segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Um governo de vira-latas

Adelson Elias Vasconcellos

Antes que qualquer investigação sobre o caso pudesse concluir qualquer coisa, apenas confrontado diante da notícia de que uma brasileira havia sido atacada por 3 bestas humanas na Suíça, Lula saiu dizendo que governo não iria se calar sobre agressão de brasileira na Suíça. No dia seguinte, quando já se noticiava de que a versão da advogada brasileira poderia ser falsa, Lula mudou discurso e diz que não quer se aprofundar no caso. E é aqui que reside um dos grandes erros deste governo, ele não gosta de se “aprofundar” sobre fatos desabonadores de sua conduta. Prefere manter tudo na superficialidade. Ou seja, não quer divulgação, quer os companheiros envolvidos impunes.

No artigo que publicamos sobre fato, já no primeiro parágrafo indicávamos o que deveria prevalecer no caso, isto é, tratava-se de um ato isolado, eventual, ao contrário do que se passa no Brasil que se matam, se seqüestram, se mutilam, se assaltam, se estupram se torturan dezenas de estrangeiros todos os anos, numa rotina miserável e vergonhosa. E, nem por isso, os povos que têm cidadãos seus vitimados pela violência brasileira, saem por aí acusando o povo ou governo brasileiros de xenófobos

Afirmamos, e não retiro uma vírgula sequer da afirmação, sobre o por quê da posição extremada do governo e do Itamaraty em relação ao episódio: entenderam ser uma excelente oportunidade para se livrarem da acusação que a Europa (não só a Itália não!) faz ao governo brasileiro no caso do refúgio concedido ao italiano Cezare Battisti, Estupidez e imbecilidade quando se juntam, formam um casamento perfeito de idiotia. Foi o caso de Lula e Celso Amorin.

Situações como estas exigem certa decoro, certa prudência de parte das autoridades. Não pode um governo sério sair por aí atacando governos e países de forma leviana como se fez, e em casos de inquérito policial ainda mais quando as investigações são preliminares. Não existe xenofobia em relação aos brasileiros, existe, sim, uma certa apreensão para que sejam recebidos em determinados países. Nem como preconceito se pode classificar. Quem sabe como os brasileiros se comportam mal (alguns, não atodos, mas em bom número), conhece bem o drama. Na França, na Inglaterra e na Espanha, nestes três principalmente, mas também na Itália e na Alemanha, têm sido como inúmeras quadrilhas de falsificadores serem desbaratadas, com a forte presença de brasileiros. Além disto, provém do nosso país cerca de 75% da droga que entra na Europa, como não custa lembrar da presença de brasileiros nas quadrilhas de tráfico humano, muito embora, neste caso, a África tem sido imbatível.

Há milhares de brasileiros, contudo, que se encontram na Europa na condição de trabalhadores e estudantes e que se comportam com dignidade. Alguns, inclusive, fazem questão de não exibirem explicitamente sua nacionalidade, em razão do grande número de baderneiros que enxovalham o país. Sentem-se envergonhados pelo comportamento imbecil e até primitivo de seus conterrâneos.

Agora, o Itamaraty se intromete, de novo, para, antes do processo ser aberto pelas autoridades suíças contra a brasileira, com o intuito de trazê-la de volta. Nova estupidez. É o mesmo que assinar um ato de confissão plena de que suas acusações foram mentirosas.

Não podemos, sem que a investigação chegue a conclusões finais, julgar e condenar quem quer que seja, nem a brasileira nem,muito menos, as autoridades suíças. Contudo, é preciso saber que, em países civilizados, não pode infringir as leis impunemente, tal como aqui no Brasil se faz no dia a dia.

Lula e Amorin, e isto ficou bem claro em nosso artigos sobre Cezare Battisti, ao procederem da forma imprudente como fizeram, abriram um perigoso precedente cujo prejuízo maior cairia sobre os ombros dos milhares de brasileiros estudantes, trabalhadores e residentes no exterior.

É constrangedor ver um governo que se mostra tão servil para caudilhos latinos que nos expropriam propriedades de empresas nossas, que se dirigem às nossas instituições de forma agressiva e ofensiva, que permite que brasileiros seja presos sem processo e sem justificativa, para, em contrapartida, partirem para o enfrentamento contra nações democráticas e onde vigora o pleno estado de direito, como se faz com Estados Unidos, Itália e agora a Suíça. Há sim, de parte deste governo que aí está, uma elevadíssima dose de xenofobia contra países dito civilizados, os EUA, principalmente. Porém, se mostram cordeirinhos diante do genocídio no Sudão, ou se declaram aliados de ditadores sanguinários como Fidel Castro, ou caudilhos inconseqüentes como Chávez, Morales e Correa.

Claro que tais figuras, ridículas e ordinárias, são temporárias na vida pública dos países que governam. Cedo ou tarde serão apeados do poder. Contudo, as conseqüências de seus atos irresponsáveis serão resgatados justamente por aqueles que nada tem a ver. Há muito tempo venho alertando de que a imagem externa de Lula está se deteriorando rapidamente lá fora, apesar de muitos acharem que Lula é o mais respeitado de todos os presidentes brasileiros, internacionalmente. Mentira. Se, de alguma forma, sua imagem ridícula era um tanto dissimulada pela opinião internacional, suas últimas atitudes serviram para intensificar a “má impressão” que, ao longo de seu governo, foi sendo formada. Contudo, que fique claro: esta má impressão nada tem a ver com preconceito, e sim, pela sua ação ridícula de governar, pelas atitudes e declarações estúpidas que faz, tanto ele quanto Amorin.

Como alguém já disse há muito tempo atrás, não se consegue enganar a todos por todo tempo. É este o caso.

Quanto a brasileira Paula de Oliveira, qualquer conclusão agora será precipitada. Que as investigações sigam seu curso normal e, se ao cabo delas, se concluir que sua versão era verdadeira, ainda assim, o governo brasileiro deve um pedido de desculpas ao governo e ao povo suíços. E que fique claro: são atitudes intempestivas deste naipe que demonstram, claramente, o quanto não merecemos a tal cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Se antes isto já seria uma idéia absurda, agora, para a segurança mundial, é bom nos mantermos longe dela. Porque o certo é que, seja Paula culpada de fraude ou, de fato, vítima na forma como divulgou e acusou, o governo brasileiro se comportou como verdadeiro vira-lata. E, nesta condição, falta-lhe postura moral para julgar quem quer que seja.