segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Ideologia política - partidária não combina com Magistério

Adelson Elias Vasconcellos

Na edição deste domingo, publicamos três artigos sobre o tema Educação. Em todos, há uma terrível coincidência: o descaso com que o tema é tratado no Brasil. E não apenas pela classe política, como comumente se tenta impor. O descaso e o despropósito provém de todos os envolvidos.

E, em todos os artigos, as abordagens e os diagnósticos não fogem de tudo quanto este espaço vem afirmando ao longo do tempo.

Não faz muito, numa abordagem específica, apontamos o grande mal que a presença de sindicatos e associações de classes têm feito não apenas para a categoria, mas o enorme erro que comete uma grande maioria de professores que, se vale destas entidades, para misturar educação com política rasteira.

Não estou, é bom que fique claro, afirmando que a classe não possa ser representada por associações agregadoras. Nada disso. O que está errado no processo é sindicato agir como partido político, revestir-se de ideologias políticas porque, ao assim procederem, tiram de si mesmo a necessária isenção que se lhes é pedida no exercício de sua tarefa profissional.

Também aqui ficou claro que, a partir do momento em que a categoria de professoras se deixou influenciar e contaminar com este ranço, coincidência ou não, a categoria, como um todo, perdeu consistência, relevo e valorização.

O caso recente havido em São Paulo, quando “professores’ submetidos a provas de avaliação, simplesmente tiraram zero, e a reação estúpida de seu sindicato de recorrer à justiça para, através de uma liminar, garantir que incompetentes, desqualificados e iletrados continuem lecionando, é de uma estupidez que não encontra paralelo no mundo. Não no mundo civilizado, pelo menos. Pior ainda, foi o tal senso de justiça emanado de um magistrado, na concessão da liminar.

E nem se venha alegar que, nos exames, algumas questões foram propostas com erros de português em seu texto. Não invalida a incompetência grosseira de quem sequer acertar uma única e miserável das questões propostas, nem nas que não se constatou erro algum.

Mais recentemente, o CEPERS, Rio Grande do Sul, conseguiu ir mais além em sua estupidez.

Leiam o texto seguir. Comentaremos depois.

Cpers acusa Yeda em outdoors contra corrupção
Os outdoors espalhados pela Capital que dizem mostrar a "face da corrupção" serão estampados por uma foto da governadora Yeda Crusius. A revelação foi feita nesta quinta-feira pelo Cpers, que, juntamente com outros nove sindicatos do funcionalismo, bancou a manifestação.

Desde o início do mês, centenas de outdoors foram distribuídos em diversos pontos de Porto Alegre, trazendo um rosto desfocado com frases que faziam menção à corrupção. Agora, além do retrato da governadora, a campanha terá a frase "Essa é a face da destruição do RS. Ela não pode continuar. Fora Yeda".Em carta distribuída às empresas de publicidade que atuaram na campanha, o chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, informou que o governo poderá acionar a Justiça em razão do tom de desmoralização dos painéis.

Piratini entra com ação contra outdoors de sindicatos
A governadora Yeda Crusius informou na manhã desta sexta-feira que o Piratini já entrou com uma ação de representação criminal contra a campanha revelada na quinta-feira pelo Cpers e por outras nove representações sindicais. Segundo Yeda, a propaganda é ofensiva e pode ser considerada como campanha política antecipada. "Sou representante do povo gaúcho, que não merece passar por isso", alegou.

Em diversos outdoors espalhados pela Capital, uma foto da governadora é acompanhada pela frase "Essa é a face da destruição do RS. Ela não pode continuar. Fora Yeda". Desde o fim de janeiro, os mesmos painéis contavam com um rosto desfocado e frases que faziam menção à corrupção.

Partidos divulgam nota de apoio a Yeda após campanha de sindicatos
Líderes dos seis partidos políticos aliados do governo do Estado (PSDB, PP, PMDB, PPS, PTB e DEM) divulgaram na noite de sexta-feira uma nota de solidariedade à governadora Yeda Crusius em razão da campanha promovida por 10 sindicatos que atribuem a ela a "face da destruição do RS".

