Muito embora eu entenda que a ANJ tenha demorado quase uma eternidade para manifestar sua reação, pelo menos a fez. Realmente, a proposta que os petistas pretendem apresentar à tal CONFECOM é um despropósito. Sobre esta proposta inclusive já a comentamos no artigo NOVA TENTATIVA DE CALAR A IMPRENSA, em17.11.09 (CLIQUE AQUI), do qual destacamos o trecho a seguir:
(...)
"Ou seja, para o PT a informação dada de forma universal, livre, sem a censura cretina do Estado, significa “desvios do sistema”, e a forma ditatorial de se evitar estes “desvios”, é tratar “(...) a comunicação como área de interesse público, criando instrumentos de controle público e social". Não sei porque mas me parece que, entre 1964 a 1985, ouvi muita coisa semelhante produzida por gente que estava no governo neste tempo. Gente que os petistas diziam combater, por serem “ditadores”. Agora, sendo o governo formado pelo próprio PT, repete-se a mesma cantilena, só que trajando vermelho!!! "
"O texto todo, vocês vão ver, é de uma profundidade e clareza quanto as reais intenções desta gente, que não fica dúvida alguma do que eles pretendem não apenas para a “imprensa”, porque até falam em "(...) atribuições e limites para cada elo da indústria de comunicação". Defende intervencionismo na produção de conteúdo, ao propor "políticas, normas e meios para assegurar pluralidade e diversidade de conteúdos". E pede revisão nas concessões de emissoras de rádio e TV (...)”, mas o pensamento do intervencionismo estatal em todas as instituições é o elo com que justificam a presença do Estado em toda a cadeia de comunicações. "(...).
Sempre que alguém, encher a boca com “democratização dos meios de comunicação” estejam, absolutamente certos de que o que se pretende com a “luminosa” idéia é atacar e cercear a liberdade de imprensa.
Dentro da proposta imoral dos petistas, há uma coisa que representa bem o tom da idéia que eles fazem de “liberdade de imprensa” e do que imaginam entender de “democratização dos meios de comunicação”.
A prova do que dissemos e que nos leva a repudiar o documento do PT, está lá, de forma clara, conforme no artigo acima, leiam:
(...)
"Ou vocês acham que quando eles se referem a “(...)Defende intervencionismo na produção de conteúdo(...)”, eles estão querendo dizer o quê? Eles até podem dar o nome que quiserem à pilantragem que pretendem impor, mas que, em linguagem decente, isto não tem outro significado que não seja CENSURA. (...)".
Ou seja, o que eles defendem como “democratização dos meios comunicação” ,na cabeça dos vigaristas, só é possível mediante ”intervencionismo na produção de conteúdo”. Ou em outras palavras, para os medíocres, mais democracia se consegue com menos liberdade. De onde eles tiraram isto? Ora, meus amigos, olhem para a antiga URSS, China, Cuba, Coréia do Norte, ou a Espanha de Franco, Portugal de Salasar, o fascismo de Mussolini na Itália da década de 1940 ! Acham pouco ? Então fiquem aqui pelo Brasil de Vargas até 1945, ou, mais próximo ainda, a ditadura militar de 1964 a 1985!
Para eles, a palavra democracia só é empregada como forma de atrair os incautos. Ao provarem daquilo que pensam ser açúcar acabam sentindo o gosto amargo do veneno com que roubam a liberdade e destroem a própria democracia.
Vocês lerão na reportagem, que o presidente da FENAJ afirma que a proposta não limita a imprensa. Bem, vindo dele, nenhuma surpresa. Afinal, ainda no primeiro de Lula, a FENAJ se associou ao governo em uma das tentativas de cercear a liberdade de imprensa. Lembram-se das inúmeras em que afirmamos que parte da imprensa é genuflexa ao petismo? Pois bem, eis aí um claro exemplo... Fui sutil?
A reportagem é de Maria Lima , para O Globo.
BRASÍLIA - A direção da Associação Nacional de Jornais (ANJ) reagiu nesta quinta-feira à proposta do diretório nacional do PT de patrocinar mudanças no sistema de comunicação brasileiro para instituir maior controle do Estado sobre meios de comunicação . As propostas serão apresentadas durante a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), organizada pelo governo e entidades sindicais, de 14 a 17 de dezembro.
Texto aprovado pelo diretório nacional do PT, para ser levado à deliberação da Confecom, defende o controle público dos meios de comunicação e a criação de mecanismos de sanção à imprensa. No documento "Resolução Sobre a Estratégia Petista na Confecom", o PT diz que a atual legislação é anacrônica, autoritária e "privilegia grupos comerciais em detrimento dos interesses da população".
A presidente da ANJ, Judith Brito, disse que preocupa toda iniciativa que signifique controle dos meios de comunicação. Ela lembra que a Constituição é categórica no sentido de que a liberdade de expressão deve ser exercida sem controles e observa que recente acórdão do julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a Lei de Imprensa reafirmou com clareza o valor maior da liberdade de imprensa.
- Para eventuais excessos cometidos pelos meios de comunicação e pelos jornalistas, aplica-se a legislação geral sobre danos morais. Além disso, com o fim da Lei de Imprensa, defendemos a regulamentação do direito de resposta. Em lugar de pretender controles ou sanções à imprensa, devemos é preservar um jornalismo independente, mas sempre responsável. A informação livre, sem controles, é um direito de toda a sociedade, é um instrumento da democracia - reagiu Judith Brito.
Presidente da Fenaj diz que proposta não limita imprensa
Já o jornalista Sérgio Murilo de Andrade, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que participa da comissão de organização da Confecom, apoiou a iniciativa do PT. Ele disse que não há a possibilidade de se repetirem, no Brasil, as mudanças na legislação feitas em países vizinhos, como Venezuela e Argentina, para limitar a ação da imprensa.
- Lamento que as grandes empresas de comunicação tenham se ausentado do debate na Confecom, criando uma falsa polêmica. Estão colocando pelo em casca de ovo. No Brasil, qualquer discussão sobre a necessidade de o sistema ser democratizado, logo vinculam à censura e ao controle do Estado. Temos que superar essa tendência.