandalosos juros que são cobrados apenas para financiar a farra federal.
Em outras palavras, diante da crise, em vez de reclamar dos outros, o governo poderia e deveria governar. Muito simples...