quarta-feira, janeiro 14, 2009

CONFLITO DE GAZA, OU QUANDO É NECESSÁRIO REPOR A VERDADE

Adelson Elias Vasconcellos

A bala pode ser israelense, mas quem puxa o gatilho é o Hamas

Começo afirmando que, toda e qualquer guerra armada, é estúpida e representa o que há de pior e mais primitivo no ser humano, ou sua incapacidade total para resolver, pacificamente, seus conflitos.

Esta é a minha posição. Ao longo dos tempos, sempre houve quem “justificasse” esta ou aquela guerra, esta ou aquela morte. Porém, no fundo, sempre houve quem ultrapassasse os limites do bom senso e, sendo assim, acabasse refletindo sua condição moral inferior.

Claro que há situações em que, guerrear ou matar, se tratam de situações muito mais de defesa do que ataque. Deste modo,analisar o atual conflito de Gaza requer, além de uma boa dose de conhecimento da história, desvendar com clareza e sem preconceitos, quem de fato é agressor e quem,por outro lado, é a vítima lutando em defesa própria.

E, com tais entendimentos, não temo discordar da maioria da opinião mundial.

E, em respeito à História, aquilo que é fato concreto, e não pura opinião, é preciso dizer que, em junho de 2007, esse mesmo Hamas que hoje posa de vítima perante a comunidade internacional, foi à guerra contra o Fatah na Faixa de Gaza. E venceu. O grupo preferiu não fazer prisioneiros. Os que eram rendidos ou se rendiam eram executados com tiros na cabeça — muitas vezes, as mulheres e filhos das vítimas eram chamados para presenciar a cena. “O que ocorreu no centro de segurança [as execuções] foi a segunda liberação da Faixa de Gaza; a primeira delas foi a retirada das tropas e dos colonos de Israel da região, em setembro de 2005", disse então Sami Abu Zuhri, um membro do Hamas. “Estamos dizendo ao nosso povo que a era do passado acabou e não irá volta. A era da Justiça e da lei islâmica chegou", afirmou Islam Shahawan, porta-voz do grupo. Nezar Rayyan, também falando em nome dos terroristas, não teve dúvida: “Não haverá diálogo com o Fatah, apenas a espada e as armas. Desde 2006, quase 700 palestinos foram assassinados por rivais... palestinos.

Mas isto ainda é pouco para mostrar quem é quem nesta história. Como bem lembrou o jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog, “...É dever de todo governo defender o seu território e a sua gente. Mas, curiosamente (ou nem tanto), pretende-se cassar de Israel o direito à reação. Por quê? O que grita na censura aos israelenses é a voz tenebrosa de um silêncio: essa gente é contra a existência do estado de Israel e acredita que só se obteria a paz no Oriente Médio com a sua extinção. Mas falta a essa canalha coragem para dizer claramente o que pretende. Nesse estrito sentido, um expoente do fascismo islâmico como Mahamoud Ahmadinejad, presidente do Irã, é mais honesto do que boa parte dos hipócritas europeus ou brasileiros. Ele não esconde o que pretende. Aliás, o Hamas também não: o fim da Israel é o segundo item do seu programa, sem o qual o grupo terrorista julga não cumprir adequadamente o primeiro: a defesa do que entende por fé islâmica...”.
Ou seja, uma das razões para o Hamas existir é a busca do seu segundo maior objetivo, que é a destruição de Israel.

Para os seguidores do Hamas, pouco importa morrer, desde que a morte tenha servido para destruir o vizinho. E a tal ponto chega a irracionalidade de seus membros que, mesmo palestinos pertencentes a um grupo mais moderado, como os do Fatah, precisaram ser ...exterminados.

Mas tudo isto ainda é insuficiente para explicar o atual conflito. Se as balas e as bombas são israelitas, quem têm puxado o gatilho e acionado os botões de lançamento de mísseis e foguetes são os terroristas do Hamas. Ao longo de 2008, havia um acordo de trégua entre as partes que duraria 6 meses, prazo ao cabo do qual poderia ser estendido e ampliado.

