sexta-feira, novembro 20, 2009

A diferença das viagens, a inauguração do nada e o ditador

Adelson Elias Vasconcellos


Lula foi a Natal (RN) e, claro, de arrastão, levou Dilma para passear. Claro, o Brasil inteiro sabe que as viagens da dupla Lula-Dilma não são pacmícios, são de inspeção de obras.

E o que a duplinha foi fazer no Rio Grande do Norte? Vocês não sabem? A gente informa, então: foram assinar o TERMO DE IMPLANTAÇÃO DA OBRAS DE INFRAESTRUTURA Da Refinaria Potiguar Clara Camarão.

A pérola está, além do tal TERMO, que as obras de infra-estrutura serão feitas com recursos do ... governo do estado do Rio Grande do Norte.

Tem mais (sei, vocês estavam achando pouco, não é?): a tal refinaria é vendida como uma instalação apta a processar o petróleo do pré-sal, muito embora, reparem, o petróleo do pré-sal fique no extremo sul do mapa. Este Lula, hein? Sabem quando a refinaria ficará pronta? No segundo semestre do ano que vem, em plena campanha. Por isso, como a Dilma não poderá estar presente, vamos montar o palanque agora!!! Então por que não comemorar com mais de um ano de antecedência, não é?

Interessante: se os recursos são do estado potiguar, o tal termo seria assinado apenas entre o governo estadual e a Petrobrás, por que então Dilma precisava ir junto? Inspecionar que obras, oh meu chapa? Evidentemente que se trata de uma viagem de negócios... eleitorais. Só o TSE não vê !

Claro, teve o discurso de uns 50 minutos com direito a muita batatada.

A primeira, antecipando-se ao roteiro que lhe seria perguntado, foi dizer que Dilma tem mais direito de viajar do que os governadores. Que governadores? Não citou, porém...Serra esteve em Curitiba. Foi celebrar um convênio de colaboração entre o estado de São Paulo (do qual ele é o governador) e a Prefeitura da capital do Paraná. Fez campanha? Se fez, ninguém viu, até pelo contrário. Quando perguntado, disse não pensar nisto. Só pensará em 2010. E foi tudo quanto arrancaram do governador.

Mas Lula parece insistir em instigar o governador paulista. Ele quase não se contém nesta ansiedade. Ele adoraria que Serra antecipasse a campanha. Serra seria o alvo do jogo sujo do petismo. Reparem que Lula poupa Aécio, enviando-lhe mensageiros do bem, para intrigá-lo justamente contra o governador Serra. Foi assim em 2005. Quando Alckmin foi oficializado candidato, a bateria saiu do lombo do Serra para se concentrar exatamente no Alckmin-candidato.

Lula sabe (e Dilma também) que um confronto apenas entre Serra e Dilma, ela sucumbe. Falta-lhe equilíbrio emocional para agüentar a parada. E por ser assim, se entende porque a ministra nunca foi candidata a nada. Por isso, Lula quer polarizar agora. Porque ele faria parte do jogo. Já no ano que vem, durante a campanha....

Mas no discurso, Lula partiu para o ataque adivinha contra quem? Pois é, FHC é uma obsessão dele que não tem cura!

O presidente ainda citou os avanços econômicos dos últimos anos e disse que em crises passadas o Brasil reduzia investimentos, aumentava impostos e juros, mas que, desta vez, diante da crise, o país expandiu os investimentos públicos e reduziu os juros e os impostos.

Vamos ver: que mundo FHC encontrou quando presidiu o Brasil? Que Brasil FHC recebeu quando assumiu em 1994?

Sempre defendi que, quando Lula vem com esta conversa mole dos seus “prodígios”, a comparação tinha que seguir esta linha das interrogações que abri acima, e não uma comparação pura e simples. Além disto, no período FHC, a média de crescimento da economia era em torno de 2%  (e a nossa média foi até maior). Já com Lula, com o mundo bombando a 7%, o Brasil se arrastou com menos de 5%, na média. Portanto, este tipo de comparação é pura vigarice. Além disto, foi no governo FHC, que a economia do país foi arrumada, APESAR DO PT, não POR CAUSA DO PT.

