O Censo do Ensino Superior
Estadão
Elaborado com base em dados de 2007, o Censo da Educação Superior, que foi divulgado na semana passada, apresenta duas importantes informações. Uma, positiva, é que o número de cursos e de estudantes na área de ciências exatas, justamente onde há escassez de mão-de-obra qualificada no País, subiu 12,3%, em relação a 2006. A outra, negativa, é que o número de universitários formados em cursos voltados para disciplinas específicas do magistério, como letras, geografia, biologia, química e filosofia, continua caindo.Segundo o Censo, esses foram os únicos cursos que registraram queda. Eles tinham 860 mil alunos matriculados em 2007, ante 892 mil estudantes em 2006 - uma redução de 3,6%. A situação é preocupante, uma vez que, por causa dos baixos salários e da pouca valorização social do magistério, faltam professores de ensino básico, especialmente na rede pública.
Estadão
Elaborado com base em dados de 2007, o Censo da Educação Superior, que foi divulgado na semana passada, apresenta duas importantes informações. Uma, positiva, é que o número de cursos e de estudantes na área de ciências exatas, justamente onde há escassez de mão-de-obra qualificada no País, subiu 12,3%, em relação a 2006. A outra, negativa, é que o número de universitários formados em cursos voltados para disciplinas específicas do magistério, como letras, geografia, biologia, química e filosofia, continua caindo.Segundo o Censo, esses foram os únicos cursos que registraram queda. Eles tinham 860 mil alunos matriculados em 2007, ante 892 mil estudantes em 2006 - uma redução de 3,6%. A situação é preocupante, uma vez que, por causa dos baixos salários e da pouca valorização social do magistério, faltam professores de ensino básico, especialmente na rede pública.
Levantamentos do próprio Ministério da Educação (MEC) indicam que há cerca de 300 mil pessoas lecionando no País sem terem licenciatura e outros 300 mil docentes atuando em áreas diferentes das quais se formaram. São, por exemplo, bacharéis em matemática que lecionam física, historiadores que dão aula de geografia e formados em letras que ensinam filosofia e sociologia. Nestas duas últimas disciplinas, que passaram a ser obrigatórias no ensino médio, a situação é tão grave que, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), faltariam docentes licenciados mesmo se todos os universitários formados na área, nos últimos cinco anos, tivessem optado pela carreira de professor.
As autoridades educacionais reconhecem a gravidade do problema e anunciaram algumas medidas para enfrentá-lo. Uma é a concessão de bolsas de iniciação à docência para os alunos que fizerem graduação nas áreas obrigatórias do ensino básico. Outras medidas são a expansão dos cursos oferecidos pelas universidades federais, acordos com governos estaduais para capacitação de 360 mil professores do ensino médio em universidades públicas e a criação de 28 institutos de educação tecnológica, que terão de reservar 20% do orçamento para a formação de docentes em áreas específicas do magistério. No âmbito das ciências exatas, a boa notícia do Censo é o aumento dos cursos de engenharia de produção e de construção civil, duas áreas estratégicas para o crescimento da economia. Por falta de profissionais nessas áreas, as empresas há muito tempo vêm contratando engenheiros aposentados e oferecendo bônus e outros benefícios para evitar que os engenheiros mais jovens aceitem convites de empresas concorrentes. Nesses dois cursos, o número de alunos subiu de 371.502 para 417.448, entre 2006 e 2007.
Em 2007, o País tinha 4.880.381 universitários. Considerando todos os cursos de ensino superior, houve um aumento de 2,7%, com relação a 2006. Até as áreas que são consideradas saturadas, onde a oferta é muito maior do que a procura, como é o caso de direito, cresceram. Em 2007, havia 614 mil alunos matriculados nos cursos jurídicos - número equivalente ao de profissionais registrados nas seccionais da OAB. Ainda segundo o Censo, os cursos de administração têm o maior número de alunos, seguidos pelos cursos de direito. O levantamento também constatou que o número de alunos de comunicação hoje é quase 70% maior que o de ciências da computação.