"O povo gaúcho não está acostumado com campanhas publicitárias despropositadas, agressivas e com cunho político eleitoral patrocinadas por direções de categorias sindicais", afirma o comunicado. Na nota, os líderes partidários declaram repúdio ao episódio, considerando "a violência das manifestações com conteúdo ofensivo e ideológico".

Seja o que for, mas sendo uma associação que diz representar uma determinada categoria profissional, a partir do momento em que se deixa transformar em um esbirro de partido político como o CPERS há muito tempo já se transformou, assumindo viés ideológico, o que é pior, de uma ideologia que o mundo civilizado já sepultou, esta tal “associação” se travestiu em centro de canalhas e transmudou-se para outro universo de representatividade.

Esquece o CPERS em que estado falimentar a governadora encontrou o Executivo estadual? Esquece a herança maldita legada por Olívio Dutra (PT), que simplesmente quebrou a economia gaúcha, e a tal ponto que o povo não lhe deu uma segunda chance justamente para não tornar a situação pior do que já estava? Esquece o CEPERS que, apesar das dificuldades, a economia se recuperou e as finanças foram reequilibradas? É claro que a turma do CPERS conhece bem a situação e, se fatos localizados de má gestão foram cometidos por alguns de seus auxiliares, a governadora os afastou para que respondam, na forma lei, as acusações existentes.

Há sim um enorme desejo do CPERS de alavancar para o governo do estado, novamente, uma candidatura petista, como se a embalagem pudesse garantir a qualidade do produto!

Retomo o ponto: compete a qualquer associação que diz representar a categoria de professores, lutar para mudar as condições precárias de ensino no país, e não agir, como se vê em São Paulo e no Rio Grande do Sul, como braço intelectualizado de um partido político. Se quer atuar no campo político, pois bem, mudem de profissão, e deixem as salas de aula destinadas aqueles que, realmente, respeitam, dignificam e elevam sua atividade didática.

Há muito para ser feito para que a Educação brasileira possa formar cidadãos aptos a comandar, com competência, o futuro do país, seja atuando na vida privada ou pública. Esta atuação deve envolver a todos, alunos, professores, poder público, pais, diretores de escola e qualquer outro profissional ligado ao magistério.

Contudo, sem que os profissionais de ensino se habilitem com a dedicação, competência, preparo e responsabilidade que lhes é exigida, nada se conseguirá. Como também não se pode fornecer a quem não freqüenta as salas de aulas com a presença mínima que se requer, e o não faz com a qualificação indispensável, que se lhe forneça iguais ganhos de outros que agem com responsabilidade, qualificação e dedicação.

Portanto, está na hora da categoria, onde pontificam profissionais dedicados e exemplares, conquistarem o respeito da sociedade pelo trabalho competente, e não no grito, não nos campos da atuação partidária, porque, neste caso, estarão atuando em outro campo profissional. Melhor fariam se mudasse de profissão.

E, como demonstramos, historicamente, a que levou a Educação brasileira a atuação partidária das entidades representativas dos profissionais de ensino? A tornar o ensino brasileiro em 2007, pior do que fora em 1995, e isto é um fato comprovado, e, em conseqüência, a perda da excelência profissional que a categoria um dia gozou.

Portanto, se é a busca de recuperação, que a categoria já teve, o que interessa, que ela, então, postule de suas entidades, associações e sindicatos livrarem-se, com urgência, primeiro, do ranço ideológico com que se revestiram nestes anos todos. Que tratem de exigir de cada professor ou professora que respeitem a seriedade que a profissão lhes exige, se comportem com a mesma responsabilidade que dizem cobrar dos governantes, e, acima de tudo, que respeitem as instituições do país. A governadora Yeda Crusius foi eleita legitimamente pela maioria do povo gaúcho, em eleição livre e direta. Deste modo, que o CEPERS respeite a vontade popular em primeiro lugar, deixe de se converter em antro de canalhas e adoradores de ranços ideológicos e passe a agir com maturidade e ética profissional. Não há outro caminho para valorizar os profissionais que diz representar. E, a saber, o CEPERS, pelo menos no papel, representa a categoria de professores, e não os políticos, tenham estes a ideologia que tiverem.