Pois bem, faltando uma semana para se esgotar os seis meses, os dirigentes do Hamas informaram Israel de que não iriam prorrogar a trégua. E mais, mesmo durante a trégua, foram despejadas mais de 300 bombas no território de Israel que se conteve apenas em advertências verbais. Claro que Israel protege seu povo e seu território, sendo assim tal instinto de defesa aliado à incompetência dos terroristas do Hamas, acabaram por não se contabilizar centenas de mortos. Ainda assim, atacar o vizinho durante uma trégua pactuada pelas partes, é ofensivo, é covarde, é censurável, é odioso, deve ser reprimido e condenado, provoque muitas ou poucas mortes, ou até mesmo nenhuma.

Mais: os palestinos sabem e conhecem bem a superioridade militar de Israel em relação a si mesmos. Contudo, nem assim deixaram de atacar Israel durante os seis meses de trégua, como também sequer se interessaram em aumentar o prazo de não agressão. Deveria fazê-lo até para evitar que sua intolerância provocasse mortes em seu povo. Tudo isso, contudo, e infelizmente, foi ignorado.

E cadê a comunidade internacional para denunciar o terrorismo do Hamas? Nada, silêncio absoluto. Até a França, sempre simpática à causa palestina, acabou por reconhecer que o ataque de Israel era defensivo.

Quem deveria proteger seu povo e seu território confinado na Faixa Gaza era o Hamas, e não Israel. Desde que assumiram o controle daquele pedaço de terra, quando expulsaram os palestinos do Fatah, muito mais se preocuparam em militarizar-se do que investir na melhor qualidade de vida de seu povo. Seus militantes, e isto também é fato, se utilizam da população civil como escudo humano para atacar Israel.

E, por fim, se os ataques israelenses fossem tão irresponsáveis e criminosos como se quer fazer crer, não se teria hoje pouco mais de 900 mortes, e sim muitos milhares delas.

Portanto, antes de se condenar Israel se deve buscar identificar quem é, de fato, o agressor e quem é, realmente, a vítima. Claro que a morte de um simples civil inocente é injustificável, ela causa comoção e consternação. Mas é preciso pesar sobre os ombros de quem deve, efetivamente, pesar a culpabilidade de tal morte.

Quem buscou esta guerra não foi Israel, foram os dirigentes do Hamas e é deles que a comunidade internacional deve cobrar responsabilidades. E mesmo nas negociações que tanto o Egito quanto a ONU têm levado a efeito como o objetivo de cessar o conflito, os terroristas palestinos se recusam assumir o compromisso de não agressão à Israel que, por seu turno, coloca apenas tal condição para um cessar fogo imediato.

Condenar Israel apenas porque seus ataques provocam mortes não isenta os palestinos de sua responsabilidade no conflito, já que, e os fatos aí estão para demonstrar, foram eles próprios quem ensejaram a reação de Israel.

Tivessem os judeus o espírito facinoroso que, covardemente, a eles se tenta atribuir, e estas centenas de mortes seriam muito milhares a mais.

E, ainda lembrando Reinaldo Azevedo, “... Os palestinos arcam com as conseqüências de uma escolha. Preferiram ao Hamas ao Fatah; entre votar em quem reconhece a existência de Israel e em quem tem no seu programa a determinação de exterminar o país, escolheram a segunda alternativa — que alternativa não era.

E o que fez o Hamas, uma vez vitorioso das urnas? Ora, tomou as providências para se constituir como ditadura teocrática: a primeira providência foi travar uma guerra civil com os adversários do Fatah e expulsá-los da Faixa de Gaza. Melhor: os militantes daquela facção fugiram. Os que caíram prisioneiros foram sumariamente fuzilados. Sem nem mesmo um processo judicial. Porque é assim que o Hamas trata seus inimigos, sejam palestinos ou judeus.”

E que para que fique claro quem deve ser condenado nesta história, coloco a seguinte questão: imaginem que seguidores do Hamas descobrissem algum judeu morando na faixa de Gaza. Que tratamento lhe dispensariam? Porém, por outro lado, quantos palestinos moram e vivem e trabalham no território de Israel? E quantos são perseguidos? Ao que se sabe, em Gaza, nenhum judeu sobreviveria um dia sequer vivo, ao passo que, em Israel, vivem milhões de palestinos, e pacificamente. Pensem nisso!