Como era esperado, a participação do setor privado nas matrículas do ensino superior continua aumentando. Passou de 70,76%, em 2003, para 74,15%, em 2006, e 74,57%, em 2007. São 3.639.413 alunos matriculados nas universidades particulares, ante 615.542 nas universidades federais, 482.814 nas universidades estaduais e 142.612 em instituições municipais. No entanto, por causa da dificuldade dos alunos para pagar as mensalidades, o índice de evasão nas universidades privadas é maior do que o das universidades públicas. O Censo é um preciso retrato estatístico da realidade do ensino superior. Com base nele as autoridades educacionais podem planejar políticas para melhorar a qualidade dos cursos.
Enquanto isso...
Professor nota zero
Gilberto Dimenstein, Folha online
Dos 241 mil professores que se submeteram à prova da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, 3.000 tiraram zero: não acertaram uma única sobre a matéria que dão ou deveriam dar em sala de aula. Apenas 111, o que é estatisticamente irrelevante, tiraram nota dez. Os números finais ainda não foram tabulados, mas recebo a informação que pelo menos metade dos professores ficaria abaixo de cinco. Essa prova tocou no coração do problema do ensino no Brasil, o resto é detalhe.
Como esperar que um aluno de um professor que tira nota ruim ou mediana possa ter bom desempenho? Impossível. Se fosse para levar a sério a educação, provas desse tipo deveriam ser periódicas em toda a rede (assim como os alunos também são submetidos a provas). Quem não passasse deveria ser afastado para receber um curso de capacitação para tentar se habilitar a voltar para a escola.
A obrigação do poder público é divulgar as listas com as notas para que os pais saibam na mão de quem estão seus filhos. Mas a culpa, vamos reconhecer, não é só do professor. O maior culpado é o poder público que oferece baixos salários e das universidades que não conseguem preparar os docentes. Para completar, os sindicatos preferem proteger a mediocridade e se recusam a apoiar medidas que valorizem o mérito.
O grande desafio brasileiro é atrair os talentos para as escolas públicas --sem isso, seremos sempre uma democracia capenga. Pelo número de professores reprovados na prova, vemos como essa meta está distante.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Eis aí: enquanto o número de universitários formados em cursos voltados para disciplinas específicas do magistério, como letras, geografia, biologia, química e filosofia, continua caindo, dentre os que se encontram em sala de aula, o nível está muito aquém do que se espera para um ensino de qualidade. Muito embora Diementein aponte este dado como “o coração do problema do ensino do Brasil, e o resto é detalhe”, o que já demonstramos não ser verdadeiro, o fato é que estamos diante de uma constatação: a de que o ensino público brasilseiro, a se ver o comportamento das autoridades e a epidêmica falta de vontade política em atender a Educação como prioridade número 1, vai continuar em declínio. Um exemplo disto é que, em muitos estados, já sobram milhares de vagas, apesar do crescimento da população. Ou seja, a população brasileira cansou de esperar providências, não suporta mais ver o quanto sseus filhos tem tido sua formação escolar prejudicada por absoluta incompetência do Poder Público em dotar o ensino público com um mínimo de qualidade.
E aqui, na questão da má qualidade na formação de professores, não se venha alegar apenas que é fruto apenas dos baixos salários. Poruqe, senhores, os baixos salários também são decorrência da má formação, além de que, em grande maioria, a classe de professores se deixa conduzir por sua entidades de classes e sindicatos, deixando em segundo plano o foco de sua atividade, para se se tornarem agentes de ação politica. Claro que a classe de políticos, em sua quase totalidade, gigolôs que roubam os recursos para seu único deleite, formação patrimonial ilícita em negociatas imorais.
Ouçam os discursos de antes das eleições: todos prometem atacar a educação como prioritária. Depois de eleitos e empossados, o discurso muda. Primeiro, tratam de aumentar seus próprios salários, segundo cuidam de prover a família com carguinhos boca rica, terceiro, tratam de modernizarem seus gabinetes. Depois, dizem faltar recursos para auamentar os minguados salários de miséria. No próximo pleito, serem reeleitos para cumprirem, rigorosamente, o mesmo ritual.
Deste modo, faltando alunos para preencherem todas as vagas e faltando estudantes matriculados em todas as disciplinas relacionadas ao magistério, vê-se que o sistema faliu, está moribundo. Enquanto isso, o Poder Público, de forma absolutamente cretina, continua a pagar cada vez mais elevadas publicidades mentirosas, indicando que o investimento em educação cresce, que a qualidade também melhora. Conclusão: estamos condenado mais e mais gerações futuras ao subdesenvolvimento...