Lula repetiu, ainda, ter a consciência de que um ex-presidente não pode dar palpites para quem está governando. Bem, isto é o que veremos. Se for Dilma ou Serra, os palpites serão em tons diversos. Com sua candidata, justificará as ações sempre que isso for necessário, aproveitando para lembrar que, os frutos colhidos foram semeados em seu período.Porém, se for o PSDB quem estiver no poder, estará insuflando o partido a inviabilizar o governo do outro. É o que sempre fez nos governos alheios. Ou citem uma só vez em que ele e seu partido apresentaram uma crítica afirmativa ao governo dos outros. Nunca! A ação sempre foi a de tentarem inviabilizar, sabotar mesmo, o governo alheio. Um exemplo clássico foi o período em que Itamar Franco assumiu no lugar de Collor, que Lula e seu partido se empenharam a fundo para derrubá-lo. Ao chegar, Itamar conclamou todos os partidos para um pacto de união nacional no sentido do país superar a instabilidade institucional. Sabem o que respondeu Lula e seu partido? Um sonoro NÃO!

Todas as medidas tomadas por FHC para estabilizar a economia do país, ou foram sabotadas ou foram criticadas pelo PT. E, apesar disto, foi Lula quem colheu os frutos do governo anterior, apesar do discurso infame.  Quando não tentou se apropriar das boas obras do governo anterior ao seu...

Com a claque emocionada, ainda se saiu com esta:

- Acho tão bonito economista, fala números e números, quando é oposição, sabe de pronto, eu nunca vi bicho sabido como economista de oposição - disse Lula, que em seguida afirmou que se não fosse economista, gostaria de ser advogado por ser um bicho falador.

" Eta bicho sabido, sabe umas palavras bonitas, jamais o Caetano chamaria um advogado de analfabeto falando letrado "

Vamos por partes: Lula não precisa ter inveja dos economistas, porque ele cita números mais do que todos,e quando se trata de números de seu governo, ele ainda ajuda com sua “esperteza” para engrandecê-los além da realidade. Em resumo: ele os manipula com incrível destreza.

Quanto a ser advogado, ou ter se formado em qualquer outra coisa, bem, já sabemos que só não o fez, não porque não pudesse, foi porque não quis. Pura vadiagem e preguiça. E, além disto, ter diploma não dá sabedoria ninguém. O diploma é apenas um indicativo de alguém que se qualificou ao exercício de determinada profissão. Fazer bem o que aprendeu, dependerá do caráter e do esforço de cada um. Um ladrão com diploma, por exemplo, é apenas um ladrão com diploma. Um canalha diplomado, continuará sendo um canalha, apesar do diploma.

Por fim, eis a máxima lulista, falando ou se referindo a alternância no poder::

- É importante que haja uma espécie de alternância de poder, uma rotação, para que possamos exercitar a democracia em toda a sua plenitude - disse o presidente, que afirmou que com democracia não se brinca, acrescentando que tem muita gente que diz para ele ficar mais um mandato.

- Aí começa a nascer o ditadorzinho, na política a gente não pode se achar nem insubstituível, nem imprescindível, sempre é importante acreditar que vem alguém melhor para fazer muito mais - afirmou.

Notaram? Ou então, o que acham que ele quis dizer com “uma espécie de alternância no poder”? Ou é UMA alternância no poder, ou não é nenhuma, ora bolas. Não existe esta de “uma espécie de...”, ou é ou não é. Mas no fundo, apesar de querer parecer democrata, o que ele entende por uma espécie de alternância no poder, é apenas o ritual de troca de nomes, mantido sempre o partido que já está lá, e claro, desde que seja o partido dele.

E que tal se vier alguém que venha fazer melhor do que ele, mesmo sendo da atual oposição, ele acaso apoiará? Balela, não fez quando pode e era necessário para o bem do país, fará depois? Alguém acredita neste milagre?

Não, a essência de Lula está naquilo que ele mesmo disse, “...Aí começa a nascer o ditadorzinho, na política a gente não pode se achar nem insubstituível, nem imprescindível...” É só observar seu dia a dia, como ele e seu partido tratam as instituições, como trataM o Legislativo, como agrideM o Judiciário, O ASSALTO ÀS LEIS,  e os órgãos de fiscalização do Estado, é só ver como eles desdenham da oposição e tentam a todo custo calar a imprensa. Vai ver que, quando ele fez esta última afirmação, estava mirando-se na própria imagem...